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    Dia Mundial


    Combatendo o Câncer: histórias de mulheres em tratamento no Amazonas

    Levantamento do Instituto Nacional do Câncer (Inca) aponta que o Estado deve registrar mais de 4,2 mil novos casos de câncer em 2018

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    Manaus - O Amazonas deve registrar até o fim de 2018, 4.240 novos casos de câncer, sendo 1.870 em homens e 2.380 em mulheres. A estimativa é do Instituto Nacional do Câncer (Inca). Para divulgar e conscientizar a população sobre a doença, neste domingo (8) é comemorado o Dia Mundial de Combate ao Câncer. O Em Tempo apresenta histórias de três mulheres que enfrentam o tratamento de câncer em Manaus.

    Segundo a previsão do Inca, o tipo mais incidente em homens será o de próstata. Já nas mulheres, os mais frequentes serão o de colo uterino e o de mama. Cerca de 20 novos prontuários são abertos todos os dias na Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon), incluindo pacientes já diagnosticados e com suspeita da doença.

    Muitas pessoas deixam suas casas e famílias para enfrentar o tratamento na FCecon, que é referência no diagnóstico e tratamento de neoplasias malignas (como são chamados cientificamente os vários tipos da doença) na Amazônia Ocidental.

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    Segundo a previsão do Inca, os tipos mais incidentes  em mulheres serão o de colo uterino e o de mama
    Segundo a previsão do Inca, os tipos mais incidentes em mulheres serão o de colo uterino e o de mama | Foto: Marcely Gomes

    Esse é o caso de três mulheres que vivem em uma casa de apoio, em Manaus. Dona Nonata, Marilene e Vilma enfrentam diferentes estágios da doença. Conheça um pouco da trajetória emocionante dessas pacientes, desde o diagnóstico até o tratamento.

    Em dezembro de 2017, a aposentada Maria Nonata Santos, de 65 anos, mãe de seis filhos, foi diagnosticada com câncer de colo uterino. Nascida em Juruti (PA), atualmente mora em Parintins (município distante 534 km da capital). Ela conta que teve que deixar a família para realizar o tratamento na capital amazonense.

    "Descobri que estava com câncer depois de um sangramento inesperado. Em dezembro do ano passado, entrei em choque. Imagine eu, nessa idade ter esses sintomas? Ainda na minha cidade, a médica constatou o câncer e pediu uma biópsia. Ela informou que a doença estava no começo e tinha grandes possibilidades de cura. Fiz quimioterapia, rádio e braquiterapia. Sofri muito com a rádio, me queimou bastante, mas fiquei curada. O que posso dizer a outras mulheres, é que se cuidem o quanto antes. Hoje sei mais ou menos os sintomas e o que acontece com o corpo da gente. Eu tento repassar para as minhas colegas um pouco da minha experiência, pois não quero que ninguém mais sofra com este mal", enfatiza Maria Nonata com lágrimas nos olhos. Ela  aguarda, ansiosamente, alta médica para retornar à família, e passará a realizar apenas exames anuais para o monitoramento da doença.

    Maria Nonata Santos mora em Parintins e foi diagnosticada com câncer de colo uterino
    Maria Nonata Santos mora em Parintins e foi diagnosticada com câncer de colo uterino | Foto: Marcely Gomes

    Já Marilene Guimarães, de 42 anos, mãe de três filhos, foi diagnosticada com câncer de mama em maio de 2015. Há três anos em tratamento, ela perdeu a mama direita, mas não deixou de lado a esperança de cura por meio do tratamento. A cada quatro meses, ela deixa a cidade de Santarém, no Pará (PA), e viaja até Manaus, onde é submetida a fases do tratamento.

    "Eu trabalhava muito, não me cuidava e nem reparava no meu corpo. Em maio de 2014 senti um caroço no seio, mas não me importei. Somente em 2015, nas férias do trabalho, fui ao médico e ele constatou que eu tinha um grande nódulo, e o exame de mamografia confirmou a doença. Apesar de ter um hospital na minha cidade, o especialista preferiu me encaminhar para Manaus", lembra Guimarães. 

    "Eu fiquei desesperada, porque não conhecia ninguém. No entanto, tive a sorte de ser acolhida quando cheguei nessa cidade. Meus exames e minha cirurgia de retirada da mama foram rápidos. No começo, é claro, fiquei muito abalada, mas hoje as pessoas nem me reconhecem como paciente. Dizem que ando com sorriso no rosto dando a impressão de ser uma acompanhante. Quanto mais rápido você souber da doença, cresce suas chances de cura", descreve a paciente em tratamento, que, desde 2015, não possuí alterações nos exames. 

    Marilene Guimarães é de Santarém (PA), mas mora em Manaus, onde passa por tratamento
    Marilene Guimarães é de Santarém (PA), mas mora em Manaus, onde passa por tratamento | Foto: Marcely Gomes

    Há seis anos, a parintinense Vilma da Silva, de 47 anos, mãe de seis filhos, foi diagnosticada com câncer de colo uterino. Diferente das mulheres anteriores, ela já passou por todos os tratamentos e está prestes a receber alta médica.

    "Eu tinha muita hemorragia, ficava muito doente, indo e voltando para hospital, e sempre diziam que era mioma. Até que um dia descobriram que eu estava com C.A. Após o diagnóstico, os dias foram de muita luta, pensei em desistir, parar o tratamento, mas segui em frente. Agora, eu espero os últimos exames para o médico dar minha alta”, disse Vilma.

    A parintinense, que está contando os dias para voltar para casa, deixa uma mensagem de motivação para outras mulheres, que enfrentam o câncer: “Nunca desista. É dolorido, mas a gente alcança, e eu sou a prova disso", declara.

    Vilma da Silva faz tratamento contra o câncer de colo uterino há seis anos e está prestes a receber alta médica
    Vilma da Silva faz tratamento contra o câncer de colo uterino há seis anos e está prestes a receber alta médica | Foto: Marcely Gomes

    Câncer de colo uterino

    Considerado uma doença 100% prevenível, o câncer de colo uterino, primeiro em incidência entre as amazonenses, recebeu destaque neste mês com o “Março Lilás”, movimento recente no Brasil, que levanta a bandeira da prevenção. A doença tem contado com uma fórmula capaz de erradicá-la em longo prazo. A receita inclui medidas simples, como a vacinação contra o vírus HPV (Papiloma Vírus Humano – causador desse tipo de neoplasia maligna), o uso do preservativo durante as relações sexuais e a realização anual do preventivo (Papanicolau), a partir do início da vida sexual.

    “O processo educativo, envolvendo as escolas públicas e privadas, e o informativo, abrangendo pais e responsáveis, é de extrema importância para que consigamos sensibilizar a população sobre a necessidade de se combater o HPV e, consequentemente, o câncer de colo de útero. Nesse contexto, campanhas como o Março Lilás e Outubro Rosa são essenciais, já que ambas trabalham a temática de prevenção a esse tipo de neoplasia maligna no Amazonas”, destacou a ginecologista Mônica Bandeira de Melo, da FCecon.

    O câncer de colo uterino se desenvolve por meio de lesões ocasionadas pelo HPV e que não são tratadas na fase pré-maligna. O vírus também é considerado um fator de risco para os cânceres de pênis, garganta e ânus.

    Os tratamentos indicados, dependendo do estadiamento da doença (extensão), podem ser cirúrgicos, de quimioterapia ou radioterapia. Em parte deles, a indicação é para o tratamento associado, incluindo duas ou mais modalidades das citadas acima. O tratamento é ofertado pela FCecon.

    Melhorias para a FCecon

    A FCecon receberá melhorias na estrutura em 2018. Entre as medidas previstas, ainda, para o primeiro semestre deste ano, estão: a ampliação no número de leitos, a retomada da obra de expansão da Radioterapia (feita em parceria com o Governo Federal), a instalação do Multileaf (acessório que permitirá o aumento da oferta de radioterapia na Fundação), a implantação do protocolo de Manchester para classificação de risco no Pronto Atendimento Hospitalar, a readequação de fluxos e protocolos, além de investimentos milionários para a aquisição de quimioterápicos de alto custo usados no combate ao câncer.

    Ainda há o trabalho de fortalecimento dos setores de prevenção e de ensino e pesquisa da unidade, através de uma intensa programação que inclui campanhas voltadas à sensibilização da população para os fatores de risco do câncer e o desenvolvimento de estudos que buscam levantar o perfil do paciente oncológico na região. Só no mês de março, a FCecon avaliou 35 resultados parciais de pesquisas sobre o câncer.

    Edição: Mara Magalhães 

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