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    preservação ambiental


    Governo cria área de proteção em Novo Airão para proteger pesca

    Reserva também compreende um município de Roraima. O norte da Bahia também foi contemplado na decisão

    A Resex também ajudará a garantir a conservação e utilização sustentável pelas comunidades dos recursos florestais, entre eles açaí, buriti, pupunha, castanha, cupuaçu, bacaba e patuá | Foto: Divulgação

    No último 5 de junho, em que foi comemorado mundialmente o Dia do Meio Ambiente, o Governo Federal oficializou duas novas áreas de proteção ambiental no País. A Reserva Extrativista (Resex) do Baixo Rio Branco-Jauaperi, entre os Estados de Amazonas e Roraima, e o Refúgio de Vida Silvestre (Revis) da Ararinha Azul, no norte da Bahia receberam decretos de criação assinados pelo presidente da República, Michel Temer.

    Com 581 mil hectares, a Resex fica nos municípios de Novo Airão (AM) e Rorainópolis (RR) na junção dos rios Branco e Jauaperi. De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, o principal motivo para a criação da reserva é proteger os estoques pesqueiros, essenciais para as comunidades tradicionais amazônicas que habitam aquele trecho da floresta, mas que enfrentam a ameaça da pesca predatória e comercial.

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    A Resex também ajudará a garantir a conservação e utilização sustentável pelas comunidades dos recursos florestais, entre eles açaí, buriti, pupunha, castanha, cupuaçu, bacaba e patuá. A reserva é vizinha da Terra Indígena Waimiri-Atroari. A controvérsia da decisão, no entanto, vem de pesquisadores da área de biodiversidade brasileira que ressaltam que ainda muitas áreas precisando da atenção do poder público.

    "Saudamos a criação dessas novas áreas protegidas, mas também lembramos que o Brasil precisa avançar ainda mais nesta agenda, sobretudo em regiões com grande diversidade de espécies e altos índices de desmatamento, como é o caso do Cerrado, do Pantanal e na Zona Costeira. Temos compromissos internacionais de proteger esses biomas", disse Jaime Gesisky, especialista em Políticas Públicas na área.

    História antiga

    A criação da Resex Rio Branco-Jauaperi é uma reivindicação antiga. A mobilização teve início em 2001 por iniciativa das populações de comunidades como Santa Maria Velha, Vila da Cota, Remanso e Xixuaú. Nos anos seguintes, foram feitos diversos procedimentos e trabalhos técnicos para subsidiar a criação da unidade de conservação de uso sustentável.

    O principal motivo para a criação da reserva é proteger os estoques pesqueiros, essenciais para as comunidades tradicionais amazônicas que habitam aquele trecho da floresta
    O principal motivo para a criação da reserva é proteger os estoques pesqueiros, essenciais para as comunidades tradicionais amazônicas que habitam aquele trecho da floresta | Foto: BRUNO KELLY

    O processo chegou ao Governo Federal em 2006 e somente agora a unidade foi criada. Ocorreram ainda audiências públicas na Câmara dos Deputados e no Ministério Público Federal e uma série de cartas, ofícios e pedidos de esclarecimentos foram enviados aos órgãos federais em Brasília à época.

    A área da Resex registra grande diversidade de plantas, peixes e animais. Açaí, andiroba, buriti, castanha-do-Brasil e taperebá são comuns, assim como o cipó e a massaranduba. Estudos indicam a presença de ao menos 42 espécies de mamíferos na região. Dez delas constam na lista oficial de mamíferos ameaçados de extinção no Brasil.

    Ararinha Azul

    Já criação de um Revis, com cerca de 29 mil hectares, e uma Área de Proteção Ambiental (Apa), com aproximadamente 90 mil hectares, entre os municípios de Juazeiro e Curaçá tem o objetivo de proteger a área para um audacioso projeto de reintrodução na natureza da Ararinha Azul (Cyanopsitta spixii), uma ave exclusiva daquela região, que faz parte do bioma Caatinga.

    O último exemplar vivo da espécie, um macho, desapareceu dali no ano 2000, restando apenas 128 indivíduos, todos em cativeiro, a maioria vivendo em criadouros no Catar e na Alemanha. A ideia é reintroduzir a ararinha ao seu habitat natural em um esforço técnico e científico internacional.

    A criação das duas áreas protegidas na região é o primeiro passo do plano, que prevê também a construção de um Centro de Reintrodução e Reprodução da Ararinha-Azul em Curaçá, onde vivia o último remanescente.

    *Com informações da assessoria

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