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    Aniversário


    Bairro Aparecida completa 137 anos de fé, tradição e alegria

    Moradores orgulhosos contam histórias e curiosidades de um dos redutos mais tradicionais de Manaus

    A história da Igreja de Aparecida está intimamente ligada com a trajetória do bairro | Foto: Márcio Melo

    Manaus - Com 137 anos de existência, o bairro Aparecida recebeu o nome da padroeira do Brasil em homenagem à chegada dos missionários redentoristas que vieram dos Estados Unidos em 1943 e se instalaram na vizinhança. Apesar de ser o nome mais tradicional, o bairro nem sempre se chamou assim. O lugar já foi conhecido como Cornetas, Cajazeiras e Bairro dos Tocos.

    “Cornetas” fazia referência a um posto do Exército localizado à margem do igarapé que cortava o bairro. “Cajazeiras” por causa do bosque de Caju que existia no local. Mais tarde, as árvores foram cortadas para a construção de novas ruas e casas, dando origem ao terceiro nome: Bairro dos Tocos. 

    A expansão urbana afetou a imagem quase bucólica que a secretária da Paróquia de Aparecida, Maria Eduarda, de 68 anos, guarda na memória. “Na Rua Bandeira Branca existia um grande campo que usávamos para brincar. Nós jogávamos bola até altas horas”, contou, lembrando logo em seguida das brincadeiras no rio.

    “Havia uma construção antiga que nós apelidamos de “quatro ferros”. Subíamos lá para pular no rio, passávamos horas e horas apenas subindo nos ferros e pulando novamente no rio, não víamos o tempo passar”, lembra Dona Maria, saudosa.

    No bairro há ainda um Clube de Mães, onde mulheres podem ter aulas de pintura, costura, bordado e outras atividades relaxantes
    No bairro há ainda um Clube de Mães, onde mulheres podem ter aulas de pintura, costura, bordado e outras atividades relaxantes | Foto: Janailton Falcão

    Nascida e criada no bairro, ela foi uma das primeiras jovens católicas da comunidade, logo após a instalação dos missionários no bairro. “Tínhamos um grupo que se reunia na paróquia, muitos tocavam violão, também encenávamos passagens bíblicas durante os festivais da igreja”, conta.

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    Religião

    Naquela época a Igreja era apenas uma capela que funcionava em dois cômodos de uma casa doada por uma família católica. De acordo com o padre Inácio Raposo, um dos religiosos que está no local ha pelo menos quatro anos, a história da Igreja se confunde com a história do bairro.  

    “De acordo com os registros que temos guardados, a igreja foi construída em agosto de 1944. No dia da inauguração houve uma grande procissão, com uma banda marcial e uma multidão de fiéis. Até o bispo veio”, disse.

    A tradicional feira, que acontece junto com as novenas, às terças, lota uma das ruas do bairro
    A tradicional feira, que acontece junto com as novenas, às terças, lota uma das ruas do bairro | Foto: Janailton Falcão

    A Igreja de Aparecida devolve o carinho que recebe da comunidade. O prédio já funcionou como sede de assistência social para moradores do bairro, onde foram realizados serviços médicos ambulatoriais, odontológicos e até pequenas cirurgias. Também havia oficinas profissionalizantes de marcenaria e carpintaria, além de cursos de eletricista.

    O padre diz que a comunidade já foi mais envolvida com as atividades da Igreja. Mesmo assim, tradições antigas são mantidas até os dias de hoje. A aposentada Izabel dos Santos, por exemplo, não perde uma novena. “Sou devota de aparecida e procuro sempre acompanhar as missas, esse local me traz muita paz”, comentou enquanto acendia uma vela para fazer sua prece. 

    Izabel guarda também outro costume popular entre os fiéis da Santa Aparecida. Ela escreve os pedidos e agradecimentos em pedaços de papel e coloca nas brechas da parede de um altar construído na parte externa da igreja.

    A igreja de Aparecida foi construída em agosto de 1944
    A igreja de Aparecida foi construída em agosto de 1944 | Foto: Janailton Falcão

    Samba

    A tradição foi passada de geração a geração, como é costume na Aparecida, berço de diversas tradições. Uma das mais fortes é o samba. Os devotos da padroeira do Brasil são os mesmos foliões que fundaram o Grêmio Recreativo Escola de Samba Mocidade Independe de Aparecida, a maior campeã do Carnaval manauara. 

    Com pouco mais de 38 anos, a Aparecida acumula 22 títulos. O presidente do bairro e diretor da escola, Naian Nascimento, diz que a “Soberana”, como é conhecida a escola, é a alma do bairro. “A Aparecida inteira é muito festiva, tem um povo animado, criativo. Nossa escola é como se fosse uma extensão de tudo isso”, explica. 

    A escola de samba Aparecida acumula 22 títulos
    A escola de samba Aparecida acumula 22 títulos | Foto: Filipe Mesquita

    Apesar de ser motivo apenas de alegria, a escola surgiu de uma briga. “Meu tio Zezinho costumava desfilar na escola Em Cima da Hora, mas em um carnaval aconteceu uma confusão por causa de uma fantasia, foi aí que ele decidiu que criar uma escola de samba para os moradores aqui do bairro”, lembra Naian.

    Já em seu primeiro ano de desfile, a Aparecida venceu a disputa. Desde então, a escola de samba foi abraçada pelo bairro. “Grande parte das fantasias são confeccionadas por moradores”, diz Nascimento, explicando que essa proximidade colabora para que a comunidade esteja sempre em contato com os eventos da escola. “Nós vivemos e respiramos samba o ano todo”, afirma. 

    Os moradores do bairro de Aparecida são orgulhosos das tradições que seus antepassados construíram. Além dos ritos e costumes, guardam heranças que valem mais que bens materiais. Essas heranças fazem de Aparecida um reduto de fé e alegria.

    Edição: Gabriel Costa 

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    Bairro de Aparecida - Infográfico
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