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    INDÚSTRIA NA PANDEMIA


    Indústria do Amazonas cai 53,9% e registra o pior abril em 18 anos

    Dados do IBGE mostram que setor registrou queda 46,5% em relação a março e de 53,9% sobre abril de 2019

    O péssimo desempenho da indústria em abril foi puxado principalmente pelo recuo de 98,9 do polo de duas rodas | Foto: Arquivo Em Tempo

    Manaus - Puxado pelos profundos desempenhos negativos das atividades ligadas à produção de motocicletas, bebidas e derivados de petróleo, a indústria amazonense encerrou abril com os piores resultados do país. No primeiro mês completo de medidas de contenção à Covid-19, o setor no Amazonas registrou uma queda de 46,5% em relação a março - maior que a média nacional (-18,8%) -, e de 53,9% diante de igual mês de 2019. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), são os priores da série histórica iniciada em 2002.

    Impacto das medidas de contenção à Covid-19, em abril também deverá ser sentido em maio
    Impacto das medidas de contenção à Covid-19, em abril também deverá ser sentido em maio | Foto: Dhyeizo Lemos

    O presidente do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam), Wilson Périco, disse que não há surpresa no resultado, uma vez que 90% das empresas do Polo industrial de Manaus (PIM), no mês de abril, deram férias coletivas para os seus funcionários. Segundo ele, algumas indústrias pararam totalmente, outras optaram pela paralisação parcial, por conta das medidas de isolamento social adotadas por Estados e municípios.

    “Medidas que fecharam o comércio, e no caso do segmento de duas ruas, fecharam as concessionárias, que além de estar com produtos que não puderam comercializar, não podiam também receber se quer os produtos aqui fabricados no polo de duas rodas. Isso deve se refletir também no mês de maio, principalmente no segmento de duas rodas e deve ter uma melhora agora em junho, uma vez que o isolamento social começa a ter flexibilização nesses estados e esperamos a normalidade pelos próximos 60 dias”, disse Périco.

    Prejuízo de R$ 8,7 bilhões

    Segundo os dados do IBGE, no acumulado do ano - de janeiro a abril -, a indústria do Amazonas já acumula queda de 14,2% - maior eu a média nacional de (-8,2%). Ainda assim, também diante das expectativas de queda para maio, Périco não arrisca em dizer que o ano para a indústria amazonense também será o pior da sua história. No entanto, ele disse que pode assumir a perda de pelo menos um mês de faturamento, o que pelo resultado de 2019, seria hoje um prejuízo de R$ 8,7 bilhões.

    Saiba mais: Indústrias do PIM fecham 2019 com faturamento recorde

    De acordo com o presidente do Cieam, pelo menos 14% das empresas do PIM ainda estão paradas total ou parcial. Ele diz não acreditar que essa perda seja recuperada no segundo semestre. “O desemprego já reduz o consumo e os que estão empregados também não tem a confiança de sair gastando. O fato de muita gente continuar em casa por mais tempo também reduz bastante aquela compra por impulso. Espero que consigamos nessa nova normalidade do mercado preservar os empregos e evitar um impacto social em Manaus”, salientou.

    O pior do Brasil

    Segundo o IBGE, o desempenho do Amazonas em abril diante do mês de março, foi mais intenso do que o de Estado como o Ceará (-33,9%) e o Paraná (-28,7%). As únicas unidades da federação com valores positivos foram o Pará (4,9%) e Goiás (2,3%). Já o resultado negativo em relação a abril de 2019, o Amazonas superou novamente o Ceará (-53,0%) e agora o Rio Grande do Sul com (-35,8%). Nesse comparativo, Pará e Goiás se mantiveram como os únicos com valores de crescimento, 37,6% e 0,4%, respectivamente.

    Empresas do polo de duas rodas como a Yamaha paralisaram em abril, mas retornaram em maio
    Empresas do polo de duas rodas como a Yamaha paralisaram em abril, mas retornaram em maio | Foto: Arquivo Em Tempo

    Por setores

    Como a Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo), já tinha adiantado em maio, uma queda de 98% na produção do polo de duas rodas do PIM, o IBGE mostrou que o segmento de equipamentos de transportes registrou o maior recuo da indústria amazonense, com 98,9%. As altas quedas seguem com os segmentos de bebidas (-59,0%), de coque, produtos derivados do petróleo e de biocombustíveis (-57,9%), de máquinas e equipamentos e materiais elétricos (-54,3%) e de impressão e reprodução de gravações (51,8%).

    Segundo o IBGE, nove das dez atividades industriais pesquisadas pelo instituto tiveram desempenho negativo em abril. Outros equipamentos de transporte (motocicletas) e informática, produtos eletrônicos e óticos tiveram as maiores quedas da série histórica. Quanto ao desempenho em 2020 por atividade industrial, apenas a Fabricação de máquinas e equipamentos e Impressão reprodução e gravações, estão com crescimento positivo (32,8 e 12,1% respectivamente).

    “O mês de abril na produção indústria do Amazonas teve um desempenho completamente atípico, uma vez que todos os indicadores mostram que o Estado ocupou as últimas posições de desempenho. Abril foi um mês completamente negro para a indústria amazonense”, disse o supervisor de informação do IBGE Amazonas, Adjalma Nogueira Jaques.

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