Fonte: OpenWeather

    Arte


    Artista plástico pinta a Amazônia retratando a vida de ribeirinhos

    Raymond de Sá tem como objetivo fazer sua arte para a população ribeirinha ao desenhar suas casas e em locais públicos

     Raymond de Sá, artista plástico, pinta a Amazônia em casas e retrata a vida de ribeirinhos
    Raymond de Sá, artista plástico, pinta a Amazônia em casas e retrata a vida de ribeirinhos | Foto: Divulgação

    Manaus- Raymond de Sá, artista plástico, pinta a Amazônia em casas e retratar a vida de ribeirinhos. Brasiliense, mas em Manaus há 35 anos, tem o intuito de fazer sua arte para os cidadãos que vivem por entre rios, vilarejos e cidades do interior do Amazonas.Desde 20 de dezembro de 2019, Raymond e sua arte plástica encontraram sua moldura, na exuberante natureza do Rio Juruá, município de Carauari (a 700 quilômetros de Manaus).

    Assim que chegou no município, entrou logo em contato com os moradores do lugar: pescadores, caçadores, coletores de copaíba, andiroba; de frutas como açaí, cupuaçu, buriti, pessoas que vivem diretamente daquele sistema de extrativismo.  Queria sentir, ouvir suas lendas, suas estórias, curtir seus personagens para depois passar a ser, também, um deles; produzir arte por eles, mostrar nas paredes, nos tetos de suas simples casas a alegria estampada e colorida de suas estórias.

    As pessoas; os adultos, as crianças, sempre chegam perto quando ele começa a pintar algum painel e, cada um na sua sequência quer interferir com seus contos: os idosos, os adultos, contando suas lendas; o dia a dia do seu mundo relata o artista. 

    Das sobras a arte

    Para poder fazer isso, Raymond, paralelamente, faz um trabalho comercial nas lojas, nos supermercados, ferragens para poder se sustentar, ter um ganho, e, com as sobras das tintas; bisnagas, pinceis, rolos ele leva para uma casa de um pescador, agricultor ou morador do lugar e faz sua arte.

    O trabalho em num ateliê, vai para galeria ou para uma discussão mais profunda da obra, e fica tudo retido à um pequeno grupo de pessoas. Já no trabalho apresentado por Raymond nas paredes das casas da cidade, ao ar livre, há uma interação muito importante, pois a arte se amplia, porque quem passa de bicicleta, ou andando a cavalo, ou de qualquer jeito, para, observa e acaba entrando no “jogo” dando suas opiniões, participando, e, acaba fazendo parte do contexto da cidade, da urbanística.

    Referência

    Conta Raymond, que algumas pinturas - e, isso é fato -  já estão virando referência na cidade. Só como exemplo: muitos por lá, já conhecem o senhor João Galo, morador de uma casa azul, na rua do Gavião, simplesmente, por uma ilustração pintada na parede, da sua casa, aonde uma flor amarela se destaca no azul. Agora, todos falam: que naquela casa azul, com uma flor amarela pintada na parede, mora o senhor João Galo, e, isso é sensacional, de acordo com o artista.

    Alerta

    Raymond alerta sobre os “aproveitadores” que veem a Amazônia apenas pelo interesse em suas riquezas.

    A interação com o artista, por meio da arte é de importância grande para os ribeirinhos, pois, faz com que, de uma certa forma, o ser “caboco”, saia do isolamento, sendo mostrado para o mundo por meio de uma pintura, emoldurada pela parede da sua casa, partindo do princípio, que tudo tem um começo.

    Incomodado com isso, Raymond, afirma, que no Rio Juruá se observa muito isso, terras extensas abandonadas, mas já com uma plaquinha, justificando que é uma área de reserva ecológica, quando na verdade, não é. Você observa a existência de muitos gringos, muitos estrangeiros por lá e ele acha que tudo isso é muito suspeito”.

    O trabalho feito nas paredes das casas dessa gente tem surpreendido o artista, pelo fato de que, as pessoas começaram a falar mais ainda das suas atividades, das lendas como se fosse uma interação daquilo que elas pretendem mostrar, para que outras pessoas de outros lugares possam saber como eles vivem, de ver nas obras uma possibilidade de avivar suas existências de uma forma lúdica.  

    Leia mais:

    Alan Parker, diretor de 'Expresso da Meia-Noite', morre aos 76 anos

    Espaços culturais do Centro de Manaus abrem as portas nesta sexta (31)

    Rosados Anjos lança pré-candidatura para vereadora de Manaus


    Comentários