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    Vida e Sucesso


    Empresária amazonense transforma lojas de roupas em marca de sucesso

    Tânia Holanda conta a história de sucesso que começou em uma butique com apenas quatro peças de roupas e investimento de R$ 700. Hoje, conta com três lojas no Parque 10.

    Tânia Holanda Empreendedorismo | Foto: Ione Moreno

    Manaus - Na Semana Global do Empreendedorismo o Em Tempo buscou histórias de empresários amazonenses de sucesso que sejam referências para outras pessoas que queiram começar no ramos de negócios. A comerciante Tânia Holanda,  proprietária de uma marca que veste mulheres em Manaus, com três lojas próprias, narra a trajetória no ramo. 

    Ela conta que tudo começou em 2014.  Casada, desempregada, com três filhos, viu nessa época, o negócio do marido no ramo de jogos eletrônicos, declarar falência. Determinada, concluiu que não seria o fim, mas uma oportunidade para abrir um negócio pequeno e recomeçar. Após contar com um faturamento inicial de R$ 4 mil, hoje fatura R$ 80 mil, nas três lojas. 

    Quatro anos depois, com apenas 35 anos, é conhecida pela marca que leva seu nome. Empresária do ramo da moda feminina, ocupa espaços comerciais com estabelecimentos no bairro Parque 10 de Novembro, zona Centro-Sul de Manaus. 

    Inspirada em cases de sucesso como os empresários Bill Gates, Eike Batista e Doutor Lair Ribeiro, Tânia não deixa de lembrar o começo de tudo, de forma simples, no bairro Coroado 2, zona Leste de Manaus.

    Tânia Holanda Empreendedorismo
    Tânia Holanda Empreendedorismo | Foto: Ione Moreno

    O início com R$ 700 

    Tânia conta que sempre gostou de se vestir bem, não esconde a vaidade e tino para moda. Ela lembra que, antes de abrir o negócio, as próprias amigas já compravam as roupas que ela mantinha em seu guarda-roupa. 

    “Em julho de 2014 eu morava em uma casa no bairro Coroado 2. Na frente dessa casa, funcionava uma Lan House, montada pelo meu marido, mas os negócios não iam bem. Notei que os computadores ocupavam metade do lugar e havia espaço vago. Decidi montar algo para mim. Pedi R$ 700 emprestado a ele e fui às compras”.

    Decidida a montar um negócio, deslocou-se inúmeras vezes até o Centro de Manaus para adquirir peças de roupas e vendê-las de porta em porta. “Montei a primeira loja naquele espaço ocioso. Chamei de ‘Boutique Manu’, em homenagem à minha filha. Foi quando comecei a crescer com as vendas, mas, como sempre queremos mais, cometi o meu primeiro erro”, disse. 

    Tânia Holanda Empreendedorismo
    Tânia Holanda Empreendedorismo | Foto: Ione Moreno

    Empréstimos

    No fim daquele ano, Tânia pediu empréstimos a amigos. Os valores variavam entre R$ 5 a R$ 20 mil. Ela não aconselha o mesmo para quem está começando. “Esses empréstimos eram para reparos na loja, mas, as dívidas da casa consumiam o dinheiro. O lucro da loja não voltava para mim, era sempre remanejado para quitar dívidas”, relembra.

    Para honrar com os empréstimos, a empresária e o marido tiveram que vender a casa, e ainda assim não conseguiram quitar todos os débitos. “Eu comecei a melhorar com o ngócio, mas em virtude dos empréstimos, despenquei financeiramente novamente. Fiquei zerada. Mesmo vendendo a casa, não desisti”, confessou.

    Tânia Holanda Empreendedorismo
    Tânia Holanda Empreendedorismo | Foto: Ione Moreno

    Recomeço 

    Tânia assume que olhava a concorrência pelas redes sociais e, na época, não pensava que poderia atingir o mesmo patamar de lojas com expressivos números de seguidores. Uma sabotagem que parou te praticar. Mudou de atitude e adotou o nome ‘Tania Holanda’, exibindo o nome como marca registrada de trabalho.

    “Eu idealizei tudo grande. Coloquei o meu nome na fachada, nas sacolas e nas etiquetas. Eu vendo roupa ‘Tânia Holanda' e passei a usar a marca com mais profissionalismo.Consegui me estabilizar novamente e equilibrei as dívidas. Como vi o dinheiro entrando, em dezembro de 2016, abri a segunda loja, no bairro Manoa, infelizmente naquele mesmo mês, passei por outro susto, veio um assalto", lembra.

    Segunda queda      

    Na madrugada do dia 5 de dezembro de 2016, por volta das 2h, a empresária recebeu uma ligação informando que a loja do Coroado 2 havia sido assaltada. após verificar a situação, o marido e ela, estimaram o prejuízo em R$ 80 mil. As câmeras de segurança instaladas dentro da loja, capturaram o momento em que, quatro homens e duas mulheres, cometeram o crime.

    “Fiquei parada, olhando o lugar vazio. Eu nunca contei isso para ninguém, mas esse fato não me prejudicou. É preciso saber interpretar algo ruim, de uma maneira boa. Fui às minhas redes sociais e pedi ajuda para quem pudesse me passar informação sobre o furto. Minutos depois, a imprensa estava na minha porta”.

    Por meio da mídia local, as pessoas começaram a procurar a loja ‘Tânia Holanda’. Ela buscou peças que estavam na loja do Manoa, e algumas roupas recuperadas durante as investigações. Abriu a loja no dia seguinte ao ocorrido. “Tanta gente começou a procurar meu estabelecimento que eu não tive mercadoria para atender a demanda. Se eu pudesse não passaria por essa situação. Mas, acho que tudo o que Deus faz é bem feito”, salientou, observando que o assalto, trouxe clientes para a loja de Tânia.

    O desgaste emocional ocasionado pelo furto fez com que Tânia decidisse fechar a loja do Manoa, e encerrasse as atividades no bairro Coroado. Mudou-se para um condomínio no bairro Parque 10 de Novembro e começou buscar um ponto para a abertura de um comércio de roupas na região.

    Mudança

    A primeira loja ‘Tânia Holanda’ já na zona Centro-Sul, foi inaugurada em janeiro de 2017, na rua do Comércio 2, em um espaço alugado, no valor de R$1.800 mil. A empresária lembra que foi um começo difícil, pois a loja não tinha muita visibilidade. 

    “Passou o primeiro mês e não entrou ninguém na loja. Chamei o dono do ponto e disse que iria entregar o local. Foi então, que ele me contou a história de vida dele, algo que mexeu muito comigo. Ele ainda me aconselhou a guardar todo o dinheiro que consegui, para depois abrir outro negócio”, pontuou.

    Investimento em mídias digitais

    Determinada em fazer as vendas alavancarem, Tânia começou a observar as mídias digitais. Por meio do aplicativo Instagram descobriu as digitais influencers. Primeiramente fechou contrato com duas jovens, com relevantes números de seguidores, e passou a ver as vendas prosperarem.

    “Algumas meninas aceitavam permuta. Outras influenciadoras cobravam R$ 50 por foto, mas eu só poderia pagar no máximo por seis postagens. Tive que investir para ver o resultado acontecer. As seguidoras chegavam aqui e viam o preço dos meus vestidos e não acreditavam. Elas achavam barato para os padrões deste bairro. Na época, o vestido mais caro custava em média R$ 95”, frisou.

    Tânia destaca que 90% das clientes que chegam à loja, primeiro procuravam o look por meio do Instagram. “É até uma dica para quem quer começar um negócio. Invista em loja virtual, assim como nas influenciadoras digitais. As clientes chegam aqui querendo o vestido ‘Tânia Holanda’, que a blogueira usou”, aconselha.

    A partir da ascensão da loja, as vendas possibilitaram que em outubro de 2017, a empresária abrisse uma segunda loja, na rua do Comércio 1, em um ponto onde o aluguel era de R$ 3 mil.

    Em janeiro de 2018, conseguiu inaugurar outra loja, na mesma rua e pelo mesmo valor de aluguel. “Cada loja tem um segmento diferente. A primeira é body e moda praia. A segunda é roupa para festas, modinhas, algo mais geral. E essa terceira é só de vestidos”, complementou. 

    Coragem e persistência 

    Durante o tempo em que a reportagem do EM TEMPO permaneceu na loja, muitas pessoas entraram no estabelecimento em busca das roupas que se tornaram famosas nas redes sociais.

    Ao relembrar a história de luta, Tânia se emociona. Ela diz que o sucesso vem com a persistência. Com o tempo, os erros servem como experiência e o empreendedor encontra o caminho.

    “Primeiro lugar é ter coragem. ‘Ah, mas eu não tenho dinheiro’, mas tem coragem, isso é o mais importante. Sempre acreditar na própria intuição e não dar ouvido ao que dizem de negativo. O importante é acreditar em si própria. A crença em que tudo vai dar certo nos leva a encontrar respostas para todas as dificuldades", finaliza. 


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