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    Aulas presenciais


    Volta às aulas em Manaus divide opinião de pais e educadores

    O anúncio do governador do Amazonas de que as aulas da rede estadual voltam no dia 10 de agosto fez a população refletir sobre as medidas de segurança contra a Covid-19

    as aulas na rede particular retornaram no início de julho
    as aulas na rede particular retornaram no início de julho | Foto: Divulgação Sinepe

    Manaus- O assunto que movimentou as rodas de conversa da população amazonense nesta semana,  foi a notícia do retorno às aulas presenciais da rede pública de ensino em Manaus, que deverá ser no dia 10 de agosto. O anúncio foi feito pelo governador Wilson Lima, no último 28 de julho e foi enfatizado que a voltas das atividades nas escolas seguirá um rígido protocolo de proteção e combate ao novo coronavírus.

    O Em Tempo foi às ruas de Manaus, para ouvir a opinião da população sobre o assunto. Há quem seja a favor e contra a volta às aulas.

    | Foto: Rogério Barros/ EM TEMPO

    O estudando do 2º ano do ensino médio, Cliven Lima, tem 17 anos e para ele, as aulas já deveriam ter começado. “Sou a favor. Eu estava estudando na Escola Estadual Manoel Rodrigues de Souza, quando começou a pandemia. Mas a situação aqui em Manaus está bem melhor, quase acabando esse vírus aqui. O segredo é se prevenir. Ninguém aguenta mais estar parado por causa disso. Meu medo é perder o ano por conta disso”, defendeu. *Opinião registrada com autorização dos pais

    Opinião de mãe

    Adriane Leal é dona de casa e cuida em tempo integral das  duas filhas, uma com três anos e a outra de seis anos. Esta última, estuda na rede pública estadual de ensino. Contra o retorno das aulas, a mãe teme pela segurança da família e acredita no poder da prevenção.

    Contra o retorno das aulas, a mãe teme pela segurança da família e acredita no poder da prevenção.
    Contra o retorno das aulas, a mãe teme pela segurança da família e acredita no poder da prevenção. | Foto: Rogério Barros/ EM TEMPO

    “A pandemia não acabou, ainda está forte em Manaus. E isso pode prejudicar, não apenas a saúde das crianças, mas de toda uma família. Se de fato as aulas retornarem na próxima semana, elas já sabem, não vai voltar. Esse ano será perdido, infelizmente, mas é melhor prevenir. Tenho medo porque essa doença é silenciosa, ninguém sabe quem está ou não doente”, opinou.

    Ato de irresponsabilidade

    Eliana Alves, é contra o retorno das aulas, por enquanto.
    Eliana Alves, é contra o retorno das aulas, por enquanto. | Foto: Rogério Barros/ EM TEMPO

    A auxiliar de serviços gerais, Eliana Alves, é contra o retorno, para ela, esse é um ato de irresponsabilidade. “Em tempo de pandemia, colocarmos as crianças em escola é colocar em risco a vida delas. Crianças não tem a mesma noção de adultos. Ninguém da minha família pegou essa doença porque nos cuidamos muito bem e seguimos todas as medidas de prevenção, e além disso fomos protegidos por Deus”, contou Eliana.

    Ano escolar perdido

    rogério diz ue este ano escolar está perdido
    rogério diz ue este ano escolar está perdido | Foto: Rogério Barros/ EM TEMPO

    A opinião do operador de empilhadeira, Crisostenes Gama é simples: Não! Durante a entrevista, Gama afirmou: “Para falar a verdade sou contra o retorno. Terminou o mês de julho e se eu fosse autoridade governo ou da prefeitura, eu encerraria as aulas deste ano e deixaria apenas para próximo ano. Esse foi um ano perdido praticamente, as crianças ou qualquer outro estudante não estão aprendendo pela a internet o que poderiam aprender de maneira presencial”, defendeu.

    Criança como vetor

    Mauro Silva, já terminou os estudos, mas acredita na importância deles para um bom profissional. Morador do bairro Armando Mendes localizado na Zona Leste da capital amazonense, é contra e explica o motivo.

    Mauro acredita que as crianças podem passar o vírus a frente, mesmo que não apresente os sintomas
    Mauro acredita que as crianças podem passar o vírus a frente, mesmo que não apresente os sintomas | Foto: Rogério Barros/ EM TEMPO

    “Na minha opinião, esse não é o momento de retornar as aulas. Precisamos pensar na saúde de todos, inclusive das crianças. Não acho certo as escolas voltarem a funcionar. Todos aqueles que eu já conversei sobre o assunto são contra. As crianças podem até não pegar a doença mas podem transmitir. Criança corre, as máscaras podem cair, tudo isso é muito arriscado”, falou o morador.

    Posicionamento do Sinteam

    A Presidente do Sindicato do Trabalhadores em Educação do Estado do Amazonas, Ana Cristina Rodrigues, em nota respondeu o questionamento do Em Tempo sobre o posicionamento da categoria quanto o assunto. De acordo com Ana Cristina, os educadores estão receosos com o retorno e temem pela saúde de todos que trabalham no âmbito escolar.

    “Os trabalhadores da educação do Estado do Amazonas representado pelo Sinteam, não se sentem seguros nem a vontade para retomar as aulas presenciais no momento. Ele preferem ficar nas aulas on-line e tele-aulas. Com isso objetivam evitar um novo contágio do coronavírus com aglomerações dos alunos e dos trabalhadores. É preciso ter muita cautela, nesse momento para se falar em retorno”, declarou a presidente. 

    Prefeitura não confirma retorno

    Em nota, a Secretaria Municipal de Educação (Semed), informou que está em fase de elaboração do plano para o retorno das aulas presenciais e assim que ele for concluído será divulgado.

    A secretaria destacou, ainda, que o retorno das aulas presenciais será conciliado com as deliberações dos órgãos de saúde e levará em consideração o mapa epidemiológico da cidade. Para tanto, um Grupo de Trabalho (GT) intersetorial foi criado, com participação das áreas de saúde, educação e assistência, a fim de fazer o monitoramento epidemiológico, bem como organizar os protocolos de segurança para o retorno.

    Um plano de retorno às aulas presenciais está sendo desenhado pela Semed, que comunicou estar agindo conforme as orientações do prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto, para garantir a segurança de alunos, professores e demais servidores da educação.

    Rede particular já na ativa

    De acordo com a Supervisora Educativa Kátia Cilene Lopes Calderaro, do Centro Educacional La Salle, as aulas presenciais voltaram esta semana. Localizado no bairro Dom Pedro, na zona Centro-oeste da capital, o colégio adotou o sistema de ensino híbrido. Dessa forma, enquanto um grupo de alunos tem aulas presenciais, os outros continuam acompanhando as atividades de forma remota. Em cada semana, estudantes invertem os papéis, possibilitando que todos consigam ter aulas presenciais e on-line simultaneamente.

    “Criamos um comitê para discutir as medidas de segurança e proteção, bem-estar e aprendizagem nesse retorno às atividades presenciais. Além disso, readequamos nossa infraestrutura para atender as exigências da Organização Mundial da Saúde, como, instalações de pias para lavagens das mãos nos ambientes comuns da instituição, disponibilização de totens de álcool em gel, aferição de temperatura nas entradas, salas com o número reduzido de estudantes simultaneamente para garantir o distanciamento de 1,5 metro, dentre outras medidas práticas e de orientação”, destacou.

    O retorno das atividades presenciais, após quatro meses de distanciamento social, foi marcado pela saudade, segundo a educadora. “Foi possível sentir a alegria dos nossos estudantes em retornar ao ambiente escolar, rever os amigos, os professores e isso, também, se estende aos colaboradores do colégio. Poder retomar à rotina, ainda que com algumas limitações, foi sem dúvida, o ponto alto desse reencontro afetivo”, disse Kátia Cilene.

    Referência nacional

    Com o objetivo de ajudar instituições de ensino privado de todo do Brasil a se prepararem para o retorno às aulas, o Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino Privado do Estado do Amazonas (Sinepe-AM), participou do Fórum Federação Nacional das Escolas Particulares (Fenep). 

    A entidade se tornou referência nacional, ao ponto de ser consultada por outros Estados que se preparam para o retorno presencial. O encontro on-line aconteceu no dia 23 de julho (23).

    O presidente da Fenep, Ademar Batista Pereira, explica que o Fórum promoveu uma troca de experiências. “O Sinepe-AM apresentou como foi a volta às aulas no Amazonas, desde o protocolo adotado, as parcerias realizadas, a relação com a sociedade, os investimentos realizados, os cuidados adotados e as dificuldades que as instituições tiveram”, disse.

    Adesão de protocolos de higienização, instalação da Ouvidoria da Educação Particular, sistema de rodízio e ensino híbrido, criação de cartilha após alinhamento com os órgãos governamentais e seguindo o que preconiza a Organização Mundial da Saúde (OMS), foram algumas das medidas adotadas pelas escolas particulares do Amazonas.

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