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    O que você publica nas redes sociais pode te prejudicar no trabalho?

    Seu perfil nas redes sociais é observado da mesma forma que seu currículo ou seu dia a dia de trabalho, dizem especialistas

    Demissão por publicações em redes sociais é possível, veja por quê. | Foto: Marcelo Cadilhe

    Manaus - Que as redes sociais são espaços pessoais e que o direito de expressar ideias e posicionamentos é garantido - inclusive na Constituição - isso é inquestionável. Porém, esse não é um direito absoluto e os limites são bem definidos, especialmente no mundo digital que envolve trabalhador. E quem duvidou que estamos na era da vigilância online?

    O advogado trabalhista Luciano Mourão explica os detalhes. "Não pode um empregado e nenhuma outra pessoa usar de sua liberdade de expressão para ofender a honra, vida privada ou qualquer direito da personalidade de outra pessoa. A liberdade de expressão, como todos os outros fundamentais, são relativos, ou seja, não são absolutos. Melhor esclarecendo: não é pelo fato de ser um direito garantido constitucionalmente que se pode gozar dele livre e ilimitadamente, isso quer dizer, possui limites”, descreve.

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    Um caso de demissão efetuada por causa de rede social aconteceu com a empresária Lucy Almeida, de 33 anos. Há 6 anos, ela trabalhava em uma joalheria e foi demitida pelo estilo de vida que publicava na nas redes sociais. “Eu ia a muitas festas, já tinha tatuagens, meu estilo de roupa era diferente e o ambiente de trabalho era muito conservador, além de que as pessoas [colegas de trabalho] eram bem religiosas. As reclamações começaram e disseram até que eu estava levando o 'demo' para o ambiente de trabalho. Enfim, fui demitida e processei a empresa, ganhei a ação e atualmente trabalho só para mim”, relata a empresária com satisfação.

    Outra pessoa que foi demitida por uma publicação em internet, mas que preferiu não se identificar, conta que trabalhou em uma empresa de finanças por 3 anos. A demissão foi por causa de uma publicação sobre lei trabalhista. ”Eu trabalhava numa empresa e seguia páginas de leis para serem aprovadas ou indo para aprovações. Uma delas estava falando sobre o SID e postei porque achei interessante. Eu jamais pensei em contrariar a empresa. A dona da empresa e outros funcionários viram o post e no outro dia fui chamada para ir no RH. Quando perguntei o motivo, a pessoa do RH falou que foi por causa do post que fiz. Essa situação é muito chata. Eu achei uma invasão de privacidade. Aí eu aprendi a nunca mais adicionar colegas de trabalho, donos e superiores nas minhas redes sociais", explica a mulher, de 27 anos.

    Punições

    O advogado Luciano Mourão informa que o trabalhador está passivo a punições legais em caso de comprovação dos fatos. "Pode ser punido com advertência, suspensão do contrato de trabalho e, até mesmo, com justa causa. Eis que há permissivo legal nesse sentido, pois a CLT, em um de seus dispositivos, afirma que é punível com justa causa o empregado que pratique ato lesivo da honra ou da boa contra o empregador e superiores hierárquicos", frisa.

    Advogado trabalhista Luciano Mourão  atua há nove anos na área.
    Advogado trabalhista Luciano Mourão atua há nove anos na área. | Foto: Divulgação

    Luciano relembra um caso da 15ª Região, em Manaus, em que um colaborador foi demitido por justa causa por problemas nesse sentido. "O empregado foi dispensado por justa causa, onde, embora não tenha exteriorizado de forma direta uma opinião desabonadora contra seu empregador, curtiu e colocou aplausos a um post ofensivo em que um ex-colega de profissão, demitido anteriormente, postou os comentários ofensivos", relata.

    Ou seja, não precisa ser uma ofensa direta e escrita, pode até mesmo se dar por meio indireto, onde basta uma curtida ou simpáticos emojis em publicações, por exemplo.

    Dicas do consultor

    “As empresas estão de olho no que o empregado publica nas redes sociais”. A afirmação é do Coach Executivo Vicente Esteves que já acompanhou vários casos de trabalhadores demitidos por causa de publicações em redes sociais. A máxima no quesito é: você está sendo vigiado, para seleções ou para ser excluído delas.

    De acordo com o Coach Executivo Vicente Esteves, no mercado há 17 anos, as redes falam muito do comportamento pessoal fora do ambiente de trabalho, o que pode refletir dentro da companhia e, caso o colaborador apresente algum tipo de comportamento impróprio, as empresas podem buscar as redes sociais para validar isso.

    O coach Vicente Esteves está com 17 anos de carreira, em vasta experiência em multinacionais nas áreas de Qualidade, Supply Chain e Recursos Humanos.
    O coach Vicente Esteves está com 17 anos de carreira, em vasta experiência em multinacionais nas áreas de Qualidade, Supply Chain e Recursos Humanos. | Foto: Divulgação

    "Eu tive casos como gerente de recursos humanos em que desliguei funcionário e tive evidências por publicações em redes sociais. O empregado me deu um atestado de três dias alegando conjuntivite, mas seu superior me relatou uma foto postada em que o mesmo se encontrava em uma cachoeira em Presidente Figueiredo com uma lata de cerveja na mão. Verificamos o atestado junto ao posto de saúde e era falso, assim como a assinatura do médico. O resultado foi demissão", descreve.

    Para usar as redes sociais como aliadas, o coach lista uma série de ações que podem ajudar na confecção de um espaço proveitoso para o usuário e para as empresas que podem vir a contratá-lo.

    Pense que, enquanto individuo você é um só, você reflete no trabalho o que você é na vida pessoal.

    - Tome cuidados para que sua pegada digital não se torne problema no futuro.

    - Aproveite os sites para o lado profissional. Exemplo é o Linkedin, ele ajuda na rede de relações de trabalho, o chamado network, e separa as demais redes sociais mais pessoais de uma rede profissional.

    - Siga empresas do seu interesse, use as plataformas além do entretenimento. Pesquise e siga empresas que você gostaria de trabalhar.

    - Se você já esta trabalhando, cuidado com o que publica. Atente para que as fotos não exponha nada especifico da empresa.

    - Muito cuidado com o que se escreve.

    Mais informações sobre o coach acesse: www.vecoaching.org

    Edição: Lívia Nadjanara

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