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    Fugindo da crise, venezuelanos buscam emprego e vida nova em Manaus

    Além de pedir emprego, outros venezuelanos começam a vender produtos como picolé, água e até mesmo frutas da região

    Depois de fugir da crise que assola a Venezuela, venezuelanos são vistos nos sinaleiros da cidade com cartazes nas mãos, pedindo ajuda e uma oportunidade de trabalho | Foto: Ione Moreno

    Manaus - Uma cena que já se tornou comum em Manaus: um volume de imigrantes venezuelanos que cresce na cidade e uma boa tarde deles, nos semáforos, pedindo emprego com placas de papelão. São homens, mulheres e crianças que ficam horas a fio segurando os cartazes com os pedidos de ajuda como este: “Venezuelano. Preciso de trabalho ou de uma ajuda de você, por favor. Tenho filhos”.

    Alguns vendem produtos que todo manauense gosta, picolés, água e até mesmo frutas são algumas das opções dos venezuelanos que esperam encontrar uma vida melhor na capital amazonense.

    O casal Jhonatan Diaz, 38, e Rosa Urtato, 42, chegaram à cidade há cinco meses. Com os cinco filhos e ela no final da sexta gestação, eles ficam os dias em um sinal localizado na avenida das Torres, pedindo emprego para sustentar a família.

    “Ficamos aqui desde as 7h da manhã e saímos às 16h. Já consegui alguns ‘bicos’ como pedreiro, mas nada concreto. Deixamos nossa vida em Caracas. Lá não tem emprego. Uma cartela de ovos está custando 3.500 bolívares, e o salário da semana que recebemos é de 1.200. Por isso enfrentamos o medo, juntamos as crianças e viemos para o Brasil tentar uma vida melhor”, contou Diaz.

    Venezuelanos pedem emprego e ajuda na avenidas da torres
    Venezuelanos pedem emprego e ajuda na avenidas da torres | Foto: Ione Moreno

    Eles, que vendem frutas no sinal, pagam aluguel e ainda precisam comprar comida para o mês, contam que, ainda assim, não se arrependem de ter de pedir nos sinais para quem passa pelas ruas emprego.

    “Pagamos R$ 500 de aluguel em um quarto no bairro Petrópolis, Zona Sul, e queremos pagar todos os nossos custos do nosso suor, não com esmolas. Muita gente passa e nem olha o que está escrito, achando que estamos pedindo dinheiro”, lamentou.

    Na Avenida André Araújo, Johnn Esparragoza, 39, está há nove meses pedindo emprego no meio-fio, com um pedado de papelão. Além da placa, ele tem em mãos a carteira de trabalho e currículos, que informam que na cidade natal trabalhava como pedreiro.

    “Viemos para Manaus depois de passar 28 dias em Boa Vista. Aqui estou com a minha esposa e nossos filhos. Pretendo trabalhar para que possamos nos firmar aqui e viver melhor”, disse Esparragoza, com otimismo.

    Com cartazes na mão, venezuelanos pedem emprego de quem passa pelas ruas
    Com cartazes na mão, venezuelanos pedem emprego de quem passa pelas ruas | Foto: Ione Moreno

    Outro imigrante que largou tudo e veio tentar a vida em Manaus foi Armando José Apónte Simón, 40. O cozinheiro vende água e usa um poste como apoio da placa que informa suas habilidades. “Tenho 18 anos de experiência na cozinha, principalmente na italiana. Espero conseguir juntar dinheiro para conseguir trazer minha esposa e filhas. Tenho certeza que aqui, elas vão poder ter uma vida melhor”, concluiu.

    A ex-funcionária pública Lucy Buroz, 29, comentou que ainda sente vergonha de pedir emprego nas ruas de Manaus. Ela que está com os quatro filhos na cidade mora com o irmão e está tentando juntar dinheiro para buscar o marido que ainda está no país vizinho.

    “É a primeira vez que faço isso. Me sinto envergonhada. Lá, eu tinha emprego, uma boa casa e tudo foi acabando. Fui obrigada a pegar meus filhos para fugir da miséria. Infelizmente aqui, ainda não consegui nada, mas não vou desistir”, disse Lucy.

    Poucos abrigos

    Somente no primeiro semestre de 2018, a quantidade de pedidos de refúgio feita por venezuelanos no Amazonas triplicou, quando comparada a todo o ano de 2017. De acordo com dados da Polícia Federal (PF), de janeiro a 26 de junho deste ano foram 4.779 pedidos, enquanto em 2017 foram 2.301.

    A Secretaria Municipal da Mulher, Assistência Social e Direitos Humanos (Semmasdh) informou que o município paga aluguel de duas casas que servem como abrigo, localizadas no Centro, Zona Sul, e no bairro Alfredo Nascimento, Zona Norte. Ao todo 200 venezuelanos moram nos locais. Todos são indígenas da etnia Warao.

    Já o governo informou que o abrigo aos venezuelanos é feito somente pela prefeitura. Por outro lado, a Secretaria de Estado de Assistência Social (Seas) apontou que tem destinado recursos ao município para subsidiar o acolhimento.

    O Ministério Público do Trabalho (MPT), Ministério Público Federal (MPF) e Defensoria Pública da União (DPU) cobraram uma reação das três esferas governamentais sobre a imigração.

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