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    Meio Ambiente


    Amazônia já tem mais queimadas em 2020 do que em todo o ano passado

    Desmatamento também já é o maior registrado nos últimos 12 anos

    Pesquisadores vinham alertando para um possível aumento das queimadas em 2020 por causa dos grandes e crescentes níveis de desmatamento dos últimos anos | Foto: Divulgação/ Governo do Mato Grosso

    Manaus – Desde o meio do ano as queimadas da Amazônia ganharam repercussão mundial. Entre galhos, folhas e animais que tem seus habitats destruídos, o fogo na região pode deixar um rastro de destruição por anos, em 2020, as queimadas já ultrapassaram o ano de 2019. Apenas nos dez primeiros meses de 2020, foi superada a cifra total de incêndios em todo o ano de 2019, com 93.356 focos, ante 89.176 no ano passado e 68.345, em 2018. Os dados são Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

    Um dos fatores que contribuem para a crescente quantidade de queimadas, o desmatamento, já é considerado o maior dos últimos 12 anos. O desmatamento na Amazônia entre agosto de 2019 e julho de 2020 atingiu o maior patamar em mais de uma década. Foram 11.088 km² de devastação, a maior taxa registrada desde 2008, conforme o Inpe.

    O porta-voz da campanha de Amazônia do Greenpeace Brasil, Rômulo Batista, enfatizou que os casos de queimada na região continuam a crescer devido a falta de punição dos crimes ambientais no país e possibilitarem a legalização de áreas griladas e a posse de terras.

    “As queimadas continuam crescendo devido a impunidade dos crimes ambientais no país, historicamente menos de 5% das queimadas ilegais eram pagas. Neste governo, apenas 3%. No crime mais grave foi criada uma câmera de conciliação, para aquele que estivesse praticando o crime pudesse ter o direito para se defender. Além disso, a possibilidade de legalização de áreas griladas, faz com que as pessoas tentem se apossar de terras, desmatar e queimar para depois lucrar com isso”, explica.

    Descaso do governo 

    Principal periódico dos Estados Unidos, o The New York Times, diz que um pedaço da floresta queimou quando foi desmatado por madeireiros e fazendeiros no estado do Amazonas
    Principal periódico dos Estados Unidos, o The New York Times, diz que um pedaço da floresta queimou quando foi desmatado por madeireiros e fazendeiros no estado do Amazonas | Foto: Alberto César Araújo/Greenpeace

    Principal periódico dos Estados Unidos, o The New York Times, diz que um pedaço da floresta queimou quando foi desmatado por madeireiros e fazendeiros no estado do Amazonas, e que o “Brasil relaxou suas proteções ambientais sob o presidente Jair Bolsonaro”, que ainda culpou, “sem apresentar nenhuma evidencia”, as organizações não governamentais de atearem fogo na floresta.

    O porta-voz relatou que a falta de planejamento do governo do país apenas demonstra a ausência de compromisso e conservação da área, favorecendo que os crimes permaneçam.

    “Temos essa dificuldade no Brasil de combater esses casos, no atual governo não temos uma política ambiental, não existe um plano com objetivo, metas de redução, operações de inteligência. Tudo isso favorece que casos como esse continuem a ocorrer” 

    O geógrafo e ambientalista Carlos Durigan, ressaltou que durante muito tempo as florestas foram utilizadas sem produzir estragos como vem ocorrendo, devido a ocupação e a pecuária esse cenário pode se agravar ainda mais.

    “O fogo é a forma mais barata de limpar uma área e o que acontece é que ele é usado tradicionalmente por comunidades para agricultura tradicional, por gerações foi utilizado sem muitos estragos. O problema com grandes desmatamentos e queimadas vieram a surgir décadas atrás, com a ocupação trouxe um modo de produzir diferente, com grande impacto e focada em monocultura e pecuária. O que possibilita esse cenário de destruição”, relata.

    Saúde da população

    No relatório produzido por entidades da sociedade civil foi mostrado que no ano passado, 2.195 pessoas foram internadas em hospitais públicos da região amazônica com problemas respiratórios devido a fumaça das queimadas.

    Das internações na região 21% foram de bebês de até um ano e 49% de idosos, segundo o Sistema Único de Saúde (SUS).

    Em busca de soluções

    Ricardo pontuou que o Greenpeace já tomou iniciativas emergenciais que foram enviadas para o Congresso e o Senado. Para ele, deve ser aplicado o plano de ação e prevenção, como também a demarcação de terras indígenas. “O Greenpeace com outras organizações enviou cinco ações emergenciais. Uma delas seria um ambulatório de cinco anos de desmatamento na Amazônia.".

    Ainda para o ambientalista, devido à falta de investimento do governo em áreas como essa, as estruturas estão se tornando frágeis para o espaço de produção sem fiscalização.

    “Não há controle, não tem gente, não tem recurso e, reflete a falta de interesse político. Os governos não investem em uma estrutura de controle ambiental, de fiscalização, proteção das terras públicas e que acabam sendo ocupadas irregularmente, dando espaço para uma produção insustentável”, ressalta.

    Conservação e Uso Sustentável

    Por se estender em nove países e ser considerada a maior biodiversidade do planeta, a região amazônica está presente nos estados da região Norte - Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins. Demostrando dessa forma um imenso potencial em conversação e o desenvolvimento da bioeconomia.

    Para Batista, a população e o governo devem valorizar a floresta ainda com sua biodiversidade e riqueza e tomar iniciativas para a produção de uma nova economia se formando, principalmente em um momento pós-Covid. 

    “É preciso pensar como valorizar a floresta em pé, temos toda uma nova economia se formando, o momento pós Covid, é uma possibilidade de recomeçar e reestruturar cadeias econômicas de valor para produtos florestais que não necessariamente passa por desmatamento”, conta.

    Para o ambientalista, caso a região não seja conservada, o ciclo de degradação irá aumentar e resultará na erosão de sua riqueza e os benefícios da Amazônia para a população.

    “O resultado disso para o futuro da Amazônia é que se não houver controle, a região irá entrar num ciclo de degradação que vai fazer com que tenhamos uma erosão da riqueza da Amazônia e, dos serviços ambientais que a região nos oferece, se perdemos “, explica.

    Ações

    A Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) informou que a atual gestão da pasta tem como prioridade de atuação o desenvolvimento de políticas públicas e ações de combate que visem a diminuição do desmatamento e das queimadas no Amazonas, em parceria com os órgãos de segurança e fiscalização ambiental. 

    No campo das políticas destaca-se o Plano Estadual de Prevenção e Controle ao Desmatamento e Queimadas (PPCDQ-AM), instituído no dia 5 de junho de 2020, a partir do decreto nº 42.369, para orientar a gestão ambiental do Estado no biênio 2020-2022.  

    Em 2020, o Governo do Estado do Amazonas implementou a Operação Curuquetê 2, para atuar no combate às queimadas e desmatamento ilegal. Conduzida pelo Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), a segunda etapa da força-tarefa integrou, de forma inédita, o Sistema Estadual de Meio Ambiente e o Centro Integrado de Comando e Controle (Cicc) da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (Ssp-AM), para reforçar o serviço de Inteligência das ações. 

    Até o fim desta matéria a assessoria do Ibama não se pronunciou sobre ações e projetos para diminuir casos de queimadas na região.

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