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    Princesinha do Baixo Amazonas, Urucará completa 131 anos de fundação

    Famosa pelo Festival de Verão e a Festa do Divino Espírito Santo, a região foi separada de Silves em 12 de maio de 1887. Local passou a ser a casa de alguns estrangeiros

    Urucará possuí 17.094 habitantes, conforme dados do IBGE | Foto: Reprodução

    Urucará - Conhecida como "Princesinha do Baixo Amazonas", a centenária cidade de Urucará completa neste sábado (12), 131 anos. Distante da capital Manaus 270 km, o município inicia as comemorações da data de fundação junto ao principal evento da cidade: a Festa do Divino Espirito Santo.

    Neste dia festivo para a cidade, conheça a história das pessoas que vieram de tão longe e hoje abraçam o município como a terra natal. Há também aqueles que saíram de Urucará em busca de novos horizontes, mas Urucará não saiu deles.

    São mais de 10 dias de muita festa em comemoração ao aniversário da cidade. De 11 até 20 de maio o município recebe várias atrações regionais para celebrar os dois eventos mais importantes da cidade: o aniversário e a Festa do Divino

    Em Urucará há também outros eventos que movimentam a cidade, como a "Festa da Padroeira" do município, o "Festival de Quadrilha", a "Festa de Nossa Senhora de Aparecida" e, na primeira quinzena de novembro, os festejos enceram com o badalado "Festival de Verão".

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    De Urucará para Manaus

    Uma cidade tranquila para viver, Urucará, desperta saudade nas pessoas que tiveram que se mudar, seja para estudar ou trabalhar. E saudosismo, é o que três amigos, que viveram no município durante a infância, sentem ao falar sobre o local. Raniella Cavalcante, Victor Hugo Ramos e Helda Libório contaram ao Em Tempo os motivos que o fazem voltar, sempre que possível, para a cidade na qual cresceram juntos.

    Urucará fica a 270 km de Manaus
    Urucará fica a 270 km de Manaus | Foto: Reprodução

    O trio buscou formação acadêmica em Manaus, onde construíram carreiras profissionais. No entanto, apenas a funcionária pública Helda Libório, de 28 anos, após formada foi morar em Porto Velho com o marido e o filho. Apesar da decisão, ela comenta que sente falta dos banhos de rio em Urucará. “Gostava muito de ir ao igarapé com minha família, e era o que eu mais gostava de fazer”, recorda.

    O publicitário e cabeleireiro Victor Hugo, de 29 anos, conta que a infância em Urucará foi a melhor possível, pois era uma cidade segura ao ponto de todos ficarem até tarde conversando na praça. “Na época não tinha internet aqui, então a gente brincava muito na rua, pulava no rio, e foi uma infância muito boa porque era uma cidade muito tranquila”, destaca Hugo, que está no município a trabalho e aproveitará para participar do aniversário de 131 anos da localidade. 

    Em relação à educação do município, os três amigos foram enfáticos: falta melhorar, e isso foi o principal motivo pelo qual decidimos ir para Manaus.

    Os três amigos de Urucará se formaram em Manaus, onde construíram carreiras profissionais
    Os três amigos de Urucará se formaram em Manaus, onde construíram carreiras profissionais | Foto: Arquivo Pessoal

    Na época de transição para o ensino médio, a consultora de beleza e maquiadora Raniella Cavalcante, natural de Maceió (AL), conta que saiu do município após concluir o ensino fundamental, em 2004, para ter mais oportunidades, igual aos dois amigos.

    “Vim para a capital para fazer o ensino médio, porque, ainda que tenha escolas públicas com estruturas boas no município, a gente sabe que algumas instituições particulares de Manaus são melhores e tem um ensino mais intensivo”, comenta ela, que passou a morar em Urucará a partir dos seis anos de idade e volta três vezes ao ano para rever os familiares, principalmente a mãe. 

    Atualmente, o município conta com seis escolas municipais e duas creches.

    Turismo

    Segundo o publicitário, o principal ponto turístico do município é a praça da Igreja de Santana, local que ocorre a Festa do Divino Espirito Santo, que é alusivo à celebração de Pentecostes.

    Para Raniella, um dos locais mais belos da cidade é a orla, primeiro local visto por quem chega à cidade. “É muito lindo, muito arborizado, e é perto do rio. O melhor horário para visitar a orla é no entardecer, porque sempre tem um pôr do sol maravilhoso”, conta.

    Ao que diz respeito ao turismo, a moradora Selma Viana, advogada e natural de Maceió, pontua as praias de rio e igarapés como pontos imperdíveis para visitar. "Foi construído um porto novo na cidade conhecido como 'Ponta da Bolívia', que é um local muito bacana para ir a noite”, disse.

    A praça da cidade é um dos locais mais frequentados pelos moradores
    A praça da cidade é um dos locais mais frequentados pelos moradores | Foto: Arquivo Pessoal

    Economia

    Segundo último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o município de Urucará tem 17.094 habitantes e se sustenta com uma economia baseada principalmente na agricultura, onde predomina o cultivo de mandioca, banana, guaraná, cacau, maracujá, milho, feijão, arroz, juta e malva. 

    No município, há pequenos produtores de móveis de madeira, vestuário, comércio informal de roupa, alimentos e bebidas, mas 89,3% das receitas do município são oriundas de fontes externas, aponta o IBGE.

    De acordo com Victor Hugo, atualmente é realizado pela prefeitura de Urucará a "Feira do Produtor", que tem o intuito de incentivar ainda mais os pequenos agricultores e, assim, aquecer a economia local.

    Saúde

    Para Hugo, que passou por uma situação em que o pai precisou dos serviços públicos de saúde, é necessário que se invista mais nessa área. “Meu pai teve um infarto e precisou dos serviços de saúde, mas só tinha um médico na cidade toda, e ele não era preparado para auxiliar uma pessoa naquele estado, então tivemos que levá-lo para Manaus”.

    As mesmas situações são relatadas pelos moradores antigos, que reclamam que para fazer exames mais específicos precisam viajar até Manaus e, com isso, o custo aumenta consideravelmente.

    “Apesar da construção de algumas unidades de saúde nos últimos anos, a cidade está bem carente de especialistas e são poucos médicos disponíveis para a população. É preciso ter sorte se você passar mal, pois o que vemos nesses locais é que falta muito medicamento e materiais cirúrgicos”, disse uma moradora.

    O primeiro local visto por quem chega à cidade é a orla
    O primeiro local visto por quem chega à cidade é a orla | Foto: Reprodução

    O que precisa mudar?

    Ao que concerne as mudanças, os moradores, principalmente os antigos, concordam nos pontos que ainda precisam melhorar para que o município consiga uma economia mais sustentável.

    Para a advogada, que há 20 anos reside em Urucará, a cidade precisa desenvolver formas de sustentar economicamente os moradores. “Poderia ser a criação de uma indústria e algo para melhorar a fomentar a situação dos produtores rurais locais”.

    A mesma opinião tem a funcionária pública e ex-moradora Helda Libório, que atualmente reside em Porto Velho (RO). “Um dos problemas que a cidade tem é que toda a renda é praticamente proveniente da prefeitura ou do Estado. Acho que precisa de incentivo à produção agrícola e outras atividades que geram renda”.

    O americano Thomas criou-se em Urucará e depois morou 23 anos nos EUA, mas resolveu voltar para o Amazonas
    O americano Thomas criou-se em Urucará e depois morou 23 anos nos EUA, mas resolveu voltar para o Amazonas | Foto: Arquivo Pessoal

    A advogada conta que a cidade também teve muitas melhorias durante esses anos. “A estrutura evoluiu muito. Hoje as ruas agora são pavimentadas, teve o aumento no número dos postos de saúde e agora quase 100% da cidade tem saneamento básico”, diz, acrescentando que também foram construídos ginásios poliesportivos nas escolas.

    História

    O nome Urucará foi formado pela junção das palavras Uru, que significa “Cesto de palha”, e Cará, que significa e “inhame”.

    A cidade originou-se da povoação de Santana da Capela, fundada em 1814, por Crispim Lobo de Macedo. Em 1880, a povoação já possuía certo adiantamento, em que havia uma pequena igreja coberta de telhas e uma população regular. Tornou-se, então, sede da freguesia de Nossa Senhora Santana da Capela, segundo informações do Governo do Estado do Amazonas.

    Cidade de Urucará em 1966
    Cidade de Urucará em 1966 | Foto: Reprodução

    No dia do 12 de maio de 1887, pela Lei Provincial nº 744, a sede foi elevada à categoria de vila, desmembrando-a do município de Silves. Na época, o lugar era chamado de Senhora Santana de Urucará, que é a padroeira da cidade.

    Em 10 de dezembro de 1981, pela Emenda Constitucional nº 12, Urucará perdeu parte de seu território em favor do novo município de São Sebastião de Uatumã. 

    Curiosidades

    Urucará esconde várias histórias interessantes contadas pelos moradores mais antigos do município. Uma delas é a chegada de uma família norte-americana, chefiada pelo pastor evangélico Clinton, que chegou ao Brasil em ação missionária, em 1954.

    Quando a família foi parar no pacato município do interior do Amazonas, logo os moradores pensaram que se tratava de espiões americanos, e se questionavam sobre quais as reais intenções deles no local, que logo compraram o quarteirão central da cidade, que fica localizado próximo à igreja católica da padroeira Santana.

    Os moradores contam que ninguém sabia o que seria construído no local, e logo que os muros da construção subiram, os rumores sobre uma “base militar”, que passaria informações sobre a Amazônia para os Estados Unidos foram aumentando. 

    O americano Thomas J. junto com os irmãos em Urucará
    O americano Thomas J. junto com os irmãos em Urucará | Foto: Arquivo Pessoal

    Porém, logo foi visto que a família do pastor Clinton, já falecido, era “de bem” e a igreja evangélica instalada na região passou a ser aceita pela população.

    Um dos filhos do pastor, Thomas J., que ainda mora em Urucará, conta que a família primeiro morou em Belém e só em 1964 foram para o município amazonense. “Meu pai queria morar em um local onde ainda não existisse igreja evangélica, porque ele vivia para fazer missões”, afirma.

    Ele conta que passou 23 anos nos EUA, mas que as raízes amazonenses foram tão fortes que resolveu retornar ao local que cresceu. “Vim muito novo com minha família toda, e toda a minha infância foi aqui. Morei nos EUA, onde minha mãe vive atualmente, mas resolvi voltar porque gosto muito daqui, é onde eu me criei e é onde quero ficar”, conta saudoso.

    O pastor Clinton teve tamanha importância para a cidade, que foi construída uma unidade de Saúde em homenagem à contribuição dele ao município. 

    Construção da Unidade Básica de Saúde em homenagem ao pastor americano
    Construção da Unidade Básica de Saúde em homenagem ao pastor americano | Foto: Arquivo pessoal

    Edição: Isac Sharlon

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