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    Meio Ambiente


    Bolsonaro recua sobre fusão do Meio Ambiente e Agricultura

    Presidente eleito disse em entrevista a uma TV Católica que o comando do ministério do Meio Ambiente não será ninguém de com perfil “xiita”

    Bolsonaro disse que os dois setores deverão ter ministérios diferentes em seu governo, mas enfatizou que a pasta ambiental não será comanda por nenhum ambientalistas “xiita”.
    Bolsonaro disse que os dois setores deverão ter ministérios diferentes em seu governo, mas enfatizou que a pasta ambiental não será comanda por nenhum ambientalistas “xiita”. | Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

    Manaus - O presidente da República eleito, Jair Bolsonaro (PSL), em entrevista concedida a emissoras de TV católicas, nesta quinta-feira (1º), recuou sobre a fusão dos ministérios do Meio Ambiente e da Agricultura, anunciadas na terça-feira (30) pela sua equipe de transição. Bolsonaro disse que os dois setores deverão ter ministérios diferentes em seu governo, mas enfatizou que a pasta ambiental não será comanda por nenhum ambientalistas “xiita”.

    “Serão dois ministérios distintos, mas com uma pessoa voltada para a defesa do meio ambiente sem o caráter xiita, como feito nos últimos governos”, disse o presidente eleito. “O Brasil é o país que mais protege o meio ambiente. Nós pretendemos proteger o meio ambiente, sim, mas não criar dificuldades para o nosso progresso”, argumentou Bolsonaro.

    A declaração de Bolsonaro veio depois de dois dias de repercussão negativa entre as organizações de defesa do meio ambiente e até mesmo do atual titular do Ministério do Meio Ambiente, Edson Duarte, para quem os dois órgãos são de extrema relevância nacional e internacional e têm agendas próprias.

    Greenpeace e WWF-Brasil afirmaram que, além da possível alta no desmatamento, o Brasil sofreria economicamente diante do olhar internacional
    Greenpeace e WWF-Brasil afirmaram que, além da possível alta no desmatamento, o Brasil sofreria economicamente diante do olhar internacional | Foto: Ricardo Oliveira

    Organizações Não Governamentais como o Greenpeace e a WWF-Brasil reagiram à fusão, com o argumento de sérios prejuízos aos principais biomas brasileiros. As entidades entendem que, além do possível crescimento do desmatamento, por conta da desarticulação da agenda ambiental brasileira, o país seria prejudicado economicamente diante dos consumidores internacionais dos alimentos produzidos no Brasil.

    A WWF-Brasil classificou como um equívoco a fusão anunciada pela equipe de transição do presidente eleito, Jair Bolsonaro, e afirmou que ela enfraqueceria a agenda ambiental brasileira e por consequência fazer explodir o desmatamento em todos os biomas do país, especialmente, na Amazônia e no Cerrado.

    “O gigante patrimônio natural brasileiro exige uma atenção especial, e isso justifica um ministério. Por mais que seja importante uma agricultura mais ambiental, resumir o Meio Ambiente a ele é um grande equívoco, com efeitos negativos para vários setores da economia”, avaliou.

    Para o Greenpeace a decisão anterior do presidente da República eleito foi “um tiro no pé”. Em nota, a ONG enfatizou que, caso a fusão do Ministério do Meio Ambiente com o Ministério da Agricultura se concretize, será um grande equívoco, pois afetará o País tanto do ponto de vista econômico quanto ambiental.

    A entidade observou que o Brasil é o país mais biodiverso do planeta, com a mais importante floresta do mundo, a Amazônia. “Um patrimônio único, que nos ajuda a ser um dos maiores produtores de alimentos do planeta. Precisamos fortalecer as instituições que protegem esse ativo, e não enfraquecê-las”, avaliou.

    O Ministério do Meio Ambiente informou que preparou um detalhado e volumoso trabalho para dar plena ciência de tudo o que tem sido feito na pasta e daquilo que é de responsabilidade da pasta à equipe de transição, mas recebeu com surpresa e preocupação o anúncio da fusão com o Ministério da Agricultura.

    “Os dois órgãos são de imensa relevância nacional e internacional e têm agendas próprias, que se sobrepõem apenas em uma pequena fração de suas competências. Exemplo claro disso é o fato de que dos 2.782 processos de licenciamento tramitando atualmente no Ibama, apenas 29 têm relação com a agricultura”, disse o ministro Edson Duarte.

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