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    Suspeita


    Retorno de 'Garrote' com 'lista da morte' amedronta presidiários do AM

    A informação do retorno do detento foi confirmada pela Seap. Familiares temem que novo massacre possa ocorrer nos próximos meses

    CDPM fica nas proximidades do Compaj. | Foto: Divulgação

    Manaus - Pouco mais de um ano após um dos maiores massacres em penitenciárias do Brasil e o maior do Amazonas, o clima de insegurança e medo volta a assombrar presos, familiares de detentos e agentes das unidades prisionais do Estado. E a resposta para todo esse pânico, é o retorno de um dos principais líderes do massacre que resultou nas 56 mortes em 2017, Márcio Ramalho Diogo, o "Garrote", de 35 anos

    Uma familiar de detento que, por temer a própria segurança, preferiu não ser identificada, afirmou ao Em Tempo que, há duas semanas está ocorrendo uma agitação incomum no Centro de Detenção Provisória Masculino (CDPM). Ela informou que Garrote teria voltado para Manaus a mando de líderes de uma facção criminosa e estaria organizando uma nova rebelião. Segundo a mulher, ele teria uma lista passada pelo comando da referida facção, com os nomes dos que deveriam morrer.

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    A fonte disse ainda que a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) tenta abafar a verdadeira situação que ocorre no interior da unidade prisional, já que presidiários passam outras informações aos parentes. “Por mais que eles estejam presos, notícias apreensivas chegam para nós, que estamos aqui fora. Isso tem causado muita preocupação", disse.

    Ainda de acordo com a denúncia feita ao Em Tempo, detentos do pavilhão 2 do CDPM estão sendo transferidos para outros locais, para evitar que sejam mortos em uma possível rebelião. “Muitos dos que estão presos nesse pavilhão não pertencem a nenhuma facção, por isso as facções estão querendo forçá-los a tomar partido de um dos lados. Os que não se decidem, são ameaçados de morte", disse a mulher.

    Outro ponto denunciado diz respeito à visitas irregulares feitas a alguns detentos que estão na unidade prisional. A entrevistada disse que, de acordo com a "importância" do preso, os visitantes recebem tratamento diferenciado. “Tem gente que entra no presídio sem cadastro. Basta dizer o nome do preso que vai visitar e pode passar direto”, conta. 

    A jovem fala que essas irregularidades são cometidas diariamente no centro de detenção, porém, familiares não denunciam por medo de represálias. “Vemos cada coisa que nos deixa de boca aberta, mas não podemos falar nada porque nosso parente que está lá dentro pode pagar", disse.

    Seap

    A Seap confirmou o retorno de Garrote, porém, nega qualquer movimentação a respeito de motins ou rebeliões nas unidades prisionais do Amazonas. Em nota, o órgão se pronunciou afirmando que a secretaria está acompanhando a movimentação no CDPM e nas demais unidades, por meio do Departamento de Inteligência Penitenciária (Dipen), adotando medidas preventivas para garantir a segurança e ordem nos presídios do Estado.

    OAB

    O presidente do Conselho Estadual de Direitos Humanos e membro da Comissão Nacional de Direitos Humanos da OAB, Glenn Freitas, explicou que um dos grandes problemas enfrentados com facções dentro dos presídios se deve a disputa por alistamento de presos. O ideal explica ele, seria criar ambientes separados para alojar presos de diferentes facções.  

    O membro da Comissão Nacional de Direitos Humanos da OAB afirmou não ter notado alterações de comportamento entre os detentos, porém, não há como afirmar que a ordem está completamente estabelecida. “Um presídio é um barril de pólvora, não temos, nunca, como afirmar com 100% de certeza que nenhuma alteração ocorrerá”, disse.


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