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    Editora Valer


    62 publicações em 2019: Editora Valer faz a 'escritura' da Amazônia

    O feito é resultado da editora acreditar nas produções amazônicas e na venda de livros físicos. Ao todo, são 21 anos de história na região Norte

    A editora vai contra a maré de fechamento de editoras no Brasil
    A editora vai contra a maré de fechamento de editoras no Brasil | Foto: Lucas Silva

    Manaus - No mundo onde as tecnologias dos e-books ganham cada vez mais adeptos, há quem resista com trabalho e dedicação naquilo que faz. A Editora Valer finalizou o ano de 2019 com 62 publicações e demostra que nadar contra a maré dos livros online faz toda a diferença. Com 21 anos de mercado, a Valer resiste e insiste em cumprir a missão: “Publicar a Amazônia”.

    A história inicia com um nordestino apaixonado por livros e que mora há 30 anos no Amazonas. O editor e criador da editora Valer, Isaac Maciel, contou ao EM TEMPO que se considera como livreiro de carteirinha e amante das histórias que desfilam entre as folhas dos livros.

    A marca de 62 publicações em um ano de crises é para ser comemorada, considerando que a empresa é da região Norte e está diante de um público com o baixo índice de leitura. Isaac já afirma que, em 2020, a meta é continuar no mesmo ritmo de publicações e parcerias. A empresa está localizada na rua Rio Mar, Conjunto Vieiralves, bairro Nossa Senhora das Graças, Zona Centro- Sul.

    Conheça as obras destaques da editora
    Conheça as obras destaques da editora | Foto: Lucas Silva

    “Se estivéssemos em São Paulo já seria um grande feito, pois editoras grandes publicam em média de 30 a 40 obras por ano. Para este ano, pretendemos alcançar algo semelhante, pois já temos programadas 50 obras”, diz o empresário.

    A criação da editora possui um grande apelo regional e responsabilidade. A produção local ganha destaque nas publicações, permitindo que historiadores e escritores da Amazônia, escrevam para a Amazônia e para quem deseja conhecê-la através da leitura.

    “São obras necessárias de serem feitas, pois há a produção local e uma necessidade de mostrar a produção sobre a cultura, a história e a sociedade amazônica para as outras regiões do Brasil e do mundo. Temos a missão de mostrar o que de melhor foi produzido ao longo do passado no Amazonas”, explicou.

    Isaac Maciel considera-se um livreiro apaixonado
    Isaac Maciel considera-se um livreiro apaixonado | Foto: Lucas Silva

    A primeira obra reconhecida sobre a Amazônia “A Muhraida” é destacada pela Coordenadora da Editora Valer, Neiza Teixeira. A editora resgatou e editou obras importantes para a região e com isso valora tanto a produção regional quanto a identidade de obras não conhecidas.

    A livraria e a editora

    A editora foi criada a partir da livraria, mas havia a necessidade de disponibilizar livros exclusivos que tinham a Amazônia como tema. Desde então, a editora teve a grande responsabilidade de trazer aos leitores o que era produzido na região. 

    "As pessoas vinham buscar na nossa livraria esses livros, pois não encontravam em nenhum outro lugar. Eram usados, principalmente, em estudos de pós-graduação. Eu como livreiro precisava ofertar, mas não encontrávamos. Eu fiz parceria com um homem apaixonado pela literatura, o escrito Tenório Teles e daí reunimos algumas obras importantes de autores amazonenses", relembra Maciel. 

    A coordenadora da Editora Valer ressalta o trabalho voltado para o público infantil
    A coordenadora da Editora Valer ressalta o trabalho voltado para o público infantil | Foto: Lucas Silva

    Após a parceria, surgiram as coleções "Resgaste", divididas em 12 obras e todas organizadas por Tenório Teles, em parceria com a editora. O sucesso foi tamanho que desdobrou em quatro séries de obras resgatadas. 

    Isaac conta que após ser anunciado o fechamento da Livraria Valer, em novembro de 2015, que já atuava há 30 anos em Manaus, houve grande comoção por parte dos fãs e também uma certa “confusão”. Muitos acharam que a editora Valer também fecharia as portas e seria o “fim” da produção literária regional. 

    A produção continuou a todo vapor após o desvinculo da livraria com a editora. A produção da editora, que, sempre prestou um grande serviço ao Amazonas, ficou concentrada e assim continuaram a produzir tanto para o mercado local, quanto para o exterior. 

    Com o acervo de mais de mil livros, o público possui a opção de compra local
    Com o acervo de mais de mil livros, o público possui a opção de compra local | Foto: Lucas Silva

    A editora nunca teve queda progressiva, sempre se manteve como a que mais produz produtos de escritores regionais. Entre os resultados estão a utilização das obras em faculdades, cursos de doutorado e mestrado, como também em pesquisas específicas sobre a Amazônia e afins.. 

    Vertentes

    Neiza Teixeira acrescenta que a editora trabalha e preocupa-se com o futuro. As crianças podem ter acesso a conteúdo sobre a Amazônia e, ainda assim, com linguagem voltadas para elas. Formar o futuro dos leitores é uma das vertentes trabalhada pela Valer. 

    A editora acredita na produção regional
    A editora acredita na produção regional | Foto: Lucas Silva

    "As crianças na escola serão os nossos leitores do futuro. Nossa preocupação estava em criar um linha editorial infanto-juvenil. Não podemos deixar que as nossas crianças, jovens e adolescentes se percam nesse processo. Formar leitores, identidade e o sentimento de pertencimento amazônida é nossa missão”, enfatiza Neiza.

    A editora possui dois livros na linha infanto-juvenil com escritores indígenas, que trazem a cultura que faz parte da formação da identidade do amazonense. Outra questão apontada pela empresária é o espaço destinado aos escritores amazonenses que não possuem condições de fazer publicar suas obras. A editora abre as portas e cria condições.

    A editora mantém a venda de livros físicos
    A editora mantém a venda de livros físicos | Foto: Lucas Silva

    Poranduba amazonense

    A obra é destaque da editora e reúne crônicas conhecidas dos doutores ou pós-doutores das temáticas amazônicas. Trata-se da história do antropólogo e cientista Barbosa Rodrigues, que foi enviado pela princesa Isabel para formar o museu amazônico.

    O pesquisador se envolveu com a cultura local de tal forma que andava nas comunidades ribeirinhas ouvindo histórias, lendas e cantigas da amazônia e registrava em uma época em que as culturas não tinham a influência ocidental. Em sua passagem catalogou várias plantas e participou da pacificação dos índios Quixanãs. As histórias contabilizam 106 anos. 

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