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    Perigo nas redes sociais


    Dilema das Redes :documentário alerta sobre vício e privacidade online

    ‘’Se você não paga pelo produto, você é o produto’’, é uma das frases de impacto do novo documentário da Netflix, "O Dilema das Redes’’

    | Foto: Divulgação

    Durante o mês de setembro, as buscas por “desativar/excluir Facebook” cresceram 250% no Google, conforme estudo feito pela Decode, empresa de análise e pesquisa.

    O motivo seria o lançamento do documentário "O Dilema das Redes’’,  da Netflix, que levantou questões sobre privacidade, vício, polarização e a responsabilidade das empresas nesses fenômenos.

    Por meio de entrevistas com especialistas do Vale do Silício, o documentário dirigido por Jeff Orlowski dá voz a diversos executivos, programadores e ex-funcionários de algumas das maiores empresas de tecnologia do mundo, como Google, Facebook, Twitter, Instagram e Pinterest, trazendo a público detalhes sobre esses modelos de negócios.

    No trailer divulgado pela plataforma de streaming, a sinopse oficial revela a proposta do documentário da Netflix.

    | Foto: Divulgação

    “Nós tuitamos, curtimos e compartilhamos — mas quais são as consequências da nossa crescente dependência das mídias sociais? À medida que as plataformas digitais se tornam cada vez mais uma tábua de salvação para permanecer conectado, insiders do Vale do Silício revelam como a mídia social está reprogramando a civilização, expondo o que está escondido do outro lado da tela”.

    Em paralelo ao documentário, "O Dilema das Redes’’ acompanha uma família fictícia, exemplificando as questões levantadas ao decorrer da obra. O filme trata não só do aspecto viciante das redes, construídas para manter usuários constantemente "engajados", como explica o impacto negativo disso nas novas gerações. 

    O produto das redes sociais

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    ''As únicas indústrias que chamam seus clientes de usuários são a de drogas e de tecnologia”. Segundo o documentário, isso se dá porque as indústrias de tecnologia estudam e investem cada vez mais em usabilidade e experiência do usuário, tentando mantê-los ativos o maior tempo possível em suas plataformas. Essa é uma reflexão que vale ser feita "

    Fabrício Macias, especialista em mídias digitais

    Desde a estreia, a produção gerou um enorme debate sobre o impacto do uso excessivo das redes sociais na sociedade, na democracia, e até onde os usuários têm controle sobre o próprio comportamento.

    O especialista em mídias digitais Fabrício Macias comentou sobre um dos pontos expostos em "O Dilema das Redes’’, considerando a frase ‘’se você não paga pelo produto, você é o produto’’, citada no filme. 

    | Foto: Divulgação

    ‘‘Não existe refeição grátis. Pare e pense na maravilha que são os aplicativos que usamos como Google, Instagram e etc. Tecnologias maravilhosas, assertivas e que nos ajudam e muito no nosso cotidiano. Você realmente achou que não pagaria nada por tudo isso?’’, afirmou.

    "Quem paga a conta da maioria das empresas de tecnologia são os seus anunciantes e, por isso, os produtos são feitos e pensados para melhor atender aos objetivos deles, que quase sempre é levar uma mensagem para um consumidor final’’, manifestou o especialista. 

    Os algoritmos integram as principais redes sociais em prol dessa mensagem final. O mecanismo por trás dessas plataformas identificam as notícias curtidas, e ''filtram'' as informações relacionadas ao assunto, mostrando o que mais agrada o usuário. Esse fenômeno envolve a polarização e, muitas vezes, o vício. 

    Especialista em mídias digitais, Fabrício Macias, founder e head of sales and business development da Macfor, AdTech focada em marketing digital B2B, transformação digital, growth hacking e cultura agile
    Especialista em mídias digitais, Fabrício Macias, founder e head of sales and business development da Macfor, AdTech focada em marketing digital B2B, transformação digital, growth hacking e cultura agile | Foto: Divulgação

    ''As redes sociais e o aprendizado de máquinas ajudam a criar uma bolha, o que leva à radicalização, à polarização, ao debate através de conteúdos, nem sempre verdadeiros, ou, até mesmo, de artigos que não têm comprovação científica e, as pessoas estão num momento, ainda mais agora potencializado pela pandemia, com os nervos à flor da pele'', ressaltou Fabrício Macias.

    Nada disso foi criado propositalmente, de acordo com o especialista. Esses mecanismos não foram desenvolvidos com o intuito de manipular ou atrapalhar a vida das pessoas Porém, os aprendizados de máquina evoluíram de uma forma cada vez mais avançada.

    ''Eu entendo que para desfazer os estragos, precisamos tornar as pessoas conscientes desse problema, para que, então, possamos debater e cobrar de nossos representantes uma legislação mais pertinente e atualizada com estes novos desafios modernos. Além disso, reforçar a necessidade de cada vez mais checarmos os fatos e valorizar produtores de conteúdo profissionais, como a própria imprensa'', relatou

    Como evitar ser pego nessa armadilha?

    A dica do especialista Fabrício Macias é “equilíbrio”. ''Uma forma de fazer isso é começar a desativar as notificações, isso vai reduzir a ansiedade de ficar olhando para as redes sociais a cada momento em que o seu celular te entregar uma notificação''.

    Outro ponto relevante é controlar o tempo em que você passa usando as redes.

    ''Assim como o Facebook, o Instagram também disponibiliza aos usuários de suas versões mais recentes o tempo médio diário que cada um passa usando o aplicativo. Você mesmo pode ativar o temporizador fornecido pelas próprias redes para determinar quanto tempo poderá usar os apps''.

    Para os pais, a dica é rever a necessidade do filho ter acesso antes da adolescência.

    ''O Facebook, por exemplo, só permite o ingresso de pessoas acima de 13 anos. Como pai, se você julgar que o seu filho adolescente está apto, estipule um horário ou uma faixa de tempo para que ele acesse e faça uso do Portal para Pais e Mães do Facebook, ele o ajudará para que o seu filho e você tenham uma experiência mais segura'', finalizou. 

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