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    Manaus de antigamente


    Ruas do Centro de Manaus guardam histórias do tempo

    Memórias de uma Manaus antiga ainda sobrevivem no coração de manauenses

    Joaquim Nabuco, J. Carlos Antony, Bernardo Ramos, Ruy Barbosa...

    Você deve reconhecer os nomes destas ruas, mas você sabe quem são essas figuras históricas?

    O Centro Histórico guarda, ainda hoje, muitas memórias fundamentais para compreender os 348 anos da capital amazonense. Entre ruas e casarões, memórias de uma Manaus antiga ainda sobrevivem no coração de manauenses saudosistas.

    A rua Bernardo Ramos é um marco na história de Manaus, a primeira rua urbanizada da cidade. Na década de 1950, o igarapé de São Vicente serpenteava pelo bairro. Parece difícil de imaginar, mas as águas eram limpas e carregavam muitos peixes. O nome homenageava São Vicente, santo protetor da cidade portuguesa do Porto, mostrando a influência dos imigrantes na cidade.

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    O otorrinolaringologista e cirurgião João Bosco Botelho, de 69 anos, relembra com muito carinho a infância que passou na rua Bernardo Ramos.

    “O Centro era habitado por muitos comerciantes portugueses, meu avô materno era um deles”, conta. Ele nasceu e viveu muitos anos na rua Bernardo Ramos e relembra quão diferente a área era na época. “Tinham muito mais praças e campos de futebol, menos prédios”, lembra. “Tudo era muito diferente”.


    A rua Bernado Ramos, no Centro, traz inúmeras memórias aos moradores.
    A rua Bernado Ramos, no Centro, traz inúmeras memórias aos moradores. | Foto: DIEGO CAJA


    Confira aqui uma apresentação de ruas históricas de Manaus, comparando o antes e o depois de pontos conhecidos da capital amazonense.

    Botelho fala com saudosismo sobre o respeito que existia entre os manauenses. Quando menino, passeava pelas ruas do Centro e via pessoas conversando nas portas de suas casas, em gestos de camaradagem e educação. “Era costume na época que os filhos se casassem e morassem perto de seus pais, então as famílias sempre se visitavam, o momento familiar era muito forte na época”.

    A rua Bernardo Ramos homenageia o fundador do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), localizado na mesma via. Ele foi dono de uma coleção de moedas que contava com mais de 10 mil peças, de uma variedade surpreendente. Atualmente, a coleção pertence ao Museu de Numismática Bernardo Ramos, integrando o Centro Cultural Palacete Provincial, localizado na avenida Sete de Setembro.

    Seguindo o caminho do Palacete Provincial, a rua Rui Barbosa é outra via pública com valor histórico significativo. Antigamente, costumava se chamar rua Jorge de Moraes, homenageando o médico a ser o segundo diretor clínico do Hospital Beneficente Portuguesa, tradicional hospital de Manaus. Jorge de Moraes também foi o responsável pelo primeiro laboratório de análise clínica da cidade, no ano de 1910, e pela implantação da primeira máquina de raio-x em Manaus.

    O Hospital Beneficente Portuguesa também possui um personagem importante na história da cidade. Ele é J. Carlos Antony, conhecido hoje como nome de uma rua, localizada no bairro Cachoeirinha, nas proximidades do Centro. Além de fundar a primeira loja maçônica da América Latina, J. Carlos assinou o projeto arquitetônico do hospital, quando ele ainda era localizado onde hoje é o Colégio Militar, na avenida Epaminondas.

    Moradores compartilham histórias de ruas com nomes de personalidades locais.
    Moradores compartilham histórias de ruas com nomes de personalidades locais. | Foto: DIEGO CAJA

    Apesar do desconhecimento da maioria dos manauenses, as memórias que as ruas do Centro Histórico de Manaus ainda resistem. Segundo o historiador Abrahim Baze, o manauense passa pelas ruas sem saber que existe um contexto histórico por trás delas. "De certa forma, estes nomes ficam escondidos pelo tempo e passam despercebidos pelas pessoas que transitam nessas ruas", diz.

    Apesar de muitos desses nomes serem popularmente conhecidos, os fatos que os acompanham caem no esquecimento. Baze ressalta a importância da história do Amazonas como forma de entendimento da sociedade. "É preciso levar o conhecimento e mostrar que as ruas não existem por existir", explica o historiador.

    Revivendo o Centro de Manaus

    O Centro Histórico de Manaus ganha todo dia mais a atenção dos manauenses e dos turistas. Projetos culturais e restauros vem devolvendo vida à região. O Paço da Liberdade, localizado na rua Gabriel Salgado, é um exemplo disso. Reaberto em 2013 após adequações para visitação pública feitas depois de sua inauguração em dezembro de 2012, o Paço recebeu mais de 80 mil visitantes nos últimos quatro anos.

    Em dezembro de 2016, a Manauscult concluiu a chamada pública para implantação do Museu da Cidade recursos captados na iniciativa privada por meio da Lei Rounet. O Museu será interativo e utilizará de recursos tecnológicos para contar a história da formação da cidade de Manaus e de sua gente. A previsão é que ele seja instalado em 2018.

    O diretor-presidente da Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (Manauscult) Bernardo Monteiro de Paula explica que a preservação e a valorização do Centro Histórico fortalece o turismo da cidade.

    "Esse novo olhar que a Prefeitura vem promovendo por meio de ações desde o início da gestão vem trazendo ações parceiras, que promove feiras mensais no local, tendo a rua Bernardo Ramos como cenário, revitalizada e ocupada", diz.

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