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    Carnaval


    ‘Não é não’ chega ao Amazonas por um carnaval sem assédio

    Coletivo feminista atua em 14 estados brasileiros e, em 2020, estreia sua participação oficial no Amazonas

    Bloco Pipoca e Guaraná RJ. | Foto: Fabiano Battaglin

    Manaus –  Era carnaval, na rua havia muita gente bonita brincando. Um rapaz avistou uma moça de longe e tentou uma aproximação. Sem resultado, tentou mais uma vez de maneira incisiva.  A tatuagem temporária no corpo dela já dizia: Não é não! 

    Esta é só uma história fictícia, mas é uma situação bem comum, presenciada com frequência pelas mulheres. Pensando em combater o assédio contra foliãs durante o carnaval, o coletivo feminista ‘Não é Não’, conhecido por distribuir tatuagens homônimas, expandiu sua atuação e este ano estreia no Amazonas.

    Outros estreantes são: Piauí, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Amapá, Espírito Santo e Paraíba, que se juntam ao Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Distrito Federal, Goiás, Paraná, Pará, Bahia e Pernambuco. 

    Quem abraçou a campanha para sua execução no Amazonas foram os coletivos Feminista Humaniza e Miga Cultura e Diversidade.

    Marília Freire, embaixadora da campanha no Amazonas em 2020, garante que a programação em Manaus contará com várias rodas de conversa em escolas, comunidades, e locais onde forem chamadas para falar sobre assédio, importunação sexual e estupro. Além da tradicional distribuição das tatuagens nos blocos e carnaval.

    Números

    O crime de assédio sexual é comum o ano inteiro e em todos os períodos, mas é intensificado durante o carnaval, principalmente pela falsa sensação de que “tudo é permitido”. A mensagem ‘Não é Não!’ é simples, objetiva e direta, mas ainda muito necessária. Os números são alarmantes: aconteceram 135 estupros, por dia, em 2016. Somente em 2017, uma mulher foi agredida a cada quatro minutos durante o carnaval carioca e no primeiro semestre de 2018 a Central de Atendimento à Mulher em Situação de Violência recebeu 73 mil denúncias, através do telefone 180. 

    Doações

    Através da plataforma Benfeitoria, já parceira do projeto, os apoiadores podem comprar as mais diversas recompensas, que podem ser tatuagens para brincar o carnaval, copos, bolsas, brincos, rodas de conversa em escolas, aulas de bordado, xequerês e muito mais. Cada estado possui parcerias próprias e locais, além das padronizadas para todas as campanhas.

    Coletivo Feminista 'Não é Não!'

    O ‘Não é Não’ foi criado em janeiro de 2017 pelo grupo de amigas Barbara Menchise, Aisha Jacob, Julia Parucker, Nandi Barbosa e Luka Borges. O movimento teve início após um episódio de assédio sofrido por uma delas em um ensaio de bloco de carnaval.

    Naquele ano foram mobilizadas 40 mulheres que se uniram na arrecadação de R$ 2.784 reais em apenas 48 horas, que foram usados para a confecção de quatro mil tatuagens, distribuídas gratuitamente pelas ruas da cidade para mulheres.

    Em seu segundo ano, o movimento extrapolou os limites do Rio de Janeiro e chegou a mais cinco estados como Minas Gerais, São Paulo, Pernambuco e Bahia, tamanha a adesão das foliãs.

    Hoje o grupo conta com embaixadoras em 16 estados brasileiros e segue crescendo, espalhando a mensagem contra o assédio pelos quatro cantos do país.  

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