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    Solidariedade


    Policial em Manaus ajuda trigêmeos prematuros com campanha em redes sociais

    Um dos bebês prematuros precisa de acompanhamento de um neuropediatra e família não tem condições de comprar leite adequado

    Campanha iniciada pelo policial militar nas redes sociais ganha mais ajuda para os trigêmeos prematuros | Foto: Divulgação

    A situação crítica de bebês trigêmeos prematuros  nascidos na Zona Leste de Manaus chamou a atenção do soldado da Polícia Militar Albert Carvalho que decidiu arregaçar as mangas e ajudar a família por meio de uma campanha em redes sociais.

    “Tudo começou quando conheci a avó das crianças porque ela trabalhava como serviços gerais no mesmo local onde uma amiga em comum, trabalha. Essa minha amiga que me contou que a dona Odinéia (avó dos bebês) havia sido demitida e que a filha dela estava com trigêmeos passando necessidade. Pedi a autorização ao meu comandante e fomos à casa dela levar ranchos. Ao chegarmos ao local, nos deparamos com a situação de calamidade em que se encontravam”, conta o policial. 

    Um dos trigêmeos está com problemas de saúde e precisa de acompanhamento de um neuropediatra
    Um dos trigêmeos está com problemas de saúde e precisa de acompanhamento de um neuropediatra | Foto: Divulgação

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    Depois de conhecer o drama familiar, Albert começou a disparar mensagens via redes sociais para vários grupos. A campanha por doação de alimentos e outros materiais começou a ganhar dimensão. “Estou muito feliz porque a campanha está comovendo as pessoas e muita gente começou a ajudar. Montamos outros pontos de coleta porque eu não tenho como buscar todas as doações. Não disponho de muitos recursos, mas estou fazendo o que posso”, explica o policial que, num primeiro momento,  prontificou-se a buscar materiais doados para levá-las até o endereço dos bebês.

    Além dos trigêmeos, outras quatro meninas também moram na pequena casa
    Além dos trigêmeos, outras quatro meninas também moram na pequena casa | Foto: Divulgação

    Família humilde

    A família dos bebês é humilde. Mora numa casa em condições precárias de apenas dois cômodos, sem condições de comprar vestimentas, fraldas, alimentos, remédios, entre outras necessidades. Não há muitos recursos nem mesmo para os adultos. Além dos trigêmeos, moram na casa, o pai, mãe, a avó e outras quatro filhas do primeiro casamento da mãe, com idades de 12, 9, 8 e 5 anos.

    Os três bebês dividem o mesmo berço porque a casa não tem espaço. Sem condições de comprar o leite adequado para as crianças, a mãe estava dando o leite da marca Dubon porque é mais barato, já que ela não tem leite suficiente para os três.  

    Um dos trigêmeos está com problemas de saúde e precisa de acompanhamento de um neuropediatra
    Um dos trigêmeos está com problemas de saúde e precisa de acompanhamento de um neuropediatra | Foto: Divulgação

    Os trigêmeos Neemias, Taylson e Tarcísio nasceram prematuros, de oito meses (35 semanas e três dias) no dia 27 de agosto último. Segundo a mãe, Camila Nayane Oliveira Pantoja, de 32 anos, quando descobriu a gravidez de trigêmeos, ficou desesperada. “Eu fiquei muito preocupada porque sabia que seria difícil criá-los. O pai ficou feliz, pois seria pai pela primeira vez e ainda de três.Eu sabia que iria passar por muitas dificuldades, mas entreguei nas mãos de Deus e decidi ter meus bebês”, contou a mãe.

    Casa em que a família mora é humilde
    Casa em que a família mora é humilde | Foto: Divulgação

    Nayane está desempregada há algum tempo e já trabalhou como manicure. O pai, Talisson Araújo de Lima,  de18 anos, nunca trabalhou. “Agora que estamos tirando os documentos dele para que procure um emprego de carteira assinada. Por enquanto, ele só faz uns ‘bicos’ aqui pelo bairro”, disse Nayane. A avó, Odinéia é quem estava mantendo a família, porém, ela perdeu o emprego.

    Sobre a campanha promovida pelo soldado Albert, Nayane disse estar surpresa com a comoção das pessoas. "No começo, eu estava com um certo receio porque a gente nunca espera uma situação dessas por parte de um policial. Eu já havia tentado ajuda outras vezes e até enviado mensagens para a televisão, mas ninguém apareceu pra ajudar. Daí veio o soldado Albert e as pessoas começara a ajudar", declarou a mãe dos trigêmeos. 

    Neuropediatra

    A maior preocupação de Nayane está na saúde de um dos bebês que teve convulsões quando eles ainda estavam na maternidade. “Ele é o que menos reage e chora muito com cólicas. Quando pegaram alta da maternidade, a pediatra prescreveu o fenobarbital (substância usada como medicamento anticonvulsivante e sedativo), mas ela pediu para eu ir tirando aos poucos e daí ele não tomou mais. A pediatra falou que ele precisaria de um acompanhamento de um neuropediatra, mas eu não consegui marcar consulta porque pelo SUS é muito difícil”, revela.

    Depois de receber algumas doações, Camila Nayane disse que muitas mulheres que não podem ter filhos perguntaram se ela não queria doar as crianças. “Teve uma mulher que foi até meio agressiva enviando mensagens e dizendo que eu não tinha condições de cuidar dos bebês e que eu devia dá-los para ela, mas eu respondi que, se Deus me deu a missão ter os meus filhos é porque tinha que ser dessa forma. Sei que não vai ser fácil, mas vou conseguir criá-los com nossa família”, afirma.

    Procurado pela reportagem, o titular da Secretaria Municipal da Mulher, Assistência Social e Direitos Humanos (Semmasdh), Elias Emanuel informou que irá acionar a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) para verificar a questão do cadastro das crianças no programa “Leite do Meu Filho”, já que a família tem direito. O secretário também afirmou que irá encaminhar uma equipe até a casa em que os trigêmeos moram para acompanhar a situação da família.

    Compaixão

    Soldado Albert Carvalho se emocionou ao ver os três bebês dividindo o mesmo berço por falta de espaço
    Soldado Albert Carvalho se emocionou ao ver os três bebês dividindo o mesmo berço por falta de espaço | Foto: Divulgação
    Além dos trigêmeos, outras quatro meninas também moram na pequena casa
    Além dos trigêmeos, outras quatro meninas também moram na pequena casa | Foto: Divulgação

    Lotado na 23ª Companhia Interativa Comunitária (23ª Cicom), o soldado da Polícia Militar, Albert Carvalho mostrou que o ato de solidariedade vai além do dever de manter a segurança da população. “Eu me vi naquela situação e percebi que precisava fazer alguma coisa. Fico feliz em ver as pessoas se manifestando para ajudar. Isso é muito gratificante!”, desabafou. 

    Nas mensagens eletrônicas, Albert escreveu: “Gente, vou repassar uma mensagem, mas não é mais uma mensagem falsa de rede social, são realmente crianças que conheço e que estão precisando, quem puder ajudar de qualquer forma seria muito bom, qualquer dúvida podem me procurar!!! SD.ALBERT”.

    O pedido de ajuda se espalhou pelas redes sociais da capital amazonense junto com o vídeo feito pelo soldado, mostrando as condições em que os bebês se encontram e chegou até o tatuador Markito Affonso, que também se comoveu com a história.  

    “Todos os anos faço campanhas com descontos para pessoas que vierem fazer tatuagens e doarem brinquedos. Eu já estava meio desanimado com os resultados de doações porque tinham pessoas que só queriam saber dos descontos e não doavam com o coração ou davam brinquedos velhos e quebrados. Mas, aí apareceu essa campanha para ajudar os trigêmeos e eu me animei de novo e começamos a receber as doações também para levar na casa dos bebês”, relata o tatuador.

    Markito diz que sempre se envolve com causas sociais, mas afirma não saber ao certo sobre aquilo que o move quanto às questões humanitárias. “Não sei o que é direito, mas acho que é o estalo, aquilo que vem naquele momento para ajudar o próximo. Sou do interior do Amazonas e já vi muita pobreza”, declara o artista.

    Ele conta que faz questão de levar as filhas pequenas para conhecer os trigêmeos. “Nosso mundo vive uma inversão de valores absurda e está cheio de egoísmos, por isso quero ensiná-las desde pequenas a dividir e compartilhar com o próximo”, concluiu o tatuador.

    Saiba como ajudar

    Para quem tiver interesse em ajudar a família dos trigêmeos, pode fazer doações de fraldas de tamanho P, M e G, roupas, materiais higiênicos, leite Nestogeno, entre outros mantimentos. Mas, quem preferir ajudar com dinheiro, pode fazer doação para a conta poupança: 00049391-6, Agência 1300, em nome de Odineia Oliveira Pantoja (avó dos bebês). A família também necessita de mantimentos.

    As doações também podem ser entregues nos seguintes endereços:

    - Rua Manaus, No 349, bairro Nova Conquista, no Tancredo Neves, próximo ao Mercadinho Manicoré. Contato: (92) 99263-6588.

    - Markito Tatoo Stúdio: Centro Comercial Mirage Vieiralves, Av. Rio Itannana, 708, sala 17, esquina com Rua João Valério, Vieiralves, de segunda a sábado no horário de 9h às 18h. Contato: (92) 98142-0006.

    - 23ª Cicom: CSU Parque Dez, Avenida Perimetral, 22, Parque Dez de Novembro, de segunda a sexta-feira em qualquer horário. Contato: (92) 3632-6338 e (92) 99263-7153.

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