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    greve geral


    Sede do Governo volta a ser palco de protesto de professores

    Em sexto dia consecutivo de greve, professores dizem ainda aguardar uma resposta que agrade a categoria

    Manaus - Em sexto dia consecutivo de greve geral, vários servidores de escolas públicas do Amazonas chamaram a atenção de quem passou pela avenida Brasil, em frente à sede do Governo, na Zona Oeste, na manhã desta quarta-feira (28). A greve também foi aderida, segundo manifestantes, por 15 mil professores, divididos em 40 municípios no interior do Estado.

    Ao som de marchinhas e paródias em carro de som, a voz uníssona que se ouvia era a do reajuste salarial em 35% para os professores, recurso congelado nos últimos quatro anos dentro da categoria.

    O órgão responsável pela movimentação polêmica instaurada desde o dia 22 deste mês, a Associação dos Professores e Pedagogos de Manaus (Asprom-Sindical), informou, por meio da diretoria financeira, que lamenta a falta de sensibilidade estadual, mas que não vai arredar o pé.

    O governador do Estado, Amazonino Mendes, recentemente anunciou uma proposta de 4% de reajuste salarial para a categoria
    O governador do Estado, Amazonino Mendes, recentemente anunciou uma proposta de 4% de reajuste salarial para a categoria | Foto: Nicolas Daniel Marreco

    Leia também: Vendados e amordaçados, professores protestam contra decisão judicial

    "Apresentamos pela primeira vez as determinações da categoria ao secretário de educação no dia oito de fevereiro. Não entendemos o porquê de mesmo após 48 dias não recebermos uma resposta decente em relação ao nosso salário. É revoltante que o governador Amazonino Mendes ainda insista em uma posição de irresponsabilidade com a educação no Amazonas", informou Lambert Melo, diretor financeiro da Asprom.

    De acordo com a Secretaria Estadual de Educação e Qualidade de Ensino (Seduc) o órgão responsável pela representação oficial da categoria é o Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado do Amazonas (Sinteam). Contudo, a comissão diretiva responsável da greve rebate esta relação política.

    "Desde 2016 oficializamos a antiga associação de professores que tínhamos por causa da visível deturpação sindical em relação aos servidores. O Governo comprou a única representação dos professores e pedagogos e as nossas reivindicações eram simplesmente engavetadas. Não pudemos mais aceitar", informou Melo.

    Ajuste negado

    O governador do Estado, Amazonino Mendes, recentemente anunciou uma proposta de 4% de reajuste salarial para a categoria. Segundo o diretor financeiro da Asprom, esta ação é uma jogada política para tentar amenizar os ânimos de quem trabalha 20 horas semanais com um salário-base de R$1,634, 75.

    Categoria diz que o aumento de 6% proposto pelo Governo não valoriza o trabalho de 20 horas semanais com salário base de R$ 1,634, 75
    Categoria diz que o aumento de 6% proposto pelo Governo não valoriza o trabalho de 20 horas semanais com salário base de R$ 1,634, 75 | Foto: Nicolas Daniel Marreco

    "Sabemos que o Governo tem recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), além de dinheiro do próprio órgão, e não vamos aceitar menos dos 35%. O Governo ainda nem chegou ao limite prudencial, de acordo com a Lei de Responsabilidade Fiscal, que não limita reajustes exagerados na categoria. É um total descaso", afirma.

    A reportagem aguarda um posicionamento da Seduc diante de mais um dia de greve geral com protestos de professores em frente à sede do Governo, na Zona Oeste.

    Sem aulas

    Apesar de inúmeros alunos estarem sem aulas em todo o Estado, os grevistas afirmam que os estudantes não serão prejudicados e que a paralisação seguirá com o amparo legal que lhes é permitido.

    “Sempre repomos as aulas nas escolas e desta vez não é diferente. Os pais e responsáveis dos alunos sabem que somos responsáveis e por isso nos apoiam. Deflagramos a greve geral no dia 16 e instauramos somente no dia 22, com tempo suficiente de o Governo se preparar. Só iremos voltar às salas de aula quando recebermos a certeza de que vamos ter um salário digno e decente. Infelizmente, para termos algo que nos motive, temos que paralisar todas as atividades”, completou.

    Ainda assim, a Seduc afirma que nos últimos dias têm mantido uma negociação limpa e clara com a categoria e que não entende a dureza em que os servidores tratam a situação.

    “Já ouvimos as reclamações dos dois sindicatos e não deixamos de prestar a assistência que podemos para eles”, disse por meio de notas nos últimos dias.

    Represália

    Uma liminar judicial foi expedida pela desembargadora Socorro Guedes nesta terça-feira (27) para impedir a continuação da greve geral no Estado determinando que a Asprom pague, diariamente, R$20 mil com limite de R$400 mil. 

    O sindicato confirmou que já pediu a cassação da liminar e se indigna com a atitude da jurista, causando mais prejuízo à categoria. "Estivemos com exaustiva negociação documentada, além de manter os 30% de funcionamento nas escolas, previsto pela lei. Apesar da multa, não pretendemos nos calar frente à tanto obstáculo. Queremos o nosso dinheiro merecido", terminou Melo.

    Edição: Isac Sharlon

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