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    Abandono


    Sem administrador, Terminal Rodoviário de Manaus continua abandonado

    A estrutura precária do local é motivo de muitas reclamações de usuários. Desde 2012, o espaço público segue abandonado e sem definição sobre o órgão que assumirá a responsabilidade

    Cerca de 34.600 mil passageiros passam pelo terminal todos os meses com destino a 15 municípios do AM | Foto: Ione Moreno

    Rodoviária de Manaus está abandonada e 5 milhões devem ser gastos com a reforma do prédio | Autor: TV Em Tempo

    Manaus - Com administração transferida da Prefeitura de Manaus para o Governo do Estado durante a gestão do ex-prefeito Amazonino Mendes, o impasse para reformar o Terminal Rodoviário Engenheiro Huascar Agelim, situado na avenida Djalma Batista, no bairro Flores, Zona Centro-sul, caiu de volta no colo do atual governador tampão.

    A estrutura precária do local é motivo de muitas reclamações de usuários. O piscicultor Francisco Silva da Costa, de  60 anos, trabalha na comunidade Rio Urubu, em Itacoatiara, e pega ônibus pelo menos duas vezes por mês na rodoviária.

    Ao comparar o terminal com os de outras cidades, o idoso denuncia a falta de vontade pública para reestruturar o local.

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    “Em Rio Branco, no Acre, que é uma cidade bem pequena, a rodoviária é bonita, bem arrumada, organizada. Aqui em Manaus, que é uma cidade grande, não tem nada. Isso é uma vergonha para os políticos daqui que não se empenham em reformar a rodoviária”, disse o trabalhador.

    Outro problema apontado pelos usuários é com relação aos banheiros do local, cuja utilização é paga. A limpeza é feita por comerciantes do terminal que cobram R$ 1 pelo uso aos passageiros.

    Para a dona de casa Raimunda Souza Bezerra, de 40 anos, a cobrança no uso dos sanitários é um problema. A usuária mora em Itacoatiara, acompanha o marido em tratamento médico.

    A dona de casa Raimunda Souza Bezerra passa pela rodoviária todos os dias e reclama por ter que pagar o uso do banheiro
    A dona de casa Raimunda Souza Bezerra passa pela rodoviária todos os dias e reclama por ter que pagar o uso do banheiro | Foto: Ione Moreno

    “Eu venho somente com a passagem dada pelo município, não é sempre que tenho dinheiro para pagar o uso do banheiro ou mesmo para comprar uma água porque também não tem bebedouro público aqui”, relatou a passageira que passa pela rodoviária toda semana.

    A rodoviária é um dos principais pontos de entrada e saída de Manaus. Cerca de 34.600 mil passageiros passam pelo terminal todos os meses com destino a 15 municípios do interior do Amazonas, conforme dados da Agência Reguladora de Serviços Públicos (Arsam).

    O terminal também recebe usuários dos transportes interestaduais e internacionais que acessam a cidade pela BR-174 - que liga a Manaus a Boa Vista, em Roraima, que não são contabilizados pelo órgão.

    Promessa de reforma

    Os comerciantes que atuam na rodoviária conversaram com a reportagem, mas pediram para não terem seus nomes publicados na matéria, pois não querem ter prejuízos com declarações negativas aos atuais administradores.

    Segundo eles, apesar de a SNPH estar no terminal desde o ano passado, só há dois meses decidiram tomar a frente dos cuidados do espaço público.

    Desde que o prédio foi deixado pela Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTU), durante a gestão do ex-prefeito Amazonino Mendes, o espaço ficou sendo gerido pelos permissionários que trabalham no local.

    “Nós conseguimos manter apenas a estrutura funcionando, mas não temos como reformar o andar de cima. A parte de baixo foi pintada este ano graças a uma cota que fizemos e um dos comerciantes pintou tudo”, relatou o permissionário.

    O andar de cima da rodoviária está completamente abandonado e fica fechado para restringir o acesso de passageiros
    O andar de cima da rodoviária está completamente abandonado e fica fechado para restringir o acesso de passageiros | Foto: Ione Moreno

    A poucos dias da Copa do Mundo de 2014, o terminal passou por uma reforma que compreendeu apenas pintura das paredes, pequenos reparos e melhorias no asfalto. Mas, para os passageiros e comerciantes que atuam no local, é preciso uma grande reforma estrutural para resolver os problemas enfrentados diariamente por eles.

    “A SMTU abandonou a rodoviária, depois do decreto do Amazonino, eles saíram daqui antes do natal como se estivessem fugindo. Depois disso, nós que tomamos conta e fizemos tudo que dava para manter o funcionamento. A SNPH veio para cá, mas não melhorou em nada”, contou outro comerciante que atua no terminal há 25 anos e acompanhou o descaso com o local nos últimos anos.

    SNPH

    O supervisor da SNPH, Miguel Tavares, informou que o órgão enviou um projeto de reforma à Casa Civil do Governo do Estado e aguarda o início das obras para o mês de setembro.

    “O projeto inclui a reforma na área ocupada pelos passageiros e um mini shopping no andar de cima com ampliação do número de boxes comerciais e uma loteria para atrair mais clientes além dos usuários”, informou.

    Desde que foi abandonada pela SMTU, a rodoviária segue sem reforma e manutenção
    Desde que foi abandonada pela SMTU, a rodoviária segue sem reforma e manutenção | Foto: Ione Moreno

    O supervisor relatou, ainda, que enquanto aguardam a reforma por parte do Governo, o grupo de administradores realiza cota de R$ 50 entre os 18 permissionários, 12 ambulantes e as sete empresas de transporte para preservação do terminal.

    Entre os serviços pagos com o dinheiro arrecadado está manutenção da caixa de força que devido ao desgaste causa problemas frequentemente. "Toda vez que falta energia temos que pagar R$ 500 para um técnico religar a energia", disse. 

    Apesar de necessária, o projeto de reforma causa receio aos trabalhadores que temem perder o espaço onde muitos atuam há décadas. “A gente não conhece esse pessoal que está aí e nunca fez nada. Agora eles aparecem com uma reforma, temos medo de depois privatizarem os quiosques e nós, que estamos aqui há anos, teremos que sair”, disse o comerciante.

    Impasse sobre administração

    Em 2012, o então prefeito Amazonino Mendes repassou a tutela da Rodoviária de Manaus para o Governo de Omar Aziz. Pouco tempo após a publicação do decreto 2.050 no Diário Oficial do Município (DOM), a Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTU) se retirou do local onde esteve por 32 anos.

    O local está deteriorado
    O local está deteriorado | Foto: Ione Moreno

    Sem um administrador oficial e com salas vazias, a rodoviária passou a ser ocupada pela Superintendência Estadual de Navegação de Portos e Hidrovias (SNPH). A autarquia ficou sem sede depois que perdeu a concessão do Porto de Manaus em 2016. Entretanto, sem amparo jurídico para tomar a gerência, a manutenção do terminal passou a ser feita pelos permissionários.

    No mesmo ano, o ex-secretário de administração da Secretaria de Administração (Sead), Evandro Melo, chegou a anunciar que o Estado estava elaborando um projeto de lei, que seria enviado à Assembleia Legislativa (Aleam), para que a SNPH tomasse juridicamente a responsabilidade pelo espaço. O titular disse ainda que a Seinfra estudava como seria feita a restauração do local.

    Segundo informações da SNPH, o prédio deve ser desocupado ainda este ano. A autarquia será transferida para antigo prédio da Defensoria Pública, no Centro, depois que for feita uma reforma no espaço.

    Administrador segue indefinido

    Em nota, a Secretaria de Comunicação do Estado (Secom) informou que ainda não há uma decisão sobre a questão da administração da Rodoviária de Manaus e a reforma aguarda a conclusão do processo licitatório. “A SNPH está fazendo um levantamento dos custos da revitalização da rodoviária para que o Governo possa licitar o serviço”, diz a nota.

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