Fonte: OpenWeather

    Vazante 2018


    Estiagem deste ano já afeta municípios do AM antes do previsto

    Desde o dia 21 de setembro, 21 municípios do Estado estão em “alerta”, em consequência da "vazante".

    Vazante do rio Negro em Manaus | Foto: Ione Moreno

    Manaus - Em pleno verão na Amazônia, os rios, estradas naturais na região, estão sendo monitorados no Amazonas, devido a estiagem, que ocorre neste período do ano. Desde o dia 21 de setembro, 21 municípios do Estado estão em “alerta”, em consequência da "vazante".

    O Boletim de Alerta abrange os municípios de Guajará, Envira, Ipixuna, Eirunepé, Itamarati e Carauari, na calha do Juruá; Boca do Acre, Canutama, Lábrea e Pauini, na calha do Purus, Humaitá, Manicoré, Novo Aripuanã e Apuí no Madeira, e ainda, Atalaia do Norte, Benjamin Constant, São Paulo de Olivença, Tonantins, Amaturá, Tabatinga e Santo Antônio do Iça, na calha do Alto Solimões.

    Ipixuna, na calha do Juruá, está em situação de Alerta desde o dia 21 de setembro
    Ipixuna, na calha do Juruá, está em situação de Alerta desde o dia 21 de setembro | Foto: Divulgação

    De acordo com o Secretário Executivo da Defesa Civil do Estado, coronel Fernando Pires, a seca dos rios este ano, começou antes do esperado e já causa problemas, podendo deixar municípios isolados.

    “Nós já temos balsas encalhando no município de Benjamin Constant, e sabemos que as maiores secas registradas aconteceram na segunda quinzena de outubro. Por isso, nós já ficamos preocupados, porque é natural o processo de vazante, mas quando começa a afetar a navegabilidade das calhas de rios, obviamente estamos atravessando por um problema grave”, explicou Pires.

    Além de Benjamins Constant, os municípios de Atalaia do Norte, também na calha do Alto Solimões, e Ipixuna, na calha do Juruá, estão em situações preocupantes. De acordo com informações da Defesa Civil, os dois municípios devem decretar estado de emergência.

    Conforme o secretário, a quantidade de chuva prevista para este ano é menor do que o esperado. Uma das primeiras preocupações do órgão são as comunidades rurais, já que estes locais estão mais afastados da sede dos municípios, e são os primeiros afetados com a falta de suprimentos por conta da trafegabilidade, que é afetada por conta da estiagem.

    É possível perceber o recuo das águas nos igarapés de Manaus
    É possível perceber o recuo das águas nos igarapés de Manaus | Foto: Ione Moreno

    Nível dos rios

    De acordo com a pesquisadora em Geociências do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), Luna Gripp, os níveis dos rios estão abaixo do esperado, devido a diminuição na quantidade de chuva nos rios que formam o Solimões, fora do Brasil.

    “Realmente temos regiões com níveis de rio bem abaixo do esperado para essa época do ano. Segundo boletim do SIPAM, nas últimas semanas, choveu abaixo da média nas bacias nos rios Napo, Marañon e Ucayali, que são os formadores do Solimões antes da entrada no Brasil. Na bacia do Madeira, a chuva também se apresentou abaixo da média”, disse a pesquisadora.

    Ainda segundo Luna, a estação de Tabatinga está a menos de dois metros para atingir a mínima histórica.

    “Entre as estações hidro meteorológicas que operamos continuamente e estão na região afetada, pode ser citada a estação de Tabatinga. Na última sexta-feira, dia 28 de setembro, o nível do rio atingiu a cota de 1,00m. A cota mínima observada na série histórica foi de -0,86 m em 2010. Ou seja, o rio estava a 1,86 m de atingir a mínima histórica”, exemplificou a representante do CPRM.

    Atualmente está ocorrendo uma transição climática no estado, de acordo com Sipam
    Atualmente está ocorrendo uma transição climática no estado, de acordo com Sipam | Foto: Ione Moreno

    Quantidade de chuvas

    Segundo informações do Chefe de Divisão da Meteorologia do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam), Ricardo Dallarosa, o estado está em período de transição da estação seca para a estação chuvosa.

    “Nesse período ocorrem, alternadamente, dias típicos de estação chuvosa (nebulosidade, temperaturas mais amenas e chuvas) e dias típicos de estação seca (boa presença de sol, temperaturas elevadas e tempo estável). As tempestades marcam também o período, com ocorrências de descargas elétricas e fortes rajadas de vento associadas” disse Dallarosa.

    Ainda segundo o diretor, o volume de chuva esperado para o mês de outubro é tido como normal.

    “Esperamos de 84 a 137 milímetros de precipitações entre 9 e 12 dias do mês. A expectativa da previsão para esse mês é de normalidade, seguindo esses padrões. Há possibilidade de El Niño para mais adiante, já no período chuvoso. Já aparecem na Temperatura da Superfície do Mar, no Pacífico equatorial, áreas anomalamente aquecidas as quais apontam essa possibilidade. O El Niño tem como reflexo um quadro de redução das chuvas na Amazônia, mas não terá influência nesses meses de outubro e Novembro”, finalizou o diretor.

    Funções da Defesa Civil

    A Defesa Civil do Estado recebe as informações do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), da Agência Nacional de Águas (ANA), do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam) e da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) e une com os próprios dados para emitir boletins hidrológicos e meteorológicos, diários, para os municípios.

    Sistema de Alerta

    A Defesa Civil é o órgão responsável de emitir os estágios de um possível desastre. A partir da notificação do órgão estadual, as cidades deverão se preparar para pôr em prática o Plano de Contingência, para o caso de um agravamento da estiagem.

    ATENÇÃO – Situação que informa o início do período de estiagem

    ALERTA – situação protocolar da defesa civil, que é um aviso para os gestores municipais que por conta das previsões meteorológicas e por conta da hidrologia da região, os municípios deverão ficar em alerta caso o rio continue baixando e, caso não chova, colocar em prática o plano de contingência. Isso é, preparar as populações que vivem em área de risco para que não sejam tão afetadas.

    EMERGÊNCIA – quando o município já foi afetado, deve apresentar ao estado qual a necessidade dele se o plano de contingência não suprir a necessidade daquela população, e nesse momento a defesa entra em ação para o ajudar o município com alimentação, potabilidade da água, saúde, trafegabilidade etc.

    CALAMIDADE – o estado que supera todas as forças do município e estado e o governo federal entra para auxiliar.

    O que é o Plano de Contingência

    Cada município possui um plano de contingência, que consta as áreas afetadas, número de famílias que poderão ser afetadas e o que deve ser feito para minimizar os danos e prejuízos para restaurar a situação de normalidade.

    A primeira preocupação é com a trafegabilidade. A defesa civil recomenda, junto à capitania dos portos o uso de embarcações menores e outros procedimentos. Há a disponibilização de hipoclorito de sódio e no mais grave das situações, doam-se filtros de água. Em casos extremos, caminhões pipas fazem o abastecimento de água, quando houver estradas.

    Além da potabilidade, há a demanda de ajuda humanitária com cestas básicas, posto que elas aumentam de valor nesses lugares durante a vazante.

    O município afetado, para restaurar ou evitar um colapso, deve usar a reserva técnica. Um exemplo é a reserva de combustível, que na maioria das cidades, abastecidas por termoelétricas, que funcionam a diesel, guardam uma quantidade de combustível para estocar. Esta é uma recomendação do Plano de contingência, que conta também com a organização para o uso dessa reserva, que pode ser empregado em serviços essências como hospitais, maternidades e a própria sede do município.

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