Fonte: OpenWeather

    Pesquisa do Inpa


    Gengibre amargo é esperança para cura de úlceras em diabéticos

    O gel de gengibre amargo foi desenvolvido pelo pesquisador Carlos Cleomir do Instituto de Pesquisas da Amazônia, em Manaus.

    Carlos Cleomir, doutor em Biotecnologia e Recursos Naturais pela Universidade Federal do Amazonas | Foto: Lucyo Ramos

    Manaus - Pacientes que se descobrem diabéticos precisam conviver com uma série de problemas de saúde, ocasionados pela incapacidade de produção de insulina, devido a falência do pâncreas. Com a capacidade de cicatrização de ferimentos restringida pela doença, muitas pessoas convivem com o transtorno da amputação de membros. É o que pensou que aconteceria com ele, o paciente Mauro Paulino, que sofria com um ferimento no dedão no pé esquerdo e não se curava, após descobrir ser portador da diabetes. Paulino diz que fez vários exames, procurou os melhores médicos em busca da cura para o ferimento, sem sucesso.

    Sem esperanças de ser curado e diante de um diagnóstico conclusivo que apontava uma infecção no osso, que poderia causar a amputação, o paciente diabético encontrou no tratamento terapêutico com gel de gengibre amargo, a cura para o problema. “Não houve necessidade da amputação porque com menos de dois meses de tratamento com o gel, meu dedo ficou curado. Para mim, o gel foi uma luz no fim do túnel”, disse emocionado.

    O medicamento ainda não está sendo comercializado
    O medicamento ainda não está sendo comercializado | Foto: Lucyo Ramos


    Leia também: Inteligência artificial mapeará risco de câncer no pulmão

    O doutor e pesquisador Carlos Cleomir e seu grupo de pesquisa, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) foram responsáveis por desenvolver o medicamento, com substâncias extraídas da planta gengibre amargo. Cleomir explica que o gengibre amargo tem potencial cicatrizante, além de ser antimicrobiano, anti-inflamatório, analgésico e citotóxico para células necrosas. "Além de tudo isso, o gengibre contém substâncias que dilatam os vasos sanguíneos. Isso significa que há uma maior passagem de sangue, o que contribui para a cura do ferimento. A planta realmente possui várias propriedades de interesse farmacológico, em nível terapêutico", explica.

    Carlos Cleomir, doutor em Biotecnologia e Recursos Naturais pela Universidade Federal do Amazonas
    Carlos Cleomir, doutor em Biotecnologia e Recursos Naturais pela Universidade Federal do Amazonas | Foto: Lucyo Ramos

    O estudo do gengibre amargo levou a equipe do pesquisador a desenvolver o gel preparado com o óleo essencial da planta. Os resultados foram impressionantes. “Em testes realizados com 45 pacientes diabéticos portadores de úlceras - com risco de amputação - houve 95% de cura dos pacientes que fizeram o tratamento com o gel", disse o doutor.

    De acordo com o pesquisador Carlos Cleomir, a pesquisa é muito importante para os pacientes diabéticos. "A doença representa a quarta principal causa de morte por doença no Brasil. A chance de sofrer amputações nos membros inferiores é 40 vezes maior entre os diabéticos”, diz o pesquisador. 

    O futuro da pesquisa

    Segundo o doutor do Inpa, o medicamento só estará disponível no mercado, após acordo de cooperação técnica cientifica do governo do Estado do Amazonas com a Secretaria de Saúde, através da Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (Fcecon). Com isso, futuramente o gel poderá estar presente na prateleira das farmácias e atender à demanda social do Sistema Único de Saúde (SUS), como uma nova alternativa para o tratamento de pessoas com diabetes. Por enquanto, o medicamento ainda não é comercializado.

    Colaborou: Lucyo Ramos

    Leia mais:

    Saiba mais sobre o açaí, o superalimento da Amazônia 

    Segredos do tucumã: Muito além do x-caboquinho 

    Vinagre de maçã emagrece, trata o cabelo e a saúde? Saiba com usá-lo

    Comentários