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    'A Princesa do Madeira': Humaitá comemora 149 anos de existência

    Localizada a 696 km da capital amazonense, a cidade é conhecida como uma referência no Sul do Amazonas, por sua proximidade com Porto Velho, capital de Rondônia

    Humaitá é uma das principais cidades do Sul do Amazonas, considerando sua proximidade com a capital de Rondônia, Porto Velho
    Humaitá é uma das principais cidades do Sul do Amazonas, considerando sua proximidade com a capital de Rondônia, Porto Velho | Foto: Divulgação

    Manaus Nesta terça-feira (15), o município de Humaitá comemora 149 anos de existência. Localizada a 696 km da capital amazonense, a cidade é conhecida como "a Princesa do Madeira" e o 14º município mais antigo do estado. O nome possui origem indígena: "huma", significando "agora preta"; e "ita", significando "pedra".

    O município faz parte da mesorregião do Sul do Amazonas e possui população aproximada de 53.383 habitantes, de acordo com censo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2017. Limita-se com os municípios de Manicoré ao norte, leste e oeste; Porto Velho, (capital de Rondônia) ao sul; e Tapauá e Canutama ao oeste. Sua área de 33.071,667 km² coloca o município na 17ª posição de cidade mais extensa do estado. 

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    Como acontece em muitos outros municípios do Amazonas, a história de Humaitá começa com seus primeiros habitantes indígenas. As etnias Parintintin, Pama, Arara e Mura habitavam a região e viviam na base da pesca, caça, extrativismo e agricultura familiar. Foi somente no ano de 1869 que foi iniciado o processo de colonização, com a chegada do comerciante José Francisco Monteiro. Ele chegou na região em busca de riquezas e instalou-se no Pasto Grande, onde era a sede da Freguesia de São Francisco, próximo à atual cidade, no dia 15 de maio.

    O município é um dos mais antigos do Amazonas
    O município é um dos mais antigos do Amazonas | Foto: Divulgação

    Devido a constantes ataques dos indígenas, a sede foi transferida pelo comendador através da lei nº 790 de 13 de novembro de 1888 para o lugar onde hoje fica a cidade. O lugar foi batizado de Freguesia de Nossa Senhora da Conceição do Belém de Humaitá. Em fevereiro de 1890, as terras foram desmembradas do município de Manicoré através do decreto nº 31 de 4 de fevereiro de 1890.

    Segundo o historiador Nã Batista, o decreto foi assinado pelo governador em exercício Eduardo Ribeiro. "No mesmo ano, foi fundado o primeiro jornal da cidade, chamado 'O Humaythaense', assim como a vinda do primeiro Destacamento da Polícia Militar do Amazonas para o município", afirma. Quatro anos depois, Humaitá foi elevada à categoria de município.

    Atualmente, a cidade é dividida em 14 bairros. São eles: São Domingos Sávio, Divino Pranto, Nossa Senhora do Carmo, São José, São Francisco, Santo Antônio, Nova Humaitá, São Cristóvão, Novo Centenário, São Sebastião, São Pedro, Nova Esperança e Centro.

    Além de historiador, Nã também é conhecido por seus poemas. Em sua poesia, o escritor descreve lugares que fazem parte de sua memória afetiva da cidade, além do carinho pela cidade onde nasceu, como no poema "Quando Eu Partir".

    Atualmente a cidade é dividida em 14 bairros
    Atualmente a cidade é dividida em 14 bairros | Foto: Divulgação

    QUANDO EU PARTIR

    "Quando eu partir

    Da minha cidade querida

    Vou olhar para trás com saudade,

    Nos olhos lágrimas de despedida.


    Vou sentir em meu peito

    Uma grande emoção,

    Sei que vai ficar apertado,

    O meu largo coração.


    Vou prestar muito atenção

    Nas coisas que deixarei,

    Vou fazer uma declaração

    Pra tudo que tanto amei.


    Almoçar um delicioso peixe

    No restaurante da Tia Mocinha,

    E jantar churrasquinho de frango

    Na banca da Dona Mariquinha.


    De pular nas águas velozes

    Do nosso lindo rio Beêm,

    Comer mangaba em baixo da mangabeira,

    Lá sabor igual não tem.


    Vou chorar lembrando

    De tudo que vi nascer,

    Vou partir chorando

    Com saudade de você.


    Vou sentar na escada da matriz

    Para fazer minha oração

    À querida padroeira,

    Nossa Senhora da Conceição.


    Mas sei que um dia voltarei

    Para lhe visitar,

    Também sei que vou sorrir

    Quando aqui retornar.


    Humaitá, você é minha fonte,

    Minha paixão, meu amor,

    A primavera florida,

    De um jardim cercado em flor.


    Humaitá das mulheres  bonitas

    E do homem sonhador,

    É a música do artista,

    É a tela do pintor.


    Minha doce terra, terra querida,

    Ninguém a ama como eu,

    Você é tudo que tenho,

    O presente que Deus me deu.


    Quando eu partir dessa vida,

    Será menos um coração,

    Que me enterre em sua alma,

    Bem no seio do seu chão"

    Localizada a 696 km da capital amazonense, a cidade é conhecida como "a Princesa do Madeira"
    Localizada a 696 km da capital amazonense, a cidade é conhecida como "a Princesa do Madeira" | Foto: Divulgação

    Saudosas memórias

    A paixão de Nã pelo município também é compartilhada pela advogada Altanira Ulchoa, de 55 anos. Nascida na comunidade Três Casas, a seis horas de barco da cidade, ela chegou em Humaitá com apenas 10 anos de idade, mas as memórias continuam vivas até hoje. Filha de pais seringueiros e pescadores, ela passou a morar no município em 1972.

    "Chegamos na cidade, meus pais, eu e mais cinco irmãos. Lembro que estavam começando a construir o quartel militar na cidade", afirma Altanira. Ela lembra que, na época, haviam poucos bairros e moradores, o que tornava a cidade agradável. "Um senhor deu uma casinha para o meu pai morar, bem no limite da cidade, que ainda era pequena".

    "Humaitá era uma cidade bem pacata, mas divertida para nossa família, que havia chegado do interior", afirma a moradora. Com a cidade ainda pouco desenvolvida, o lazer dos humaitenses era "prosear" nos bancos da Praça Ferreira de Castro. Atualmente, entre seus pontos turísticos mais conhecidos estão construções como o Prédio da Biblioteca Ferreira de Castro, a Praça da Matriz, o Portal Rio Madeira e a Orla de Humaitá.

    Registro do acampamento dos trabalhadores em Humaitá durante a construção da rodovia BR-319
    Registro do acampamento dos trabalhadores em Humaitá durante a construção da rodovia BR-319 | Foto: Instituto Durango Duarte

    A BR-3019 e o desenvolvimento

    Depois de morar uma longa temporada fora do estado, Altanira voltou para o município de Humaitá aos 45 anos de idade. A moradora cita a presença da BR-319 como contribuição para o desenvolvimento da cidade. A rodovia, que liga o município amazonense a Porto Velho, capital de Rondônia, foi construída em 1976. "Humaitá passou a ter um fluxo maior de pessoas de outros estados e isso gerou uma pluralidade de culturas que enriqueceu ainda mais a cidade", afirma Altanira.

    Ela também destaca o desenvolvimento e as transformações pelas quais a cidade passou. "Humaitá virou referência de desenvolvimento no Sul do Amazonas, é um município onde temos instituições de todas as esferas, municipais, estaduais e federais", explica ela. "Tem muito potencial para ser um dos municípios mais desenvolvidos do estado".

    Municipio de Humaitá - Infográfico Municipio de Humaitá - Infográfico Municipio de Humaitá - Infográfico Municipio de Humaitá - Infográfico Municipio de Humaitá - Infográfico Municipio de Humaitá - Infográfico

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