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    Transporte Público


    Ônibus: tumulto em Manaus deixa crianças de duas escolas em pânico

    Protesto dura mais de duas horas em trecho de grande tráfego na cidade

    Manaus - Durante o confronto desta manhã (4) entre manifestantes e o Batalhão de Choque da Polícia Militar (PM), na Bola do Produtor, Zona Leste, centenas de crianças entraram em pânico dentro de um complexo escolar, situado no entorno da rotatória. Relatos de pessoas pulando o muro e jogando pedras foram registrados por funcionários do local.

    O complexo educacional abriga dois Centros Municipais de Educação Infantil (Cmeis), que funcionam em horário integral de aula. Uma merendeira, que preferiu não ser identificada, disse que aproximadamente mil crianças estavam em aula quando a série de tumultos aconteceu.

    Algumas crianças ficaram em estado de choque no momento do tumulto
    Algumas crianças ficaram em estado de choque no momento do tumulto | Foto: Ione Moreno

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    "Ouvimos tiros de armas, pessoas gritando e vimos muita fumaça preta pela janela da escola. As crianças ficaram desesperadas e as deixamos dentro das salas. Vim aqui na entrada e vi gente pulando o muro, tentando se proteger dos tiros. Foi muito assustador, disse a funcionária.

    Houve confronto entre a polícia e moradores
    Houve confronto entre a polícia e moradores | Foto: Ione Moreno

    Confronto na Bola do Produtor

    Além das unidades de ensino trancadas, vários estabelecimentos comerciais também foram obrigados a fechar as portas para evitar depredação. Populares que estavam nas avenidas Grande Circular, Itaúba, Autaz Mirim e Camapuã, que circundam a rotatória, tiveram que entrar nas lojas e agências bancárias para buscar proteção.

    Ao menos quatro veículos foram incendiados e diversos tiveram os vidros quebrados. Policiais militares da Tropa de Choque tentam conter os ânimos da população e usaram bombas de efeito moral, balas de borracha e gás lacrimogêneo.

    Ao menos quatro veículos foram incendiados e diversos tiveram os vidros quebrados.
    Ao menos quatro veículos foram incendiados e diversos tiveram os vidros quebrados. | Foto: Ione Moreno

    A manifestação teve início após uma nova paralisação surpresa de rodoviários contrariando decisões judiciais no Terminal 4, na avenida Camapuã, e em diversos terminais de linha. A categoria do transporte público exige o pagamento do dissídio 

    Na Câmara Municipal de Manaus (CMM), representantes do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviários de Manaus (STTRM) protocolaram um pedido para instaurar uma Comissão Parlamentar de Inquérito CPI. No local está o presidente do sindicato, Givancir Oliveira.

    Gás lacrimogêneo e spray de pimenta

    Para tentar conter o tumulto dos manifestantes na avenida Autaz Mirim, na Zona Leste, policiais do Batalhão de Choque da Polícia Militar lançaram bombas de gás lacrimogêneo e spray de pimenta no grupo. A ação surtiu efeito e dispersou os manifestantes, porém, funcionários que trabalham próximo ao local e pessoas que passavam de carro na hora em que a ação foi feita também foram atingidas.

    Um homem que passava de carro com o vidro aberto e estava com a filha de cinco anos foi atingido pelos gases, foi necessário estacionar rapidamente no acostamento da avenida, para socorrer a criança que chorava muito. "Fui deixar minha sogra no FCecon e estava voltando para casa quando fomos atingidos, isso não se faz, é terrorismo", lamentou o condutor, enquanto segurava a filha aos prantos. 

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