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    CAOS NOS MERCADOS


    Bolsa tem queda histórica de 12% e dólar fecha acima dos R$ 4,72

    A B3 chegou a acionar pela manhã o circuit breaker, quando a queda do Ibovespa chegou a ser maior que 10%

    Coronavirus e guerra por preço do petróleo entre Russia e Arábia Saudita levaram ao caos nos mercados | Foto: AMANDA PEROBELLI/REUTERS

    Brasília - Com 12,31%, a bolsa brasileira fechou nesta segunda-feira (9), com a maior queda desde 1998, aos 85.931,36 pontos, e o dólar alcançou R$ 4,7243, com alta de 1,95%, em dia de caos nos mercados financeiros globais. A moeda chegou a ser negociada a R$ 5 nas casas de câmbio. Por conta de uma queda de 10% do Ibovespa, a B3 teve de acionar o circuit breaker pela manhã. O mecanismo suspendeu os negócios por pouco mais de meia hora. Depois de uma melhora pontual, o índice voltou a acelerar o ritmo de queda, acompanhando o mercado internacional.

    Com o circuit breaker acionado os negócios foram suspensos por mais de meia hora
    Com o circuit breaker acionado os negócios foram suspensos por mais de meia hora | Foto: Reprodução

    Conforme a agência das Nações Unidas para Comércio e Desenvolvimento (Unctad), a crise do coronavírus levará alguns países à recessão e o órgão está disposto a ajudar. "O crescimento global desacelerará para menos de 2,5% em 2020 e os impactos do coronavírus devem causar queda de US$ 2 trilhões na receita global". Segundo a Unctad, as economias mais afetadas por coronavírus serão as exportadoras de commodities e os bancos centrais não estão em posição de resolver a crise do coronavírus sozinhos.

    Guerra do petróleo

    Os mercados de todo o planeta, que nas últimas semanas têm atravessado momentos de instabilidade por causa do coronavírus, enfrentaram um dia de turbulências, após a disputa de preços entre Arábia Saudita e Rússia em torno do petróleo. Membro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), a Arábia Saudita aumentou a produção de petróleo depois que o governo de Vladimir Putin decidiu não aderir a um acordo para reduzir a extração em todo o mundo.

    O aumento de produção num cenário de queda mundial de demanda por causa do coronavírus fez a cotação do barril de petróleo iniciar o dia com queda de mais de 30%. Por volta das 16h, o barril do tipo Brent era vendido a US$ 31,13, com queda de 24,6%. Essa foi a maior queda no preço internacional para um dia desde a Guerra do Golfo, em janeiro de 1991.

    Para o Brasil, a queda no barril de petróleo afeta as ações da Petrobras, a maior empresa brasileira capitalizada na bolsa. Por volta das 16h, os papéis ordinários (com direito a voto em assembleia de acionistas) da companhia caíam 28%. Os papéis preferenciais (que dão preferência na distribuição de dividendos) caíram 29,7%. Segundo a própria Petrobras, a extração do petróleo na camada pré-sal só é viável quando a cotação do barril está acima de US$ 45.

    Consequências

    A queda nas cotações do barril de petróleo traz outras consequências para a economia brasileira. Caso os preços baixos se mantenham, a companhia repassará a queda do preço internacional para a gasolina e o diesel. Se, por um lado, a queda beneficia os consumidores; por outro, prejudica o setor de etanol, que perde competitividade.

    Os preços mais baixos diminuem a arrecadação de royalties do petróleo e a arrecadação de Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), o principal tributo estadual, num momento em que diversos estados atravessam dificuldades financeiras.

    Paulo Guedes

    Hoje pela manhã, o ministro da Economia, Paulo Guedes, voltou a dizer que a crise internacional deve afetar menos o Brasil que outros países porque a economia brasileira é mais fechada que a do resto do mundo.

    O ministro repetiu que a melhor resposta para a crise é a continuidade da agenda de reformas e reiterou que a reforma administrativa pode ser enviada ao Congresso ainda esta semana.

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