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    Amor pela metrópole da Amazônia


    Crônica para Manaus: cidade que mora em mim

    A crônica foi escrita pelo escritor e poeta amazonense Tenório Telles em homenagem aos 351 anos de Manaus

    | Foto: Alexandre Fonseca

    Nossa vida está ligada ao lugar onde nascemos, onde vivenciamos nossas primeiras experiências e nos descobrimos como partes desse vasto mundo – que é tão belo e tão cheio de dissonâncias... mas infinitamente rico em possibilidades.

    Viver é estar no mundo. Fazer parte de uma família, de uma comunidade. De uma cidade. Somos também seres citadinos: muito do que somos é definido pela cidade onde vivemos, trabalhamos, nos apaixonamos e constituímos família: geramos nossos filhos.

    Somos a cidade onde vivemos. Ou as cidades que vivem em nós: porque somos feitos de todas as vivências, perdas e encontros... somos constituídos dos lugares por onde passamos. Não somos só filhos de nossos pais – somos filhos do chão onde assentamos nossas raízes. Somos filhos da vida, no que ela tem de grande, belo e igualmente terrível.  

     Esta crônica – quase um poema sentido para a cidade que mora em mim: Manaus – é um tributo. É quase um lamento pela sua desditosa história – resultante dos maus tratos de muitos de seus habitantes e da indiferença dos seus governantes. Como um ser humano, uma cidade precisa de aconchego e atenção, precisa ser protegida e amada.

    Somos todos habitantes do mundo. Habitamos um lugar, uma cidade e somos por ela possuídos, com suas histórias, seus conflitos e sua memória. Uma cidade está sempre em movimento – é um corpo vivo, composto de gente que nasce, que chega de lugares distantes e planta uma casa, encontra um amor e passa a pertencer ao novo chão. Os mortos também fazem parte da história de uma cidade. Assim é a história de Manaus: uma tapeçaria de cores, acontecimentos e gentes, com suas vozes, sonhos e realizações.

    E por isso vibro as cordas da minha lira para acarinhar teu coração, minha cidade e te celebro neste canto – quase pranto – para te dizer do tanto que te pres/sinto minha cidade – sem mentira e sem a jaça das palavras cortesãs que -- címbalo partido -- entoam uma canção apócrifa. São José, Vila da Barra, Manaus te enuncio este cantar – nem poema chega a ser –talvez um grito um murmúrio um piar de bacurau exalto. O heroísmo anônimo dos homens que te carregam na Manaus moderna das mulheres que fiam os fios do teu destino. Tua fala molhada de orvalho fala boa de tuas gentes de ontem: Tarumãs ------ Passés ----- Baniwas

    Escrevi estas palavras não para te exaltar, sem qualquer afã de agradar ou iludir. Mas para enaltecer tua memória, minha cidadela, tu que és minha casa. Fiz este registro também para honrar teus heróis, teus artistas, teus poetas. Teus homens, tuas mulheres, tuas crianças... os que deram seu sangue, suor e sonhos para que tu, Manaus, te tornasses um lugar melhor, um porto acolhedor e mais humano para se viver.

    Espero com este testemunho, talvez uma declaração tímida de amor, colaborar para despertar o sentimento de pertença e amorosidade de toda essa gente que te habita e que acolhes, sem exigências. Para que te vejam com olhos mais cuidadosos, com empatia e humanidade e, quem sabe, com respeito e mais responsabilidade por ti – meu forte, minha vila de São José da Barra do Rio Negro Manaus.

    Confira sobre "Manaus, Solo Dissonante"

    | Autor: Reprodução
     

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