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    Risco de ataques


    Invasão de jacarés assusta moradores da Zona Norte de Manaus

    “O Jacaré comeu meu gatinho e também devorou o cachorro da vizinha”, o relato desesperado é de uma moradora da Cidade Nova. No local, crianças e animais podem ser atacados

    O jacaré-açu é um dos maiores predadores da América do Sul, e pode ser visto ao longo de vários igarapés e rios | Foto: Ione Moreno

    Manaus - O aparecimento de jacarés na área urbana de Manaus tem trazido medo para muitas famílias moradoras das proximidades de lagos e igarapés, por conta do perigo de ataques por parte dos animais. Na última semana, moradores da Zona Norte de Manaus relataram o aparecimento de jacarés nas proximidades das residências. Os animais saem dos igarapés e, ao transitarem por meio dos esgotos, chegam a quintais e casas.

    Especialistas alertam que, pelo fato de Manaus ter sido construída no centro da Floresta Amazônica, no entorno de um grande rio, igarapés e buritizais é normal o aparecimento de igarapés, já que esses animais estão em seu próprio habitat.  Não há relatos de ataques desses animais a humanos na capital. 

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    Marcos Pires, capitão do Batalhão Ambiental, informou que é comum os jacarés aparecerem em residências e ruas, principalmente quando os rios e igarapés estão cheios ou secos demais. “O que não é comum é acontecer ataques dos animais às pessoas”, comenta o oficial.

    Para a população se proteger dos animais, os órgãos aconselham a cercarem os quintais
    Para a população se proteger dos animais, os órgãos aconselham a cercarem os quintais | Foto: Ione Moreno

    Quanto aos procedimentos de segurança, ele orienta que a pessoa deve se afastar. “Caso uma pessoa se sinta ameaçada por um jacaré, deve se afastar imediatamente do animal e acionar o Batalhão Ambiental. Só é permitido matar o animal, se ele atacar”, afirmou. “Matar jacaré é crime ambiental, na verdade matar qualquer animal da fauna silvestre é crime. A pessoa pode ser punida com prisão ou com multa”, completou.

    Resgate

    O capitão destacou que os profissionais recebem treinamento para realizarem os regastes dos animais. As equipes utilizam instrumentos apropriados para a captura dos jacarés, além de cordas e materiais de proteção individual.

    “Em caso de perigo, a pessoa deve se afastar imediatamente do animal e acionar o batalhão ambiental”, disse o capitão do Batalhão Ambiental Marcos Pires
    “Em caso de perigo, a pessoa deve se afastar imediatamente do animal e acionar o batalhão ambiental”, disse o capitão do Batalhão Ambiental Marcos Pires | Foto: Ione Moreno

    “Após a captura de qualquer animal silvestre, colocamos na caixa de contenção. No caso dos jacarés, por serem maiores, vão direto para carroceria da viatura. O animal é avaliado visualmente pela equipe. Se estiver saudável, é levado para áreas verdes ou igarapés, onde é realizada a soltura”, explica, ao informar que há casos em que o animal aparece machucado. “Quando ele não está saudável, entregamos ao Ibama, onde é atendido por veterinários. No local ele permanece por um periodo, até ser solto”, enfatizou. 

    O gerente de fauna do Instituto Ambiental do Amazonas (Ipaam), Marcelo Garcia, explica que, quando o animal está fora do seu ambiente natural, o Ipaam realiza o resgate. “Mas quando o animal está no seu ambiente natural, não se trata de resgate, mas sim de manejo, e, neste caso, é de competência do Ibama”, explica.

    Toda a gestão da fauna livre é de competência do órgão de controle ambiental federal, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), vinculado ao Ministério do Meio Ambiente (MMA). O controle ou manejo de jacarés depende de aprovação de projeto do órgão, que também exerce função de polícia ambiental, fiscalização, monitoramento e controle ambiental.

    Em vários igarapés de Manaus é possível avistar vários jacarés
    Em vários igarapés de Manaus é possível avistar vários jacarés | Foto: Ione Moreno

    Alta ocorrência

    O biólogo Ronis Da Silveira explica que não existe uma “superpopulação” de jacarés nos rios e igarapés. “O que existe é uma ‘superpopulação’ de humanos morando no entorno desses lugares. Essa é a verdadeira razão do problema: a ocupação irregular ao longo das margens, junto com o descarte inadequado de lixo nas suas diferentes formas”, comentou.

    No que diz respeito ao manejo dos jacarés, o biólogo explica que há várias formas de manejo. “Há em relação à questão econômica, mas falamos ‘manejo’ para qualquer intervenção humana que tenha efeito sobre uma população. No caso do Ipaam e Batalhão Ambiental, o manejo é a translocação e a criação de áreas protegidas ao longo dos igarapés”, disse ele, que é professor do Instituto de Ciências Biológicas, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

    A moradora Maria Argentina, 67, procurou a equipe do Em Tempo e relatou que nos últimos meses apareceu mais jacarés do que o de costume
    A moradora Maria Argentina, 67, procurou a equipe do Em Tempo e relatou que nos últimos meses apareceu mais jacarés do que o de costume | Foto: Ione Moreno

    O professor informou que essa forma de manejo é benéfica para os jacarés, pois favorece a permanência do animal nos locais. “São as Áreas de Proteção Permanente (APP), e todas as margens dos igarapés são naturalmente APPs, segundo o sistema jurídico brasileiro”, comenta o biólogo.

    Para ele, o manejo econômico na cidade, não é viável, por conta da contaminação que os jacarés sofrem com a poluição urbana.

    Serviço de resgate

    O serviço de resgate  de animais silvestres do Ipaam e do Batalhão Ambietal funciona de segunda a sexta, das 8h às 18h, e nos fins de semana e feriados em regime de plantão. O serviço conta com equipe técnica formada por biólogos e veterinários.

    O Ipaam não resgata animais domésticos, como cães e gatos, nem mesmo atende demandas de fauna sinantrópica, como a remoção de ratos, morcegos, abelhas, pombos entre outros. Também de acordo com a legislação vigente, não cabe ao Ipaam a remoção de animais em ninhos ou que estejam em seu habitat natural.

    Números úteis para população para o resgate: 

    Ipaam: 2123- 6774/98438-7964

    Batalhão Ambiental: 3214-8904/ 98842-1547.

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