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    Denúncia


    Pacientes renais pedem socorro por demora em tratamentos no AM

    O descaso e a má administração da saúde pública é sentida por pacientes renais crônicos que correm risco de morte por ter dificuldades para realizarem os tratamentos corretamente

    As vítimas que dependem do tratamento temem perder a vida pela demora excessiva | Foto: Divulgação

    Manaus - Paciente renal crônica, a aposentada Maria Lindalva Pereira de Souza, de 62 anos, precisa urgentemente fazer sessões de diálise três vezes por na semana, por recomendação médica. No entanto, Maria tem tido grande dificuldades para receber o tratamento nos hospitais públicos do Amazonas, o que foi alvo de denúncia dos familiares ao EM TEMPO.    

    De acordo com a filha da aposentada, a administradora Ligia Souza Costa Leda, de 42 anos, Maria já é paciente renal há algum tempo, mas em 1º de agosto deste ano, Maria deu entrada em estado grave no Hospital e Pronto Socorro Delphina Aziz, onde foi constatado que a paciente precisava dali por diante, realizar diálise três vezes por semana.   

    “No dia da internação foi feita a diálise e no dia 7 de agosto o médico legista deu o encaminhamento para a gente procurar a Susam. No dia 10 de agosto demos entrada na Suam e desde lá estamos aguardando. Ela tem passado muito mal, porque precisa dialisar com frequência”, disse Ligia. 

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    Ligia contou ainda que enquanto aguardam por uma solução definitiva, tem que levar a mãe para o Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto, e meio que “obrigar eles (equipe médica), a realizar a diálise, porque o potássio da paciente fica alto e os médicos tem que encaixar Maria na emergência. 

    “Hoje ela está com um cateter no pescoço, por onde faz a diálise. Ela voltou a ser internada na semana passada no Delphina por complicações, tanto pela falta da diálise, quanto por um processo infecioso, por conta do cateter que está há muito tempo no pescoço dela”, explicou a filha. 

    A administrador disse que já fez denúncia no Ministério Público do Estado do Amazonas (MPE), na ouvidoria da Susam, mas infelizmente sem nenhum sucesso. “Enquanto isso mamãe continua batalhando. Ligo para a Susam, dizem que não tem vaga, que tem que aguardar, sendo que a mamãe não consegue aguardar mais”, disse.

    Ligia disse ainda que quando recorre ao HPS 28 de Agosto, a mãe espera quatro horas para realizar o tratamento. “E não é só ela, tem vários pacientes renais que estão no mesmo estado, e não vamos ficar calados. Estas pessoas não podem esperar, eles podem morrer por isso. Pessoas que estão desde maio aguardando e acabam aceitando a omissão do estado, não dá, é um absurdo isso”, completou. 

    Serviço precário

    A família conseguiu agendar uma sessão para a última segunda-feira (17), também no HPS 28 de Agosto. “Chegando lá, às 8h, são duas máquinas e tinham três pessoas para dialisar. A médica, coitada, teve que ir para o critério de idade e de urgência, e minha mãe acabou ficando e uma senhora de Manacapuru foi dialisar 1h da madrugada. Um absurdo”, relatou. 

    Após fazer uma pesquisa do preço dos tratamentos particulares, Liígia disse que apenas a primeira sessão de diálise custa R$ 1,2 mil e as outras R$ 400.  Já a fístula (outra forma de tratamento) mais em conta que encontrou, custa R$ 2 mil. 

    Lígia também deu entrada com um pedido no Hospital Francisca Mendes para colocar fazer a fístula em Maria, no dia 30 de agosto, mas ainda não teve retorno. Outra solicitação feita na Susam por uma vaga em uma clínica renal também não foi apresentada nenhum retorno.

    Susam

    Por meio de nota a Susam informou que acaba de assinar contrato com a Clínica Pronefro para mais de 200 vagas de hemodiálise, para reforçar o atendimento na rede estadual de saúde. Outras 150 vagas estão em fase de contratação  com o hospital  Beneficente Portuguesa e estarão disponíveis em breve para atender a demanda da rede pública no Estado.

    A nota destaca ainda que a secretaria também está em vias de pactuação para implantação do serviço de diálise peritoneal, procedimento feito via cateter, que não utiliza máquina de diálise, e que, portanto, pode ser realizado em casa. Este serviço será implantado para pacientes que moram no interior do Estado e que não precisarão vir para a capital.

    As medidas, de acordo com a Susam, estão inseridas no Plano Estadual de Atenção ao Paciente com Doença Renal Crônica, desenvolvido pela atual gestão da Susam, no qual estão inseridas outras ações, como a implantação de dois ambulatórios pré-dialíticos, para acompanhamento dos primeiros estágios da doença renal, antes que  evolua para a fase crítica, que necessita de diálise ou transplante, além da retomada, a partir de novembro,  dos transplantes de rins.

    O procedimento será feito no Hospital e Pronto-Socorro da Zona Norte que está sendo preparado para  começar a funcionar com sua capacidade plena. Serão priorizadas as pessoas que estão em fila de espera do procedimento. 

    O Plano também prevê a pactuação com os municípios para que deem sua  contrapartida por meio do fortalecimento da atenção básica, para  melhorar a assistência ao paciente hipertenso e diabético, garantindo, dessa forma, o retardamento de complicações renais.

    A direção do Hospital Francisca Mendes informou que o procedimento da paciente está agendado e que entrara em contato com a mesma para avisar a data. 

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