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    Meio ambiente


    Maior soltura da história devolve dez peixes-bois aos rios da Amazônia

    Os animais serão levados pelos pesquisadores e criadores do Inpa para a RDS Piagaçu-Purus, no baixo Purus

    Ameaçados de extinção, os dez peixes-bois serão reintroduzidos na RDS Piagaçu-Purus, onde ficarão longe do risco de caça
    Ameaçados de extinção, os dez peixes-bois serão reintroduzidos na RDS Piagaçu-Purus, onde ficarão longe do risco de caça | Foto: Divulgação

    Manacapuru - A maior expedição de reintrodução da história do Brasil levará dez peixes-bois, que foram vítimas da caça ilegal, de volta aos rios da Amazônia. Os animais serão levados pelos pesquisadores e criadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) para a RDS Piagaçu-Purus, no baixo Purus, um dos principais rios da Amazônia, onde serão monitorados para acompanhar a readaptação.

    A expedição ocorrerá entre os dias 31 de março e 3 de abril. Com o intuito de restabelecer a população deste mamífero aquático, que tem apenas na Amazônia, os animais passam um bom tempo se readaptando em um lago semi-aberto, explica a pesquisadora do Inpa Vera da Silva. “Antes da soltura definitiva eles passam por um período de preparação no semi-cativeiro de pelo menos um ano, num lago privado de piscicultura, em Manacapuru (município a 68 Km de Manaus)”.

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    “Nossa ideia é levar de maneira inédita dez animais de uma só vez. Normalmente, o Inpa tem reintroduzido de quatro a cinco indivíduos por ano, mas o sucesso das solturas passadas com os animais se readaptando muito bem à natureza, nos permitiu acelerar o processo”, explica o responsável pelo programa de reintrodução, o biólogo Diogo Souza.

    Com a retirada dos dez animais do semi-cativeiro, ficarão outros 14 no lago, e em Manaus, nos tanques do Bosque da Ciência do Inpa, estão outros 53 peixes-bois vivendo, entre adultos e filhotes, onde recebem manejo adequado para reabilitação. 

    Ameaçados de extinção

    O peixe-boi (Trichechus inunguis) da Amazônia é uma das espécies que encontra-se ameaçado de extinção por conta da caça e comércio ilegal. Os peixes-bois são alvos fáceis para a caça, pois segundo os pesquisadores são animais muito dóceis, embora sejam grandes, tem movimentos lentos, o que facilita a caça ilegal.

    O biólogo Diogo Souza ressalta a importância das ações de Educação Ambiental para sensibilizar os comunitários e também as novas gerações quanto a mudança de postura em relação ao peixe-boi na natureza.

    “A gente escolheu a Piagaçu-purus porque há mais de dez anos existem ONGs e projetos sociais na reserva gerando renda para a comunidade, e as ações de Educação Ambiental sensibilizam muito sobre a importância fundamental que peixe-boi exerce no meio ambiente, e ao mesmo tempo essas ações sociais mostram que é possível essa geração de renda e também a implantação de uma nova postura na comunidade em relação ao manejo da fauna”, explicou Souza

    Expedição 

    A equipe sairá da sede do Inpa, em Manaus, na madrugada do dia 31 de março (sábado) e deverá chegar ao amanhecer, no lago do semi-cativeiro, em Manacapuru. Lá, os dez peixes-bois selecionados deverão ser recapturados um a um e transportados de caminhão até o barco, numa distância de 500 metros.

    O barco, ancorado às margens do rio Solimões, estará equipado com três piscinas de fibra para acondicionar os animais durante a viagem, que deverá durar 15 horas até a RDS Piagaçu-Purus, localizada entre os interflúvios Purus-Madeira e Purus-Juruá. Engloba os municípios de Beruri, Codajás, Coari, Tapuaá e Anori.  

    Durante a viagem, os animais serão monitorados pela equipe do LMA, que fará rodízio para avaliação do comportamento dos animais e verificação da frequência respiratória e troca de água das piscinas.       

    A chegada da equipe e dos peixes-bois está prevista para o dia 1º de abril pela manhã, quando haverá uma atividade ambiental com as comunidades da reserva para conscientizar sobre a importância da preservação do peixe-boi.  Na tarde do mesmo dia, a expedição segue para o local de soltura, um lago de várzea, na RDS Piagaçu-Purus. Serão soltos na natureza cinco animais por dia e iniciado o monitoramento por telemetria. Após o encerramento da atividade, prevista para a tarde do dia 2 de abril (segunda-feira), a equipe retorna para a capital devendo chegar na manhã seguinte (3).

    Edição: Isac Sharlon

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