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    Artistas amazonenses


    Música feita por elas: The Marcianas conquista espaço em Manaus

    A vocalista contou ao Portal EM TEMPO um pouco sobre a origem do grupo e como é fazer parte de uma banda composta integralmente por mulheres

    Além das 'marcianas', Nay também canta na banda N69 e nos projetos The Beatles Bossa Club e na Boom Band | Foto: Leonardo Mota

    “Já estava na hora de ter uma banda só com mulheres na cidade”, esse foi o pensamento que motivou a amazonense Nayara Souza, sob o nome artístico Nay Souza, a reunir artistas que tocam em espaços culturais e casas noturnas para formar uma banda inteiramente por mulheres.

    Criada em março de 2018, a banda “The Marcianas”, surgiu a partir do convite que Nay Souza recebeu para participar de uma programação especial para o Dia Internacional das Mulheres, realizada no Porão do Alemão, na Zona Oeste.

    “As ‘marcianas’ surgiram no mês de março em homenagem ao Dia Internacional da Mulher. Resolvi fazer uma apresentação diferente para esse tema. Então, a banda era para ter funcionado só nesse dia. O resultado foi tão legal e a recepção do público foi tão positiva que a gente quis levar o projeto adiante com a formação da banda. O próprio nome surgiu de um trocadilho com o mês de março e o planeta Marte por possuir marcianos, que são relatados por muitos como verdes. No mês de março, é comemorado o dia de São Patrício que também utiliza roupas verdes. Então, tem todo um conceito”, declarou a fundadora.

    Além de Nay Souza, Bianca Caggy, Elena Koynova, Adriane Almeida, Bia Correira, Mixiko e Sabrina Ferreira fazem parte da banda
    Além de Nay Souza, Bianca Caggy, Elena Koynova, Adriane Almeida, Bia Correira, Mixiko e Sabrina Ferreira fazem parte da banda | Foto: Roumen Koynov/Divulgação

    Além de ter Nay Souza, cantora e fundadora do projeto, a banda possui na sua formação a também vocalista Bianca Caggy, a violinista Elena Koynova, a guitarrista Adriane Almeida, a baixista Bia Correia, a baterista Mixiko e a integrante mais recente Sabrina Ferreira nos teclados.

    Clássicos que nunca morrem

    Quando perguntada sobre que estilo definiria “as marcianas”, a líder do grupo conta que o objetivo da banda é despertar uma áurea nostálgica no público que assiste.

    “É uma banda de flashback, disco music e com uma pitada de rock. Dentro desse contexto, a gente toca músicas anos 70, anos 80 e um pouco dos anos 90. Mas já tocamos um pouco de lambada, carimbó. A minha desculpa é que a lambada é o nosso flashback”, comenta Nay.

    Tomada por influências da grande banda carioca chamada “Frenéticas”, dos anos 70, Nay conta que as “marcianas” buscam levar uma grande festa ao público.

    “Assim como a banda ‘Frenéticas’ em que as apresentações pareciam mais festas que shows, as ‘marcianas’ não sobem no palco apenas para tocar. Nós subimos para fazer um espetáculo, para envolver todo mundo. Colocar todos para dançar. A gente brinca com o público e por uns instantes parece que estamos em casas”, comenta Nay.

    Trajetória artística

    Como muitos artistas que são atraídos pela música durante a infância, com Nay não foi diferente. A amazonense conta que já nasceu no berço musical.

    “A música não nasceu na minha vida, eu já nasci inserida na música. Minha lembrança mais antiga acompanha a música. Na minha família paterna e materna, temos vários instrumentistas. Acaba que o resultado disso fez com que a música sempre estivesse presente ao meu redor. Meus pais curtiam vinis, meu pai ouvia muita música internacional e minha mãe música nacional”, confessou Nay.

    Nay Sousa também participa da banda N69, Boom Band e do projeto The Beatles Bossa Club
    Nay Sousa também participa da banda N69, Boom Band e do projeto The Beatles Bossa Club | Foto: Leonardo Mota

    Além da “The Marcianas”, Nay Souza possui outros projetos paralelos. A amazonense trabalha como vocalista na banda N69, na qual o marido também participa como baixista. Juntos, eles tocam em vários espaços culturais e restaurantes trazendo músicas acústicas por exemplo.

    Em parceria com o marido, Nay já compôs algumas canções e pretende lançar músicas autorais futuramente. A cantora também participa do The Beatles Bossa Club (TBBC) e da Boom Band, da produtora de evento Musik Produções.

    A resistência da mulher no espaço noturno

    Apesar da resistência da mulher nos espaços públicos e privados, sejam eles avenidas, praças, trabalho, universidade, casas de festas estarem cada vez mais sendo discutidos, infelizmente ainda é possível perceber discurso de ódio e certos assédios em cima de mulheres, principalmente em ocasiões como festas e casas noturnas.

    “É triste dizer isso, mas é muito comum ver esse assédio que muitos homens praticam em festas e casas noturnas. Eu, por exemplo, já sofri assédio em uma das minhas apresentações. Como eu toco cajon que é um instrumento que necessita estamos em uma posição específica, fui ridicularizada por certas pessoas em uma publicação nas redes sociais por estar em uma posição aberta, que não é ‘normal’ para uma mulher”, disse a artista.

    Nay comenta que muito já foi feito em relação ao espaço de inserção da mulher. Mas, que é necessário as mulheres se unirem para, juntas, conquistarem ainda mais o espaço delas de direito.

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