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    SUSTENTABILIDADE


    COP14: ministro defende o uso sustentável da Biodiversidade

    Titular da pasta do Meio Ambiente defendeu, na COP-14, investimentos em pesquisa, tecnologias limpas e uso menor de recursos não renováveis em processos produtivo

    O discurso do ministro é no mínimo contraditório diante do cenário degradável em que vivem os institutos de pesquisas federais brasileiros e entidades que prestam serviços para o governo nesse campo
    O discurso do ministro é no mínimo contraditório diante do cenário degradável em que vivem os institutos de pesquisas federais brasileiros e entidades que prestam serviços para o governo nesse campo | Foto: Reprodução


    Sharm El Sheikh (Egito) - O ministro do Meio Ambiente, Edson Duarte, defendeu, na 14ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP-14), a importância de investimentos em pesquisa, desenvolvimento de tecnologias limpas e o uso menor de recursos não renováveis em processos produtivos.

    “Temos trabalhado juntos no desenvolvimento de ferramentas de gestão de negócios, para que as empresas possam valorar sua dependência e impactos sobre os ecossistemas, praticando a responsabilidade socioambiental”, afirmou.

    O discurso do ministro é no mínimo contraditório diante do cenário degradável em que vivem os institutos de pesquisas federais brasileiros e entidades que prestam serviços para o governo nesse campo. Um grande exemplo desses é o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), responsável pelos estudos da maior reserva ambiental do planeta, que hoje vive às custas de recursos reduzidos pela União, com um número bem reduzido de pesquisadores, sem perspectiva de renovação do quadro.

    Nos dias 14 e 15, Edson Duarte participou do Segmento de Alto Nível da COP-14, que neste ano tem como tema “Investindo em biodiversidade para as pessoas e o Planeta”. Na pauta, os desafios para a integração de políticas de conservação da biodiversidade em setores como infraestrutura, manufatura e processamento, energia e mineração, além de saúde. A conferência ocorre em Sharm El Sheikh, no Egito, até o dia 29  de novembro.

    A reunião internacional tem como objetivos monitorar os avanços das deliberações da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) e estabelecer novas medidas de conservação, uso sustentável e compartilhamento justo e igualitário dos benefícios associados ao uso do patrimônio genético.

    A delegação brasileira prossegue a participação na COP-14, atuando no segmento técnico, com atenção para temas de interesse do Brasil, como planejamento territorial, biodiversidade costeira e marinha, biossegurança, acesso a recursos genéticos e repartição de benefícios, mecanismos de financiamento, contas econômicas ambientais, grandes áreas marinhas protegidas e espécies ameaçadas de extinção.

     Marco regulatório

    Em painel sobre integração de biodiversidade nos setores de manufatura e processamento, o ministro Edson Duarte defendeu a implementação de instrumentos econômicos inovadores para garantir que o uso sustentável da biodiversidade gere renda e crescimento econômico, ao mesmo tempo em que canalize recursos para a conservação. “A crescente demanda por produtos sustentáveis tem reflexos diretos no ambiente de negócios”, disse.

    O Brasil atualizou seu marco regulatório de Recursos Genéticos da Biodiversidade (ABS, na sigla em inglês) com o objetivo de estimular o uso sustentável, consciente e transparente dos recursos genéticos. “A legislação brasileira estabelece regras claras de repartição de benefícios, prevendo que 1% da receita líquida anual obtida a partir da exploração econômica do produto acabado seja repartida por instrumentos monetários ou diretamente, por meio de ações das empresas para a conservação da biodiversidade”,  explicou o ministro.

    Para Edson Duarte, a repartição de benefícios de produtos manufaturados e processos derivados de Pesquisa e Desenvolvimento oriundos de recursos genéticos representam um futuro promissor para o país. Em um ano de funcionamento do novo modelo, cerca de 43 mil atividades de pesquisa e desenvolvimento foram formalizadas e mil termos para a repartição de benefícios foram celebrados.

    No dia 19, o tema ABS será foco de um evento paralelo coordenado pelo Brasil. Na ocasião, o país apresentará as inovações e os resultados alcançados com a experiência do país em Acesso e Repartição de Benefícios. O objetivo é disseminar as lições aprendidas com o modelo brasileiro e oferecer cooperação técnica aos países que ainda não possuem políticas nessa área em suas leis domésticas.

     Magadiversidade

    Edson Duarte participou, também, na manhã de ontem (15), de reunião dos Países Megadiversos Afins (LMMC), na qual os representantes de 20 nações assinaram uma Declaração. O documento consolida a posição do LMMC sobre temas como as Metas de Aichi, integração, informação de sequência genética, Aliança para Extinção Zero e agenda pós 2020.

    Os países que integram o LMMC (Brasil, África do Sul, Bolívia, China, Colombia, Costa Rica, Congo, Equador, Etiópia, Filipinas, Guatemala, Índia, Indonésia, Irã, Kenya, Madagascar, Malásia, México, Peru e Venezuela) abrigam 70% da biodiversidade mundial e o conhecimento tradicional associado a esse patrimônio. Eles se reúnem paralelamente à Conferência das Partes (CBD), negociando e influenciando processos de tomada de decisão.

     Na ocasião, o ministro apresentou ações e programas brasileiros de conservação da biodiversidade. Nos últimos dois anos as áreas protegidas no Brasil cresceram 119% e hoje totalizam 173 milhões de hectares. A proteção em regiões marinhas aumentou de 1,5 para 26%.

    “O Brasil reafirma seu protagonismo em biodiversidade com a elaboração dessa declaração assinada durante a Conferência das Partes. Além de ser o país com a maior biodiversidade do planeta, assume seu papel como liderança mundial”, disse.

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