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    Música


    Projeto transforma materiais recicláveis em instrumentos musicais

    Na Semana Nacional do Meio Ambiente, o grupo Tambores Pentecostais comemora três anos de existência, unindo arte e sustentabilidade na capital amazonense

    Inicialmente, o grupo foi pensado para uma apresentação única e hoje comemoram três anos de existência | Foto: Divulgação

    Manaus — Garrafas, barris e até caixas de pizza. Itens que, geralmente, vão parar no lixo, ganham outro sentido nas mãos do grupo Tambores Pentecostais. Ao todo, são 45 pessoas que produzem batuques e sons a partir de materiais recicláveis. Na Semana Nacional do Meio Ambiente, o grupo comemora três anos de existência, mostrando o casamento perfeito da sustentabilidade com a arte.

    Inicialmente, o grupo foi pensado para uma apresentação única, em comemoração ao aniversário de 50 anos da Igreja de Deus Pentecostal do Brasil (IDPB) do Educandos, bairro na Zona Sul de Manaus. O que deveria ter durado apenas uma noite, porém, persistiu até hoje e cresceu de forma inesperada entre os membros da instituição.

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    Latinhas viraram repiques, garrafas pet viraram chocalhos e barris viraram surdos
    Latinhas viraram repiques, garrafas pet viraram chocalhos e barris viraram surdos | Foto: Divulgação

    A regência do grupo Tambores Pentecostais fica sob o comando do designer Adyel Vieira, de 26 anos. Em 2015, ele recebeu a missão de elaborar uma apresentação de percussão para o aniversário da IDPB. "Eu fui chamado para criar algo em cima da ideia de 'tambores reciclados', então comecei a organizar de forma sistemática cada material para o grupo", explica ele.

    Foi a partir de doações de membros de igreja que Adyel começou a organizar o que formariam os instrumentos. O regente foi, aos poucos, observando que materiais poderiam emitir sons e como eles se encaixariam em uma "orquestra de reciclados". Os instrumentos foram descobertos até de forma inusitada, como, por exemplo, Adyel usou garrafas de vidro do aniversário de sua sobrinha para substituir o agogô. Desta forma, latinhas viraram repiques, garrafas pet viraram chocalhos e barris viraram surdos.

    A regência do grupo Tambores Pentecostais fica sob o comando do designer Adyel Vieira
    A regência do grupo Tambores Pentecostais fica sob o comando do designer Adyel Vieira | Foto: Divulgação

    Um dos aspectos mais interessantes é que, antes do grupo, a maioria de seus integrantes não havia tido experiência musical alguma. A integrante Joelma Melo, de 45 anos, participa do Tambores Pentecostais desde o início e nunca imaginou fazer música de maneira tão inusitada. "Eu fiquei muito curioso em ver como aquele material poderia ser utilizado de outras formas", afirma ela. "Desde criança eu só conhecia os instrumentos musicais clássicos, como bateria, violão, etc. E agora usamos coisas que fazem parte do nosso cotidiano — e até descartamos — e, deles, saem sons".

    De acordo com a coordenadora-geral do ministério de arte do IDPB, Vânia Moura, a receptividade do grupo tem sido positiva desde o início. O dia da grande apresentação, no aniversário de 50 anos da igreja, foi tão impactante que o grupo foi incentivado pelo pastor-presidente Azaf Pessoa a continuar tocando. "Nós somos bem-recebidos em todos os lugares que vamos e o público admira muito a ideia que tivemos", conta ela. "É uma ideia criativa e que também une duas coisas: cuidar do meio ambiente e levar o evangelho de Cristo para as pessoas".

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