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    Nível da água


    Cheia do rio Negro segue ritmo normal e não causará alagação em Manaus

    Nível da água segue a programação normal e não deverá subir além das marcas históricas registradas em Manaus nos últimos anos

    As previsões apontam uma subida normal no nível das águas | Foto: Divulgação

    Manaus – O nível de subida do rio Negro segue conforme o esperado. A última medição feita nesta terça-feira (20) marcava o total de 24,51 metros. A medida é 2,69 metros menor do que a marca registrada no mesmo dia do ano de 2012, quando ocorreu a cheia histórica em Manaus. Na ocasião, o rio chegou a 27,20 metros.

    Funcionários do Serviço Geológico do Brasil (CPRM) dizem que só é possível fazer uma previsão real no fim desse mês. Após uma cheia constante em parte do primeiro trimestre deste ano, o rio Negro apresentou uma leve queda na marcação neste último fim de semana. Porém, segundo a pesquisadora em geociências do CPRM, Luna Alves, essa oscilação é normal. O pico da cheia acontece em junho.

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    “Se fizermos uma média dentre as medidas deste mesmo dia, em todos os anos registrados, veremos que a marcação atual está dentro da normalidade”, explicou a pesquisadora. 

    Ela também informou sobre a pouca influência do fenômeno climático La Niña, normalmente associado às cheias nos rios amazônicos. Contudo, apesar do fenômeno, a incidência de chuvas nas cabeceiras dos rios, tanto na região do Solimões, quanto nas cabeceiras do meio do Estado, não vai influenciar na medida final da cheia. 

    “Se essas águas chegarem em Manaus em um mês, a cheia final do Rio Negro não será grande”, informou.

    O pesquisador Jochen Schongart é criador do modelo matemático de previsão de cheias do rio Negro
    O pesquisador Jochen Schongart é criador do modelo matemático de previsão de cheias do rio Negro | Foto: Divulgação

    O CPRM opera a rede hidrometeorológica nacional. “São várias estações de medição no país todo e aqui somos responsáveis por operar a rede em Manaus e em Roraima”, explicou a pesquisadora Luna. São feitas visitas aos pontos de coleta de informações e elas são disponibilizadas pela Agência Nacional das Águas (ANA). A população pode acessar os históricos de informações pelo site da Agência.

    Inpa

    Segundo o pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC), Jochen Schongart, criador do modelo matemático de previsão de cheias do rio Negro, a cheia desse ano não causará problemas na cidade ou nas zonas rurais. Schongart afirma que o rio deverá alcançar o nível de 28,38 metros, com uma margem de erro de 30 centímetros, para cima ou para baixo, devendo oscilar entre 28,08 a 28,68 metros.

    No ano passado, o modelo de Schongart estimou a cheia do rio Negro de 29,18m (nível médio com margem de erro de 30 cm para cima ou para baixo) e o rio atingiu a marca dos 29 metros, causando grandes impactos sociais e econômicos. 

    O pesquisador explica que depois de uma série de cheias extremas, o modelo prevê uma cheia acima da média das enchentes históricas. “Com essa previsão dá para ficar tranquilo, porém, é sempre importante acompanhar e monitorar daqui para frente o comportamento do nível da água”, diz Schongart.  A média histórica do rio Negro é de 27,87 metros, com base nos dados que se têm desde 1903.

    Schongart explica que no Pacífico Equatorial, onde as anomalias de temperaturas superficiais, nos últimos meses, tiveram influências no regime de chuva e de cheias, devido às condições de La Niña naquela região.

    “Ou seja, um esfriamento que normalmente traz mais umidade para a Bacia Amazônica. Com isso, as chuvas acima das condições normais e uma cheia pronunciada”, explica o pesquisador. “Porém, pela previsão do modelo, não será uma cheia que causará muitos problemas na cidade ou nas zonas rurais”, pondera.

    Edição: Bruna Souza

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