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    Crise na Saúde


    Longa espera e falta de remédios afetam atendimento no HPS João Lúcio

    Falta de medicamentos e leitos sem colchões são algumas das reclamações de quem precisa ficar internado na unidade de saúde

    A vítima foi levada para o Hospital João Lúcio | Foto: Arquivo Em Tempo

    Manaus- Pacientes do Hospital e Pronto-Socorro Dr. João Lúcio Pereira Machado denunciaram a precariedade da unidade hospitalar, que estaria com problemas de infraestrutura e superlotada. A demora no atendimento e a falta de medicamentos essenciais, além do atendimento inadequado por parte de alguns profissionais, são questionados por quem procura o local, localizado na Zona Leste de Manaus.

    Após sofrer uma queda e machucar a cabeça, o idoso Valderino Pereira Prestes, de 74 anos, está sentindo na pele o que é depender do sistema público de saúde no Amazonas. Ele deu entrada na unidade no início da tarde de segunda-feira (26), mas só conseguiu ser atendido às 21h, após passar horas sentindo dor.

    O genro e acompanhante do idoso, Pedro Pereira, informou que não há colchões e lençóis para colocar nos leitos da enfermaria. Aguardando em um dos corredores, Valderino passou algumas horas deitado em uma maca de ferro, que estava suja e sem proteção. A família precisou levar pertences pessoais para dar conforto ao paciente.

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    Valderino foi colocado em outra maca após os familiares reclamarem
    Valderino foi colocado em outra maca após os familiares reclamarem | Foto: arquivo pessoal

    "Os familiares precisam levar diversos produtos que deveriam ser oferecidos pelo próprio hospital. Os corredores estão lotados de pacientes, que ficam em macas sem proteção. Há um risco enorme de contaminação, sem contar com a demora no atendimento e o odor em todo o pronto-socorro", relatou Bruna Ferreira, de 33 anos, que levou a mãe ao João Lúcio após ela passar mal em casa.

    Medicamentos

    A falta de medicamentos reforça a reclamação dos cidadãos que procuram atendimento médico no pronto-socorro. Alérgico à dipirona (medicamento analgésico e antitérmico muito usado para combater febres e dores), Valderino teve que "tirar do próprio bolso" para adquirir um remédio para dor.

    "Minha esposa teve que pegar um Uber e ir à farmácia mais próxima para comprar o remédio, pois aqui não tem. Pelo menos foi o que alegaram pra gente. Essa situação é um absurdo!", disse Pedro. 

    Os pacientes recebem atendimento nos corredores, próximo dos banheiros sem nenhum higiene e com risco de contaminação
    Os pacientes recebem atendimento nos corredores, próximo dos banheiros sem nenhum higiene e com risco de contaminação | Foto: Arquivo Pessoal


    Tratamento desumano

    O tratamento que os amazonenses recebem no hospital da rede pública estadual também foi alvo da insatisfação de parte dos pacientes. A afirmação foi repassada por acompanhantes de pacientes que recebiam atendimento na unidade nesta terça-feira. Pedro Pereira confirma a denúncia e diz que, em muitos momentos, os profissionais são grossos, indiferentes com as necessidades das pessoas ou perdem tempo conversando em aplicativos de mensagens.

    "Ao invés de atender os pacientes, eles perdem horas no celular. Muitas vezes, os profissionais são mal educados. Claro que não são todos, mas alguns nos tratam muito mal, como se estivessem nos fazendo algum favor", ressaltou. 

    Susam

    Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde do Amazonas (Susam) informou que o hospital tem, em estoque, medicamentos que substituem o paracetamol, como o ibuprofeno e a dipirona. Em casos como o de Valderino (quando há alergia a algum medicamento e o remédio substituto estiver em falta), o procedimento padrão da unidade é, por meio do setor farmacêutico, solicitar a aquisição de outro medicamento. 

    "A direção ressalta, ainda, que pode ocorrer que a unidade não tenha todos os medicamentos de substituição, uma vez que essas características são variáveis e é preciso especificar cada caso. O pronto-socorro é uma das 12 unidades tidas como prioridade  para melhorias a serem implantadas pela  atual gestão da Susam. A unidade está passando por um processo de revitalização em  equipamentos e vestuário", diz parte da nota.

    Quanto à reclamação de atendimento dos profissionais, a Susam informou que equipe é treinada e informada sobre a necessidade de dar atenção aos pacientes. No entanto, em casos em que os pacientes se sentiam prejudicados, a Ouvidoria da unidade é o local para realizar reclamações.  

    A Crise na Saúde Continua

    Recentemente, pacientes da Unidade de Saúde de Pronto Atendimento (SPA) José Jesus Lins, localizado no bairro Redenção, Zona Centro-Oeste de Manaus, também procuraram a reportagem e contaram que sofrem com a precariedade da unidade de saúde. De acordo com uma das pacientes, que preferiu não se identificar, todos os dias, após às 22h, o local fica sem vigilantes e os pacientes e os funcionários relatam medo e insegurança.

    Na ocasião, foi relatado que os pacientes evitavam utilizar os banheiros da unidade devido à sujeira. Sem limpeza e com as descargas quebradas, os pacientes precisavam conviver com o odor forte de fezes e urina. Além da precariedade estrutural, os pacientes afirmaram  ainda que o SPA não tinham alguns medicamentos.

    A falta dos remédios também estaria afetando o atendimento a determinados grupos de pacientes. Ao contrário do que foi relatado pelas pacientes, a Susam disse que o SPA José Lins está com a maior parte de sua estrutura física em boas condições. Além disso, o órgão possui um projeto para revitalizar áreas danificadas pela falta de manutenção. A pasta assume que há setores deficientes.

    Quanto à falta de medicação, a direção da unidade disse que o fato não procede. A unidade aguarda uma nova remessa de remédios da Central de Medicamentos do Amazonas (Cema) para trabalhar com os estoques bem abastecidos.

    Edição: Bruna Souza

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