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    Pesquisa


    Estudo registra queda nas populações de aves da Floresta Amazônica

    Uso de químicas e microclimáticas podem ser uma das razões para alteração da quantidade populacional de aves em regiões sem interferência humana

     

    A espécie pinto-do-mato-carijó é uma das espécies em declínio
    A espécie pinto-do-mato-carijó é uma das espécies em declínio | Foto: Georges Duriaux

    Manaus – Aves que estão longe da interferência humana registraram diminuição na Floresta Amazônica. A afirmação é do estudo “Louisiana State University (LSU)”, feito por cientistas americanos e realizado na região Norte de Manaus.

    Da área de Relevante Interesse Ecológico (ARIE), do Projeto Dinâmica Biológica de Fragmentos Florestais (PDBFF), a pesquisa mostra que a biodiversidade avifauna da floresta foi monitorada por mais de 35 anos, sem interferência humana. A redução ocorreu, principalmente, com aves que exploram o chão da floresta.

    Em 2008, logo no início no monitoramento, foram observadas algumas aves que eram abundantes, mas que ao longo do projeto foram desaparecendo. Os pássaros que vivem nas partes baixas da floresta e, que se alimentam de insetos no solo, demonstraram uma erosão na biodiversidade.

    O doutor e pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Mario Cohn- Haft, explicou que algumas espécies têm demonstrado um declínio em espécies de pássaros, mas que também houve aumento populacional em outras.   

    “Esse trabalho mostra que está ocorrendo a redução de algumas espécies de pássaros e o aumento populacional de outras. Esse efeito é causado por distúrbios na floresta, como desmatamento, fragmentação e degradação da floresta”, comentou.

    Mudanças climáticas podem ser o motivo

    Para o pesquisador, por terem sido evidenciadas em locais sem interferência humana, uma das razões para a mudança populacional dessas espécies podem ser as mudanças climáticas.

    “Esse estudo demonstrou que em áreas intactas, as espécies não foram encontradas na mesma quantidade, mas a direção é justamente o que se acha em locais tocados pelo ser humano. A explicação é que sejam mudanças climáticas, isso porque as causas dessas mudanças são justamente em microclimas, quando você corta uma floresta e expõe a borda da mata ao sol, resulta nesse problema”, disse.

    Uma das outras razões pode ser a utilização de químicas no ecossistema, que demoram para a degradação. “Existem outros possíveis contribuintes como o uso de muitas químicas, como inseticidas que ficam no ecossistema e circulam de predador para outro, essas químicas não se degradam rapidamente, então pode ser que a população de insetos também esteja sofrendo por envenenamento”, pontuou.

    Espécies

    O pinto-do-mato-carijó é uma das espécies que se encontra em abundância desde 1980 e que demonstrou declínio. Essa ave busca alimento em folhas secas, na serapilheira da floresta. O uirapuru-verdadeiro, outra ave em declínio, também é uma das que são raramente avistadas.

    Os cientistas também descobriram que as aves que se alimentam de frutos também estão em abundância. O resultado pode gerar aves onívoras, com uma dieta cada vez mais variada, podendo ajustar seus hábitos conforme as mudanças climáticas.

    Sobre o projeto

    O Projeto pesquisa a biodiversidade de florestas de terra firme na Amazônia Central há 40 anos. No passado, o PDBFF já foi um convênio binacional entre o Inpa e o Smithsonian Tropical Research Institute. O PDBFF realiza os estudos em reservas da Área de Relevante Interesse Ecológico ARIE-PDBFF, administrada em cogestão pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e Inpa.

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