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    Terceira criança é internada na FMT com suspeita de raiva humana

    Irmão e irmã morreram com diagnóstico de raiva humana, confirmado após ataques de morcegos na Resex do rio Unini, em Barcelos

    O paciente já está sendo submetido ao protocolo de Milwaukee, indicado pelo Ministério da Saúde (MS). | Foto: Divulgação

    Um adolescente de 14 anos, irmão dos jovens que morreram com diagnóstico de raiva humana, foi internado na Fundação de Medicina Tropical (FMT), na noite de sábado (2) com quadro de encefalite viral, uma infecção aguda no cérebro causadas por vírus, informou a Secretaria de Saúde do Amazonas (Susam). 

    Segundo o diretor de Assistência Médica da FMT, o infectologista Antônio Magela, que está acompanhando o caso, informou que o paciente já está sendo submetido ao protocolo de Milwaukee, indicado pelo Ministério da Saúde (MS), com uso dos medicamentos Biopterina e Amantadina. Também foram coletadas e enviadas ao Laboratório Central de Saúde Pública (LACEN) amostras biológicas para exames e investigação do diagnóstico do paciente.

    De acordo com a empregada doméstica, Mara do Carmo Teixeira, de 43 anos, prima dos jovens mortos pela doença, a família está preocupada e assustada com a situação atual do outro filho que está internado já que os sintomas são idênticos aos dos outros. "Ele está com as mesmas características dos meninos, mas ainda não foi confirmado. Estamos todos muito assustados. Além disso, é preciso que prestem atenção também nos pais dessas crianças, já que a assistência está apenas no adolescente no momento". 

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    Segundo o tio, o autônomo Vanderly Gomes Pereira, 41 anos, o jovem estava reclamando dos mesmos sintomas que os irmãos reclamavam. “Ele disse que está com dormência e dores nas pernas, dor de cabeça e que está com muito medo, pânico mesmo. Ora! Quem é que não fica com medo, né?”, disse o tio do menino.

    Vanderly conta que ataques de morcego são frequentes na região dos afluentes do rio Negro e no Parque Nacional do Jaú, onde fica localizada a comunidade do Tapiira, local em que a família do irmão, pai dos adolescentes e da menina, mora. “Eu mesmo já fui atacado por morcegos não tem nem quatro meses e já tomei a vacina antirrábica. Mas, em toda a minha vida, nunca vi acontecer o que está acontecendo agora, com pessoas morrendo na minha família”, revelou.  

    Um dos possíveis motivos para os constantes ataques de morcegos, segundo apontou Vanderly, seria a escuridão provocada pela falta de energia elétrica. “Com iluminação melhora, mas quando as pessoas se recolhem para dormir e fica aquela escuridão e silêncio, daí os morcegos começam a atacar. Já ouvi, inclusive, relatos de cachorros que morreram depois dos ataques nas comunidades Carabinari e Cumarú. Acho que tem que haver uma campanha maior de vacinação nessa região”, disse o comunitário.

    Desde 2002, esses são os primeiros casos da doença registrados no Amazonas, quando duas pessoas morreram em decorrência do vírus rábico.

    Estado de saúde do adolescente

    A Susam enviou nota falando sobre o estado de saúde do paciente na manhã de domingo (3), informando que ele está internado na Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica (UTI) da FMT-HVD com encefalite viral tratada com suspeita de raiva humana.

    Ainda segundo a nota, o rapaz está lúcido, estável e bem no ponto de vista respiratório e neurológico não tendo apresentado nenhuma instabilidade hemodinâmica. Ele está sendo acompanhado por médicos pediatras e intensivistas.

    Entenda o caso

    O Instituto Evandro Chagas confirmou Raiva Humana em diagnóstico do adolescente de 17 anos, que morreu no dia 16 de novembro, no Hospital 28 de Agosto, em Manaus.

    Neste sábado (2), a irmã do adolescente, de 10 anos, morreu com diagnóstico de raiva humana. Ela também estava internada na capital. Os pacientes são oriundos da comunidade de Tapira, no rio Unini, em Barcelos, município a 401 quilômetros de Manaus.

    A doença

    Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a raiva é uma zoonose (doença transmitida de animais para o homem) causada por um vírus. É uma das doenças mais graves do mundo com taxa de mortalidade de quase 100%. 

    Atualmente a raiva está controlada. São 55 mil casos em humanos ao ano, de acordo com a OMS, quase todos na Ásia e África. Mesmo no Brasil, a doença é raríssima. Em 2016, foram apenas cinco casos. 

    Colaborou Sídia Ambrósio

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