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    Pesquisador desenvolve tese sobre viabilidade de plantio do pau-rosa

    Estudo foi realizado durante o doutorado do engenheiro florestal Pedro Krainovic no Inpa, na área de Ciências de Florestas Tropicais

    As amostragens do estudo foram feitas nos municípios de Maués e Novo Aripuanã. | Foto: Divulgação/ Pedro Krainovic
    O óleo essencial do pau-rosa contém o linalol, importante para a indústria de perfumaria.
    O óleo essencial do pau-rosa contém o linalol, importante para a indústria de perfumaria. | Foto: Divulgação/ Pedro Krainovic




    Manaus - Uma pesquisa desenvolvida no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) mostra que é possível conservar, mediante o manejo de plantios comerciais e com métodos não-destrutivos, a árvore de pau-rosa, que produz um dos óleos essenciais mais valiosos na perfumaria mundial. O estudo foi desenvolvido durante o doutorado em Ciências de Florestas Tropicais do engenheiro florestal Pedro Krainovic, com orientação de Paulo de Tarso Sampaio, do Inpa.

    Por causa de sua superexploração extrativista, o pau-rosa, que já foi o terceiro produto da balança comercial do Amazonas, está ameaçado de extinção. Isso ocorre devido à colheita da espécie ocorrer a partir da remoção de 100% da copa ou de toda a árvore, depois de o tronco ser cortado 50 centímetros acima do solo. No entanto, o estudo de Krainovic mostra que é possível manejar a planta com métodos não-destrutivos, também chamado de manejo da biomassa aérea.

    O óleo essencial do pau-rosa contém o linalol, importante para a indústria de perfumaria.
    O óleo essencial do pau-rosa contém o linalol, importante para a indústria de perfumaria. | Foto: Divulgação/ Pedro Krainovic

    A pesquisa

    O trabalho de Krainovic, defendido em 2017, englobou desde aspectos de planejamento e contribuição para mudanças climáticas (modelagem de biomassa), passando pelo manejo da biomassa aérea propriamente dito com a aplicação de métodos silviculturais (aspectos de colheita e acompanhamento da rebrota) e concluindo com estudos sobre a qualidade do produto final (óleo essencial).

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    As amostragens para o estudo foram feitas em três plantios de pau-rosa, sendo dois em Maués (a 276 km de Manaus), e um em Novo Aripuanã (a 227 km da capital). 144 árvores foram analisadas, das quais 36 foram podadas e 108 cortadas, de forma a permitir o crescimento de novos brotos. “Foram cerca de 10 toneladas de material fresco avaliado. Foi a maior amostragem já feita para a espécie”, destaca o doutor.

    As amostragens do estudo foram feitas nos municípios de Maués e Novo Aripuanã.
    As amostragens do estudo foram feitas nos municípios de Maués e Novo Aripuanã. | Foto: Divulgação/ Pedro Krainovic

    De acordo com o estudo, é possível plantar espécies nativas da Amazônia e obter produtos com diferentes qualidades, o que pode ser interessante para o mercado. O estímulo à cadeia produtiva desses produtos pode alavancar a economia do Estado e, ao mesmo tempo, reduzir a pressão de exploração sobre as populações naturais e com potencial para geração de renda, emprego e desenvolvimento.

    Repercussão no mundo científico

    A tese de Krainovic originou dois artigos publicados numa revista científica da Suíça. Um dos trabalhos foi capa da revista Forests, de setembro de 2017, e outro foi parte da edição especial Forest Ecology and Management, também da Forests, em novembro de 2017. Os trabalhos têm ainda possibilidade de serem apresentados em congressos importantes da área na Holanda e no Japão.

    O linalol

    O óleo essencial do pau-rosa contém o linalol, substância importante na fabricação de perfumes finos, como o Chanel N° 5, lançado em 1921. “O grande diferencial do óleo essencial de pau-rosa brasileiro é que há uma boa quantidade de linalol, adicionado a um buquê de fragrâncias único, fornecido somente por essa espécie, o que é de interesse da indústria de cosméticos e de perfumaria mundial”, explica Krainovic.


    Edição: Luís Henrique Oliveira


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