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    Denúncia


    Maus-tratos a idosos podem ser denunciados pelo número 165

    127 idosos foram vítimas de maus-tratos no ano passado

    É considerada agressão ao idoso tudo que ameaça a conduta, saúde, segurança e bem-estar | Foto: Divulgação

    Manaus - São cada vez maiores os índices de maus tratos contra pessoas acima de 60 anos, seja por violência física, psicológica, patrimonial ou negligência. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), um a cada seis idosos é vítima de algum tipo de agressão em todo o mundo. Dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM) apontam que, em 2017, 127 idosos foram vítimas de maus-tratos, sendo dois de estupro e 25 de homicídio na cidade.

    Para evitar o aumento dessas estatísticas e oferecer uma melhor qualidade de vida para as pessoas da chamada melhor idade, a Prefeitura de Manaus tem um canal para denúncias, basta ligar para o Disque Idoso - 165, coordenado pela Fundação de Apoio ao Idoso Doutor Thomas (FDT). Nos últimos anos, o número já recebeu 12.060 denúncias.

    Uma idosa de 62 anos, foi uma das pessoas que precisou dos serviços do Disque Idoso. Ela foi desprezada pelos familiares e passou a morar com a neta de 31 anos. Achando que sua vida melhoraria, ela passou pelo pior, com agressões psicológicas constantes de quem achava que seria seu porto seguro.

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    Uma pessoa denunciou a situação para o 165 e uma equipe do Programa de Apoio Domiciliar ao Idoso (Padi), da FDT, passou a acompanhar o caso, fazendo com que a família assinasse um termo de compromisso para cuidar bem da idosa. Após reuniões, a família também foi orientada a procurar um profissional capacitado, como um cuidador de idoso, para atender as necessidades e para que ela continuasse no convívio familiar.

    É considerada agressão ao idoso tudo que ameaça a conduta, saúde, segurança e bem-estar. “É importante que se alguém perceber esse tipo de situação, seja da família ou não, que possa entrar em contato com o Disque Idoso, onde serão fornecidas orientações e informações de como proceder”, orienta a psicóloga da Fundação Doutor Thomas, Daniela Cupello.

    Um outro caso de atendimento realizado pelo Padi, foi uma idosa de 67 anos, institucionalizada em 2016, por negligência. Hoje, a idosa é residente da Fundação Doutor Thomas, participa ativamente das atividades, passeios e principalmente socializa com outros idosos, tudo com a ajuda da equipe de psicólogos.

    Política ao idoso

    A Fundação Doutor Thomas é o órgão responsável em Manaus pela coordenação da Política Municipal do Idoso e por receber as denúncias, por meio do Padi. O primeiro passo após a denúncia é instruir os familiares, contribuindo para o restabelecimento da afetividade familiar, aspirando a preservação da integridade do idoso. Contudo, se o mesmo estiver em situação de risco social, é oferecido um ambiente seguro e preparado para atender suas necessidades.

    Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2025, o Brasil será o sexto país em número de idosos. Apesar de ser um processo natural, o envelhecimento pode ser propício ao aparecimento de eventos patológicos.

    “Devemos entender que o envelhecimento é um processo irreversível que começa desde o nascimento até a finitude. A missão que nos foi dada pelo prefeito Arthur Virgílio Neto foi de coordenar, acompanhar e executar a política municipal do idoso, assegurando a sua autonomia, integração e participação efetiva na sociedade”, declarou a diretora-presidente da FDT, Martha Moutinho.

    Tipos de violência contra o idoso

    Física: uso da força física para compelir os idosos a fazerem o que não desejam, para feri-los, provocar dor, incapacidade ou morte.

    Psicológica: agressões verbais ou gestuais com o objetivo de aterrorizar, humilhar, restringir a liberdade ou isolar do convívio social.

    Sexual: ato ou jogo sexual de caráter homo ou hetero-relacional, utilizando pessoas idosas. Esses abusos visam a obter excitação, relação sexual ou práticas eróticas por meio de aliciamento, violência física ou ameaças.

    Abandono: ausência ou deserção dos responsáveis governamentais, institucionais ou familiares de prestarem socorro a uma pessoa idosa que necessite de proteção e assistência.

    Neglligçência: recusa ou à omissão de cuidados devidos e necessários aos idosos por parte dos responsáveis familiares ou institucionais. É uma das formas de violência mais comum. Ela se manifesta frequentemente associada a outros abusos que geram lesões e traumas físicos, emocionais e sociais, em particular, para as que se encontram em situação de múltipla dependência ou incapacidade.

    Financeira e econômica: exploração imprópria ou ilegal ou ao uso não consentido pela pessoa idosa de seus recursos financeiros e patrimoniais.

    Autonegligência: conduta da pessoa idosa que ameaça sua própria saúde ou segurança, pela recusa de prover cuidados necessários a si mesma.

    Medicamentosa: administração por familiares, cuidadores e profissionais dos medicamentos prescritos, de forma indevida, aumentando, diminuindo ou excluindo os medicamentos.

    Emocional e social: agressão verbal crônica, incluindo palavras depreciativas que possam desrespeitar a identidade, a dignidade e a autoestima. Caracteriza-se pela falta de respeito à intimidade, falta de respeito aos desejos, negação do acesso a amizades, desatenção a necessidades sociais e de saúde.

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