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    madeira ilegal


    Apreensões de madeira ilegal revelam prejuízo de bilhões no Amazonas

    Fiscais apreendem madeiras ilegais em grande quantidade em barcos no rio Amazonas

    Conforme o órgão ambiental, de janeiro a março, foram aplicadas R$ 2,4 milhões em multas aos criminosos do meio ambiente no Estado | Foto: Thiago Monteiro

    Manaus - Oitenta e uma pessoas foram multadas, nos três primeiros meses de 2018, pelo Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), por envolvimento em apreensões de madeira clandestina no Amazonas. Conforme o órgão ambiental, de janeiro a março, foram aplicadas R$ 2,4 milhões em multas aos criminosos do meio ambiente no Estado. No começo deste ano, a Polícia Federal e Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) também desarticulou um esquema bilionário que enviava o produto para Europa e Estados Unidos em contêineres.

    O Ipaam destaca que em Manaus, 22 pessoas envolvidas em apreensão irregular de madeira foram multadas. De acordo com o órgão, a capital amazonense foi a cidade que mais teve problemas com esse tipo de situação, seguido do município de Manacapuru (a 68 quilômetros de Manaus).

    Para um ambientalista, que pediu para não ter o nome divulgado, por medo de represálias, as madeiras possuem dois destinos no Estado, sendo que um ocorre nas indústrias de serraria, ou seja, o material ilegal vai parar na construção de casas, empresas no ramo de movelaria, onde se confeccionam bancadas, escrivaninhas e dentre outros objetos.

    “Dependendo do tipo da madeira, ela pode ser muito valiosa. As madeiras mais densas, popularmente chamadas de dura são mais resistentes e as árvores demoram mais para crescer na natureza, por isso valem mais no mercado negro”, disse o especialista.

    Leia também: PF descobre esquema bilionário de exploração ilícita de madeira no AM

    Conforme o ambientalista, enquanto as madeiras duras demoram centenas de anos para aumentarem o diâmetro do seu tronco, as mais moles (chamadas de madeiras brancas) retardam dezenas. Neste cenário, o especialista afirma que as maiores ocorrências acontecem também nas madeiras brancas e alerta sobre os impactos ambientais. “Dependendo de como for a extração das madeiras na floresta, várias espécies vegetais e animais sofrem com o desmatamento. Elas afetam de uma forma ou outra, a vida das pessoas e animais silvestres em vários setores”, destaca o ambientalista.

    O material ilegal vai parar na construção de casas, empresas no ramo de movelaria
    O material ilegal vai parar na construção de casas, empresas no ramo de movelaria | Foto: Arquivo em tempo


    Níveis de degradação

    O especialista em meio ambienta explica que os madeireiros, ao fazerem a extração ilegal das “toras”, costumam obedecer os passos da degradação ambiental, onde ocorre a extração seletiva (de uma determinada espécie), de madeiras nobres e em seguida a retirada de madeiras menos nobres, chegando às madeiras brancas.

    Após isso, vem a extração de lenha (madeira com diâmetros menores), ocorre a produção de carvão vegetal até o desmatamento completo da vegetação, por meio, de queimadas. Segundo o especialista, os impactos refletem diretamente na vida urbana e na região rural. “As principais áreas atingidas são os municípios dentro da região metropolitana de Manaus e a região do sul do Amazonas, sendo que na primeira região, apesar de haver um número menor de desmatamentos, há uma massa populacional bem maior, ou seja, um prejuízo mais concentrado em diversos setores do meio ambiente”, explicou.

    Árvores imaginárias

    A Organização Não Governamental (ONG) Greenpeace, uma das mais conhecidas no mundo por lutar pela preservação ambiental, revelou no último dia 20 de março uma operação em que 586 planos de manejo (licitações para retirada de madeira) foram fraudadas no período de 2013 a 2017 no Pará.

    Isto corresponde, segundo a ONG, a 76,68% do total de planos de manejo emitidos neste tempo na região. A principal atuação dos criminosos é a exploração de ipê, um dos tipos mais raros de madeira no Brasil.

    “Eles (criminosos) multiplicavam até dez vezes o número de ipês existentes no Pará para extrair ilegalmente. Os números apresentados nos documentos eram naturalmente impossíveis, pois a própria ciência determina que não há tantos ipês assim em um só local”, explica o especialista em meio ambiente na Amazônia, Rômulo Batista.

    Após a denúncia, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) foi aplicar vistorias ao local, onde foram constatadas outras irregularidades nas licitações. Segundo a ONG, a exploração indiscriminada pode levar à extinção total do recurso, levando a danos irreversíveis na indústria, na economia e na biodiversidade natural do país.

    “Estamos chamando esse tipo de fraude de árvores imaginárias, pois só existem no papel, para gerar créditos de movimentação de madeira. Estamos denunciando falhas em planos de manejo ao mesmo tempo em que deputados querem flexibilizar o licenciamento ambiental do país, pelo projeto de lei 3.729/2004. Isso enfraqueceria as regras, licenças e facilitaria ainda mais a extração e comércio ilegal de madeira no país”, conclui Batista.

    A principal atuação dos criminosos é a exploração de ipê, um dos tipos mais raros de madeira no Brasil
    A principal atuação dos criminosos é a exploração de ipê, um dos tipos mais raros de madeira no Brasil | Foto: Arquivo em tempo


    A ONG disponibilizou uma plataforma on-line onde qualquer cidadão pode analisar indícios de fraudes em planos de manejo florestal, por meio de dados e imagens de satélite, e alertar órgãos responsáveis, como o Ipaam, Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas), Superintendência da Polícia Federal no Amazonas, Batalhão Ambiental da Polícia Militar e Polícia Civil do Amazonas (PC-AM).

    Delegacia especializada

    No Amazonas, a PC-AM dispõe para fiscalização a Delegacia Especializada em Crimes contra o Meio Ambiente e Urbanismo (Dema). Conforme o delegado Abrahão Serruya, titular da Dema, as zonas mais vulneráveis ao crime de extração e venda ilegal de madeira ocorrem na Zona Norte da capital e redondezas das rodovias federais AM-070 e AM-010.

    “Esses são os locais que nós fazemos mais apreensões. Às vezes, as madeiras ilegais estão em grande quantidade, mas isso não é regra. A única coisa certa é que todas estão prontas para a venda. Pela própria qualidade e quantidade dos itens traficados, acreditamos que esse comércio clandestino aconteça somente no âmbito regional”, destaca o delegado Abrahão Serruya.

    O titular da Dema disse que na maioria das apreensões são descobertas organizações criminosas especializadas no roubo e tráfico de madeira, onde os motoristas contratados são especialmente orientados a não denunciarem o crime. “Infelizmente, os condutores dos caminhões são os mais presos nas operações, enquanto os chefes da quadrilha conseguem escapar. Acreditamos que a pena é muito branda para estes crimes, onde o máximo só chega a dois anos de detenção. Nossas florestas merecem mais que isso, especialmente, as do maior bioma natural do planeta”, afirma o delegado da PC-AM.

    Polícia Federal

    Em janeiro, policiais federais e fiscais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis deflagraram em Manaus, uma nova operação contra a extração ilegal de madeira da floresta amazônica. Batizada de Operação Arquimedes, a ação é o resultado de investigação iniciada há mais de um mês e que já resultou na apreensão de 444 contêineres com madeira ilegal, que seria enviada para comerciantes da Europa, dos Estados Unidos e de outros Estados brasileiros.

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