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    Música que transcende: banda Blue Birds é patrimônio imaterial do AM

    Com cinco décadas de existência, a Blue Birds movimentou os clubes de Manaus e marcou a memória de muitos amazonenses com o melhor da música nacional e internacional

    No dia 29 de junho (sábado), a banda vai realizar uma apresentação especial no Teatro Amazonas para comemorar os 50 anos de carreira | Foto: Marcely Gomes

    Manaus — Quando quatro jovens decidiram, em 1967, criar uma banda de "iê-iê-iê", ninguém imaginaria que ela se tornaria um dos conjuntos com maior longevidade da história amazonense. Com cinco décadas de existência, a Blue Birds movimentou os clubes de Manaus e marcou a memória de muitos amazonenses com o melhor da música nacional e internacional. Não é à toa que a banda foi declarada Patrimônio Cultural Imaterial do Estado do Amazonas por unanimidade em fevereiro deste ano.

    Entre bailes e ensaios, a banda carrega muitas histórias. Mais de 150 músicos passaram pelo conjunto, mas, não importando a formação, os valores foram sempre os mesmos. A banda nunca teve uma pausa e nem mesmo faltou uma apresentação sequer, deixando claro o profissionalismo e o carinho pelo fiel público da Blue Birds. 

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    Segundo o líder da banda, Roberto Sá Gomes, a banda viveu uma época áurea da música amazonense. "A vida de artista é complicada, todos sabem disso, mas nós costumávamos viver de música, com muita paixão e dedicação", afirma ele. Os sucessos de Queen, Beatles, Rolling Stones e outros grandes artistas internacionais passaram pelas mãos dos músicos da Blue Birds, que, com a entrada de Beto, também passou a tocar sucessos nacionais.

    Clubes de Manaus ferveram com as apresentações do conjunto durante muitos anos, mas a banda nunca deixou de exercer o filantropismo. "A solidariedade sempre esteve muito presente na Blue Birds, sempre fizemos apresentações com renda revertida para instituições carentes de Manaus que fazem um trabalho bonito e precisam de doações", comenta o músico. "Nós passamos tantos anos juntos, em ensaios e shows, que realmente viramos uma família".

    Mais de 150 músicos já passaram pelo conjunto durante as cinco décadas de história da banda
    Mais de 150 músicos já passaram pelo conjunto durante as cinco décadas de história da banda | Foto: Marcely Gomes

    E, de fato, o dom e a paixão pela música correm no sangue dos integrantes da Blue Birds. A cantora Isabela Varjão conta com a presença de duas filhas, Luciana e Juliana Lameiras, que também compõem o coro da banda. "Eu levava as minhas filhas aos ensaios, elas ficavam ouvindo, acompanhando nossas músicas", conta Isabela. "Aos poucos, elas passaram a participar dos shows quando algum integrante não podia e, quando percebemos, elas já eram integrantes da banda".

    Construir uma carreira sólida e de muitos anos não é tão fácil. A banda sobreviveu à concorrência de outras bandas da década de 60 e o fim dos bailes na década de 90. "Fomos os primeiros a colocar mulheres nos vocais - porque, na época, ter uma mulher em show era 'mal visto' —, os primeiros a colocar instrumentos de metais, os primeiros a ter um conjunto tão grande em palco", afirma Beto. A certeza é de que a Blue Birds não é apenas uma banda de bailes. "A banda não existiria se não fossem esses músicos incríveis e dedicados que nós temos até hoje", afirma.

    A vida da banda está sendo contada pelas mãos de Beto, que atualmente escreve o livro "Blue Birds: histórias e memórias". Pelas mãos do vice-governador Bosco Saraiva e do deputado Mário Bastos, a banda foi declarada Patrimônio Cultural Imaterial do Estado do Amazonas por unanimidade em fevereiro deste ano. Para Isabela, a homenagem é o resultado de muito trabalho e esforço no cenário musical. "É emocionante ver o nosso esforço reconhecido dessa forma", diz ela. "Não importa o que aconteça, se os músicos todos morrerem e a banda parar de se apresentar, a Blue Birds vai além e vai sempre existir".

    No dia 29 de junho (sábado), a banda vai realizar uma apresentação especial no Teatro Amazonas, localizado na rua 10 de Julho, Centro de Manaus. A partir das 19h, o público vai apreciar o show em comemoração aos 50 anos de carreira da Blue Birds. A entrada é 1kg de feijão, arroz, macarrão ou leite, que será doado para o Instituto Filippo Smaldone.

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