Fonte: OpenWeather

    Gases tóxicos


    Poluição é um dos fatores para número de doentes respiratórios e do coração; veja infográfico

    Em Manaus, os maiores vilões da poluição são os automóveis e as queimadas irregulares

    Veículos são grandes contribuintes para a emissão de gases poluentes. | Foto: Arquivo AET

    O recente estudo publicado pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), sobre os níveis de concentração do dióxido de carbono (CO2) na atmosfera, trouxe um alerta para a população mundial. A quantidade recorde do ano passado pode trazer um aumento perigoso para a temperatura do mundo todo, além de ser um dos fatores para o número de doenças respiratórias e do coração.

    Segundo a chefe de Vigilância de Água, Solo e Ar da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), Jocilene Galúcio, a atmosfera da capital ainda é relativamente limpa. No entanto, se o nível de poluição se mantiver, além da mudança climática, a cidade, assim como o mundo todo, sofrerá ainda mais, com doenças adquiridas pela alteração das temperaturas. 

    “Em todo o planeta as mudanças climáticas causam sérios problemas à saúde. A previsão é que a temperatura no planeta aumente entre 4° e 5°C. Em Manaus as temperaturas que já chegam a 40°C poderão atingir até 45°C” informa Jocilene.

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    Já o cardiologista Aristóteles Alencar explica que a matriz energética manauense, a base de diesel, traz grande perigo à população. “Quando queimado, o diesel solta micropartículas que, ao serem inaladas, entram pela corrente sanguínea da pessoa e podem provocar problemas do coração como, por exemplo, um infarto”, diz.

    Ainda segundo Alencar, as pessoas que praticam esportes em áreas de muita poluição correm um sério risco de saúde. “Quem corre ou pratica alguma atividade física próximo de áreas com intensa circulação de ônibus e carros tem a saúde comprometida ao inalar os gases liberados”, informa, ao ressaltar que crianças e idosos são os que mais correm risco.

    A quantidade recorde do ano passado pode trazer um aumento perigoso para o número de doenças respiratórias e do coração.
    A quantidade recorde do ano passado pode trazer um aumento perigoso para o número de doenças respiratórias e do coração. | Foto: Adyel Vieira

    Fatores e soluções

    Por sua vez, ainda conforme a chefe de Vigilância de Água, Solo e Ar, os maiores vilões para a qualidade do ar, em Manaus, são os automóveis e as queimadas irregulares de lixo ou folhas secas. 

    “A maior contribuição vem da poluição veicular e das queimadas urbanas, assim como a contribuição de poluição transfronteiriça, ou seja, a queimada ocorre em outros municípios ou até em outros Estados e a fumaça e seus resíduos são trazidos para a atmosfera de Manaus”, explica Jocilene Galúcio.

    Para a servidora, uma das soluções para melhorar a qualidade do ar na cidade depende da mudança de comportamento da população. “A conservação da qualidade do ar tem fatores determinantes que passam por questões culturais bem simples como acender um fogo para queima de lixo, por exemplo. Infelizmente muita gente ainda usa deste recurso”, conta.

    Para o engenheiro ambiental e membro dos Conselhos Estaduais do Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos da Região Metropolitana do Amazonas, Alan dos Santos Ferreira, um dos maiores problemas está relacionado aos gases emitidos pelas chaminés do Polo Industrial de Manaus (PIM). Segundo o engenheiro, estas construções devem ser vistoriadas constantemente. 

    "As chaminés do Polo Industrial precisam reparos anuais, para que os dispositivos que cuidam da limpeza dos gases expelidos continuem eficazes. Este é um método muito arcaico de liberação desses gases e que acaba contribuindo ainda mais com o aumento da poluição" fala Ferreira.

    O profissional conta que os métodos sustentáveis para despejo desses gases ainda tem um custo de implantação muito alto, o que inviabiliza sua utilização.

    VigiAR

    Para monitorar a qualidade do ar na cidade, o Ministério da Saúde (MS), por meio da Semsa, implementará a Vigilância de Populações Expostas à Poluição do Ar (VigiAR). O sistema foi criado para promover a saúde das populações dos municípios a partir da observação dos poluentes atmosféricos.

    O secretário municipal de Saúde, Marcelo Magaldi, explica que o sistema VigiAR é uma das estratégias para o monitoramento do ar em áreas de maior potencial de poluição e para a tomada de decisões relativas à redução de riscos à saúde.

    O projeto será realizado em parceria com pesquisadores da Universidade Estadual do Amazonas (UEA), conforme comenta a chefe do setor de Vigilância de Água, Solo e Ar da Sema. " A universidade detém os métodos e ferramentas para medir a qualidade do ar e, com esses dados, será possível isolar a contribuição da poluição por zonas da cidade. Já existem estudos em execução na UEA para medir esses níveis de emissão de gases", conta.


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