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    História Viva


    Museu do Seringal: uma viagem no tempo pelas trilhas da Amazônia

    Apesar de falar sobre a história do povo baré, o museu recebe mais visitas de turistas que amazonenses


    Manaus - Se há uma história que mostra o início dos ciclos econômicos no Amazonas é a história do Ciclo da Borracha,  no século 19, que, além de gerar riqueza, contribuiu também para a formação da atual população, composta por negros, índios e europeus. 

    A borracha fez de Manaus a cidade mais desenvolvida do país no fim do século XIX
    A borracha fez de Manaus a cidade mais desenvolvida do país no fim do século XIX | Foto: Gabriel Costa

    Parte dessa história é contada com riqueza de detalhes no Museu do Seringal - Vila Paraíso, localizado nas proximidades da capital, Manaus. O visitante do lugar conta com uma verdadeira experiência de imersão e se sente no fim do século 19, no primeiro ápice da borracha, época em que os seringais do Amazonas recebiam milhares de imigrantes do Nordeste brasileiro. Ao lado dos caboclos da terra, eles formavam o exército de soldados da borracha.

    O museu, construído especialmente para as gravações do filme ‘A Selva’ - 2002, do diretor português Leonel Vieira, simula um seringal da época. Em um roteiro que mistura ficção e realidade, o resultado é uma visita rica em informação e histórias curiosas.

    Os brancos usavam artesanato indígena como forro para aliviar o calor
    Os brancos usavam artesanato indígena como forro para aliviar o calor | Foto: Gabriel Costa

    Na ‘casa grande’, onde Maitê Proença viveu a maioria das cenas como “Dona Yayá”, nas filmagens de 'A Selva", a habilidosa guia Marilene Batista explica como os portugueses transformaram o artesanato indígena em material de construção. “Os portugueses viram a palha trançada e usaram como forro nas casas dos patrões. Além de ser esteticamente bonito, o material deixava o interior dos cômodos mais arejado”, diz Marilene.

    Os visitantes do Museu do Seringal não aprendem apenas os costumes dos patrões. No segundo momento da visita, alguns são convidados a usar os acessórios que os seringueiros utilizavam: Poronga, espingarda, rapador, facão, machado. Ao todo, até 15 utensílios diferentes, necessários para sobreviver da atividade extrativista, enfrentando a perigosa Floresta Amazônica.

    Seu Amauri e a família tinham o sonho de conhecer as histórias do seringal
    Seu Amauri e a família tinham o sonho de conhecer as histórias do seringal | Foto: Gabriel Costa

    “Era um trabalho bruto, pesado, com equipamento precário. Aquela poronga é difícil de equilibrar na cabeça. Imagino toda a dificuldade que eles tinham para transportar a borracha no meio da selva”, disse Amauri Mengarda, descendente de italianos que veio de Santa Catarina com a família para conhecer a Amazônia.

    Na visita ao museu, a família Mengarda conheceu até um seringueiro de verdade. O acreano seu Jaime, de 76 anos, mora no Museu e hoje em dia faz apenas apresentações para os turistas, mas ressalta que é seringueiro desde os 10 anos de idade. Ele trabalhou em regime de escravidão durante 30 anos. “Se você nascesse homem, não tinha outra opção. Era a única vida que existia. Cortávamos borracha para sobreviver”, diz ele com a fala mansa. 

    Seu Jaime foi soldado da borracha dos 10 aos 40 anos de idade
    Seu Jaime foi soldado da borracha dos 10 aos 40 anos de idade | Foto: Gabriel Costa

    O museu recebe 1,5 mil pessoas por mês. O gerente do local, Raphael Amazonas, revela que a grande maioria do público é gringo. “Nós gostaríamos de receber mais amazonenses. A visitação não é cara, custa um preço simbólico de R$ 5 por pessoa. Convidamos a todos para virem conhecer um pouco da nossa história, é um ótimo programa para família”, convida Raphael.

    Para visitar, há também o custo da lancha, R$ 14 na ida e mais R$ 14 na volta. Mesmo assim, continua valendo a pena. A viagem por si só é um atrativo. São 20 minutos de viagem pelo imponente rio Negro, cercado pela beleza da Floresta Amazônica.

    A paisagem é outro atrativo marcante na na viagem para a visita
    A paisagem é outro atrativo marcante na na viagem para a visita | Foto: Gabriel Costa

    Se interessou pela visita? Acesse o site da secretaria com todas as informações sobre o museu. 


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