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    Vírus erradicado


    Adolescente é o primeiro sobrevivente da raiva humana no Amazonas

    Jovem de Barcelos que contraiu o vírus teve 98% de morte cerebral. Embora tenha erradicado o vírus, ele segue internado sem previsão de alta

    Coletiva sobre o estado de saúde do paciente Mateus ocorreu nesta terça (9). | Foto: Márcio Melo

    Manaus - A equipe médica responsável pelo tratamento e a recuperação do adolescente Mateus Souza, de 14 anos, o primeiro sobrevivente de raiva humana na história do Amazonas, segundo no Brasil e quarto no mundo, comentou sobre a doença nesta terça (9). Considerada a mais grave infecção causada por vírus, a literatura médica apresenta taxa de mortalidade de, praticamente, 100%.

    De acordo com o médico infectologista, Antônio Magela, da Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD) o paciente surpreendeu durante a recuperação. “Os casos de raiva humana são muito delicados. A raiva é uma infecção aguda que, após o início dos sintomas, possui taxa de mortalidade de praticamente 100% dos casos. Nenhuma outra doença infecciosa possui uma taxa de mortalidade tão alta”, disse.

    Mateus Souza teve 98% de morte cerebral e erradicou o vírus da raiva humana.
    Mateus Souza teve 98% de morte cerebral e erradicou o vírus da raiva humana. | Foto: Márcio Melo

    A equipe médica também contou com o suporte do Dr. Rodney Willoughby, médico americano que atendeu o primeiro sobrevivente de raiva humana no Brasil, ocorrido em Pernambuco com o jovem de 15 anos, Marciano Menezes. 

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    A médica de Terapia Intensiva Pediátrica, Dayse Souza, relata que o suporte do profissional fez toda a diferença no atendimento ao paciente. “Ele nos deu todo o apoio necessário com a parte teórica e técnica. O último dia 25 foi o período mais crítico do adolescente, ele esteve oscilando. O médico americano nos deu segurança pois acompanhou muitos casos, tem larga experiência", completou.

    Embora o jovem tenha erradicado o vírus, Dayse Souza explica que o adolescente ainda deve continuar internado, por tempo indeterminado para tratar possíveis sequelas oriundas das medicações. No entanto, mesmo sem especificar o tipo de sequela, Dayse disse que o paciente pode perder funções motoras e mental.

    Pai do paciente, Levi Castro.
    Pai do paciente, Levi Castro. | Foto: Márcio Melo

    Segundo o pai do adolescente, Levi Castro, as agressões de morcegos sempre ocorreram na região, no entanto, durante o ano de 2017, os ataques foram mais frequentes. “Eu moro há 40 anos na comunidade. Os ataques aconteceram como nunca antes. Eu conversava com o meu filho, dizia para ele ter força, coragem e fé e que ele era um milagre de Deus”, contou.

    Conforme a mãe do adolescente, a dona de casa Débora Souza, a família se mantém em Manaus por meio de doações de amigos e pessoas que prestaram auxílio. “Não temos casa aqui e estamos esse tempo todo nos mantendo com doação. Somos muito gratos a Deus e a todos esses amigos”, finalizou.


    Edição: Luis Henrique Oliveira


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