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    Outubro Rosa


    Amazonenses celebram a vida após vencerem câncer de mama

    Mulheres contam os desafios do tratamento do câncer de mama em meio à pandemia

    Para Jacineide Rabelo, 48, a rotina de quem enfrenta o tratamento da doença cansativa | Foto: Lucas Silva

    Manaus - Dedicado a conscientizar mulheres sobre a importância do diagnóstico precoce do câncer de mama e a prevenção, o mês do Outubro Rosa, há 30 anos marca o início da luta contra o câncer. A caminhada para o tratamento é rodeada de desafios, desde o diagnóstico, a mudança de rotina, o lado emocional e a readaptação após o tratamento de pacientes.

    De acordo com estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o  Amazonas pode vir a registrar até o final de 2020, 700 novos casos de câncer do colo de útero, sendo 580 apenas no município de Manaus. Em relação ao câncer de mama, a estimativa é de 380 novos casos.

    O câncer de mama está entre os tipos de tumor mais comuns entre as mulheres. No Brasil, foram registrados  29,7% do total de novos casos a cada ano, segundo dados do Centro de Oncologia. Em raras situações, homens podem acometer a doença, de acordo com dados do Inca.

    Rotina cansativa

    Para a contadora Jacineide Rabelo, 48, que faz exames anualmente, o momento da rotina de exames e a nova rotina com os tratamentos foi bastante cansativa.

    “Em 2012 fiquei o ano todo praticamente doente. Então eu fui ao médico e pedi vários exames e a mamografia também, e nesse exame foi visto o nódulo. Antes do tratamento as dificuldades eram: dar conta do diagnóstico e a bateria de exames que é muita cansativa. E, durante o tratamento, os efeitos da quimioterapia, radioterapia e hormonoterapia”, relata.

    Após um ano e quatro meses de tratamento, as pessoas do seu local de trabalho começaram a perguntar o que estava acontecendo e sentia um preconceito por parte das pessoas.

    “Eu sentia um certo preconceito no olhar das pessoas que me entrevistavam. Isso me machucou muito.  Quanto à minha autoestima, eu não me sinto à vontade para mostrar às minhas cicatrizes. Apesar de elas me mostrarem todos os dias que eu venci.  Mas elas são só minhas”, disse Jacineide.

    A aposentada Maria Nadiel Lima da Cunha relata uma rotina complicada durante o tratamento do câncer. O tratamento e a espera de uma resposta eram cansativos.  “Descobri a doença em dezembro de 2017, estava deitada e quando coloquei a mão no meu peito senti uma dor, acabei encontrando um nódulo. O atendimento demorou bastante, agendei e aguardei o resultado durante um tempo, a quimioterapia foi da mesma forma, cansativa demais. Apesar de tudo que passei, me sinto bem hoje em dia. Apesar de não ter um dos lados da mama, não tenho problema. Eu me sinto bem do jeito que estou”, conta Maria.

    Apesar do crescente número de casos e avanços da medicina, o acesso rápido a exames e aos profissionais de saúde por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), continua sendo um obstáculo para essas pacientes. Apenas a partir da Lei nº 12.732/2012 que reconheceu a urgência do tratamento oncológico que passou a estabelecer o prazo de no máximo 60 dias, conforme o laudo patológico.

    Importância de entender o tratamento

    Segundo a mastologista Hilka Espírito Santo, a doença pode ter bastantes dificuldades no decorrer do tratamento, para isso, a paciente deve compreender a necessidade do procedimento.

    “Como qualquer câncer, é uma célula que inicialmente era normal. Por algum motivo, que não sabemos exatamente qual é, ela sofre um descontrole no crescimento. Ocorre um crescimento celular rápido e modificado. Isso vem a ser um câncer, seja ele de mama ou de qualquer outra parte. As principais dificuldades para quem faz o tratamento de câncer de mama é enfrentar a doença e entender a importância do tratamento, como ele vai funcionar, o tempo e os efeitos colaterais”, afirma.  

    Ainda para Hilka, o cuidado com saúde é um dos principais fatores que colaboram para uma qualidade de vida, bem como a prática dos exames anualmente.

    “A prevenção para a doença não existe, existe uma melhora da qualidade de vida. A campanha desse ano, ‘Quanto antes, melhor’, que é fazer seus exames regularmente, responder às três perguntas da campanha (Você tem observado suas mamas?; Você já marcou seus exames anuais?; Você conhece seus fatores de risco?), é muito importante. Ter uma qualidade de vida, tentar manter o peso, fazer exercícios e se alimentar bem, isso vai fazer diferença para tudo, não só para o câncer de mama”, orienta. 

    Covid-19

    Neste ano, em razão da pandemia da Covid-19, o Inca orientou desde março a suspensão das ações de rastreio organizado, como é o caso de mutirões.  As ações da Prefeitura de Manaus, durante a campanha Outubro Rosa, serão focadas na educação e promoção de saúde.

    Em 2019, a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) realizou 87, 6 mil exames preventivos para o câncer do colo do útero (25 a 64 anos) e, 95, 3 mil mamografias (50 a 60 anos) 

    Para Gérson Mourão, mastologista e diretor-presidente da Fundação Centro de Controle de Oncologia do Amazonas (Fcecon), entre as dificuldades dos pacientes estão o acesso ao diagnóstico nos atendimentos primário ou secundário. E com a chegada da pandemia os cuidados são ainda maiores.

    “Esta demora faz com que os pacientes já cheguem em casos avançados na Fcecon. Entre as formas de prevenção que devem ser realizadas estão: o colo uterino, vacina, o preventivo e a mamografia após 59 anos.  Em relação à pandemia, estamos fazendo testes da Covid-19 para todas as pacientes que iremos operar, protegendo também os servidores”, revela.

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