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    Comunidade


    Barranco desmorona e ameaça levar casas no Cidade de Deus

    Moradores temem que casas que ficam na beira de barranco desabem e pedem ajuda das autoridades competentes

    Casas construídas na beira do barranco correm o risco de desabarem | Foto: Kennedson Paz

    Manaus - Por conta das fortes chuvas e problemas de infraestrutura, moradores da rua Corinthians, no bairro Cidade de Deus, Zona Norte de Manaus, temem que diversas casas próximas a um barranco desmoronem.

    Na manhã desta terça-feira (31), moradores da região procuraram ajuda do programa “Comunidade”, da WEB TV EM TEMPO, para pedirem apoio das autoridades para que haja um auxílio, pois estão em situação de risco iminente.

    A dona de casa Maria José da Silva Ventura, de 44 anos, informou que há 22 anos mora na região e teme que o patrimônio seja destruído. No total, sete pessoas integram a família dela.

    “A maioria dos meus vizinhos já saiu das casas deles, mesmo sem auxílio. Eu estou muito preocupada, caso essas casas próximas ao barranco caiam, a minha também ficará comprometida. Falta estrutura para a água que escorre do bueiro. Estou vendo a hora perder tudo”, desabafou a dona de casa.

    José Nonato Silva, aposentado, de 84 anos, também conversou com a equipe de reportagem e desabafou. Ele mora sozinho e convive com a situação de risco há 4 anos.

    Moradores temem que o pior aconteça
    Moradores temem que o pior aconteça | Foto: Kennedson Paz

    “É só eu e Deus. Desde que comprei essa casa os problemas se repetem. Já arrumei como podia, mas além do desmoronamento do barro, uma árvore ao lado da minha casa pode cair e destruir tudo. Eu já trabalhei muito, mas com 84 anos não posso mais trabalhar”, explicou seu José.

    Além disso, o aposentado falou que equipes da Defesa Civil já foram ao local, mas não houve mais informações sobre a situação dos moradores.

    “Eles vieram aqui, olharam, tiraram algumas medidas, mas não voltaram. Um engenheiro que veio também falou para não sairmos daqui e que aguardássemos um auxílio das autoridades”, disse.

    O risco de tudo desmoronar também assusta a dona de casa Samara Hayden, de 46 anos, que há 8 anos mora na região.

    “Esse problema começou no final de 2019 e foi se agravando cada vez mais. Temos medo de morrer aqui e estamos correndo esse risco. Se eu tivesse condições de comprar uma casa em outro lugar já teria comprado, o dinheiro que tinha na época só dava para comprar nesse bairro. Ficamos todo tempo em alerta e quando chove à noite não dormimos, pois, o pior pode acontecer”, explicou Samara.

    A dona de casa informou que, por conta do risco, a mãe dela, uma idosa de 65 anos e o irmão especial de 31 anos, precisaram sair da casa.

    A situação no local fica pior durante o período de chuva
    A situação no local fica pior durante o período de chuva | Foto: Kennedson Paz

    “Minha mãe e meu irmão tiveram que ir para Boa Vista por conta do risco. Compramos as coisas com grande dificuldade e perder tudo de uma hora para outra é muito triste”, finalizou a mulher.

    A dona de casa Rosangela Santos, de 47 anos, disse, que depois de 19 anos, precisou abandonar a casa dela.

    “Não posso arriscar a vida da minha família. Comigo moram oito pessoas, tenho quatro netos e fico muito triste com tudo o que está acontecendo. Agora estou morando de aluguel e não tenho dinheiro para pagar. O que queremos é uma ajuda”, lamentou Rosangela. 

    Ainda segundo a moradora, o pedido de ajuda foi feto há seis meses, quando o problema ainda estava no começo, mas até agora não houve resposta.

    “Esse problema não estava tão grave quanto agora. Chamamos a Defesa Civil e protocolamos o documento no dia 4 de fevereiro, na época apenas a parte de baixo apresentava problemas”, ressaltou a dona de casa.

    Segundo os moradores, a Defesa Civil e a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf) realizaram visitas no local, mas não deram prazo para começar os trabalhos.

    “Agora estamos saindo de nossas casas e pedindo favores para outros vizinhos. No aluguel, quando a gente entra, tem que pagar. Graças a Deus tem pessoas de bom coração que nos ajudam”, desabafou Rosangela.

    A reportagem entrou em contato com a Seminf e a Defesa Civil sobre a situação na região e aguarda uma reposta. 

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