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    Greve dos Rodoviários


    Tropa de choque tenta conter manifestantes na Zona Leste de Manaus

    Parte do Terminal 4 e vários ônibus foram danificados na manhã desta segunda-feira (4) após uma paralisação surpresa de rodoviários


    Manaus - Após diversos populares jogarem pedras e atear fogo em um ônibus expresso da linha 560 na avenida Grande Circular, na Zona Leste de Manaus, em torno das 8h desta segunda (4), o Batalhão de Choque da Polícia Militar (PM) foi acionado para conter o ato. O vandalismo aconteceu após os coletivos pararem no Terminal 4, próximo à Bola do Produtor, devido ao sétimo dia consecutivo de greve dos rodoviários. 

    Uma viatura do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) também foi acionada. A equipe conteve o fogo antes que as chamas se espalhassem pelo veículo. Em seguida, uma pequena multidão se aglomerou em frente à barricada como ato de revolta.

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    De um lado, pedras, garrafas de vidro, pedaços de pau e cones eram atirados contra a polícia. Enquanto isso, o Batalhão de Choque tentava conter o início do tumulto com disparos de armas de efeito moral, bombas de gás lacrimogêneo, cassetetes e viaturas da PM.

    Ao menos dez homens, ainda não identificados, foram presos pelo ataque direto à polícia. O coronel Vinícius informou que, em meio ao protesto da população frente à situação caótica do transporte urbano na cidade, algumas pessoas aproveitam para incitar a violência.

    "Alguns vândalos sempre ficam no meio do tumulto, procurando piorar ainda mais a situação. Pessoas assim são devidamente neutralizadas pela frente de ataque e detidas nas viaturas para serem conduzidas à delegacia", falou o coronel.

    Guerra na Bola do Produtor

    Após o confronto na avenida Grande Circular, o tumulto se estendeu à Bola do Produtor - que liga as avenidas Itaúba, Autaz Mirim e Camapauã, entrada do Terminal 4. Vândalos se reuniam nas quatro avenidas que ligavam a rotatória e juntavam pneus e cones de sinalização para queimarem.

    O Batalhão de Choque montou barricada por cerca de uma hora, para conter o tumulto. Um segundo veículo foi apedrejado dentro de um posto de gasolina, na entrada da avenida Autaz Mirim. 

    O trânsito foi afetado fortemente e paralisado em muitos momentos nas quatro avenidas pela PM. Logo após, fiscais do Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização de Trânsito (Manaustrans) assumiram os entornos da rotatória para o reforço. Entre choros e gritos, uma dona de casa, que preferiu não se identificar, disse que pegaria um ônibus no terminal para visitar a filha doente.

    "Minha filha está com uma doença terminal e iria visitá-la agora, mas soube que o terminal está fechado. Não sei o que fazer com esta situação", afirmou em prantos a idosa, por volta das 9h30, em entrevista.

    Paralisação já dura 7 dias 

    No sétimo dia consecutivo de greve dos rodoviários, mais uma vez milhares de passageiros foram às paradas e terminais nas primeiras horas desta segunda-feira (4) e não tiveram os serviços de transporte público à disposição da população. Desta vez, cerca de 70% da frota das nove empresas concessionárias saíram das garagens, mas ficaram paradas logo em seguida dentro dos terminais da capital.

    Segundo o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram), 844 veículos saíram às 4h das empresas - percentual próximo a 70% de toda a frota na cidade - mas, quando os motoristas chegaram aos terminais de linha da cidade, decidiram enfileirar os coletivos em linha, impedindo a circulação do transporte público.

    A Justiça Amazonense já deferiu multa de mais de R$300 mil por hora de paralisação irregular. Segundo o Sinetram, a multa chega a quase R$20 milhões, ao todo.

    Edição: Isac Sharlon

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