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    Inia araguaiaensis


    Descoberta espécie de boto que pode ter mais de 3 milhões de anos

    Descoberta é interessante por se tratar de uma espécie distinta e de grande porte, que foi identificada por meios genéticos e morfométricos

    Os especialistas acreditam que essa espécie tenha se separado das populações da bacia do Amazonas há quase três milhões de anos. | Foto: Divulgação

    Os botos sempre fizeram parte do imaginário coletivo na Amazônia e são facilmente avistados nos rios da região. E, entre as 20 novas descobertas registradas entre 2014 e 2015, pelo World Wide Fund for Nature (WWF) e Instituto Mamirauá, destaca-se uma nova espécie de golfinho fluvial. A descrição da espécie Inia araguaiaensis, desconhecida pela ciência até 2014, foi possível a partir da análise de carcaças encontradas em um lago do rio Araguaia, em Goiás.

    Os especialistas acreditam que essa espécie tenha se separado das populações da bacia do Amazonas há quase três milhões de anos. As análises dos ossos do crânio demonstraram que a espécie se distingue das outras duas do gênero Inia conhecidas, atualmente, sendo o boto da Amazônia e o boto da Bolívia.

    Descoberta só foi possível a partir da análise de carcaças encontradas em um lago do rio Araguaia, em Goiás.
    Descoberta só foi possível a partir da análise de carcaças encontradas em um lago do rio Araguaia, em Goiás. | Foto: Divulgação

    O relatório destaca que a nova espécie descrita tem sua distribuição restrita às bacias dos rios Araguaia e Tocantins, regiões sujeitas à construção de hidrelétricas e indústrias, além de outras atividades que se configuram como potenciais ameaças à espécie.

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    De acordo com a pesquisadora Miriam Marmontel, do Grupo de Pesquisas em Mamíferos Aquáticos Amazônicos do Instituto Mamirauá, a descoberta é interessante por se tratar de uma espécie distinta e de grande porte, que foi identificada por meios genéticos e morfométricos.

    “Pouco se sabe da ecologia da nova espécie, mas suspeita-se que tenha distribuição limitada às bacias dos rios Araguaia e Tocantins, e que não exceda mais de mil indivíduos. Considerando as atividades antropogênicas correntes na região, como hidrelétricas, agricultura, pecuária e indústria, a nova espécie já pode estar em situação preocupante de conservação”, comentou a pesquisadora.

    Miriam também enfatizou a importância de que estratégias de conservação de espécies devem levar em conta suas características ecológicas e demográficas. “A identificação da nova espécie, com distribuição limitada e abundância aparentemente baixa, ocorrendo em locais sob variadas pressões antrópicas, sinaliza para uma atenção especial, diferenciada do que se consideraria para, por exemplo, a espécie Inia geoffrensis, que se encontra muito mais amplamente distribuída pela bacia amazônica, embora também sofrendo pressões”, disse.

    Leia aqui o relatório “Atualização e Composição da lista Novas espécies de Vertebrados e Plantas na Amazônia (2014-2015)".


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