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    EFEITO PANDEMIA


    Alta nos casos de Covid-19 preocupa empresários do comércio de Manaus

    Segmento que mais tem fortalecido a arrecadação do Estado diz que não é o culpado pelo aumento, mas pode ser novamente prejudicado

    Representantes do comércio afirmam que o setor foi o que mais se empenhou em cumprir as recomendações
    Representantes do comércio afirmam que o setor foi o que mais se empenhou em cumprir as recomendações | Foto: Lucas Silva

    Manaus - A Associação Comercial do Amazonas (ACA) se mostrou preocupada com a situação do comércio amazonense, nesta semana, em vista da alta de 68,9% na quantidade de pacientes internados com diagnóstico confirmado ou suspeito de Covid-19 nos hospitais privados da capital, em agosto, conforme dados da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM). Segundo representantes do setor, o segmento não é o culpado pelo aumento, mas pode ser atingido brutalmente, como ocorreu em março deste, na primeira onda do novo coronavírus.

    Em nota de alerta, o presidente da ACA, Jorge de Souza Lima, afirma que o processo de contaminação se mantem presente em todos os níveis populacionais e em todos os ambientes. “Torna-se necessário que todos cumpram com a sua parte no sentido de manter o distanciamento social e a proteção facial, a fim de que possamos diminuir a crescente contaminação populacional”, diz.

    No levantamento feito pela FVS-AM, os casos estão aumentando, até agora em 2%, principalmente em meio às classes mais altas de Manaus (A e B). Na análise de incidência por bairro, ficou evidente ainda que um crescimento maior foi observado nos bairros da Ponta Negra e Adrianópolis, em sua maioria habitados por pessoas com maior poder aquisitivo.

    Ficou evidente ainda que um crescimento maior foi observado nos bairros da Ponta Negra e Adrianópolis
    Ficou evidente ainda que um crescimento maior foi observado nos bairros da Ponta Negra e Adrianópolis | Foto: Lucas Silva

    De acordo com o presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas (Fecomércio-AM), Aderson Frota, a atividade comercial não é a responsável pelo crescimento relatado, uma vez que é a matriz que mais se empenhou em cumprir as recomendações de saúde e, também, a que mais cresceu nos últimos meses, ajudando na arrecadação do Estado.  

    “Em todas as lojas de Manaus que você acessar hoje, você vai encontrar os funcionários com máscaras, álcool em gel disponível e até marcações no local para que se respeite o distanciamento social. Além disso, mesmo com mais de 100 dias parado, o comércio cresceu em 15,02% no primeiro semestre de 2020, na comparação com o mesmo período do ano anterior. Ou seja, os comerciantes estão fazendo sua parte”, afirma Frota.

    Comerciantes dizem que a alta de novos casos é causada pelas aglomeração em festas e banhos
    Comerciantes dizem que a alta de novos casos é causada pelas aglomeração em festas e banhos | Foto: Lucas Silva

    Para ele e outros representantes, o maior problema nesse momento são as aglomerações causadas por festas e flutuantes na cidade de Manaus. Nesse sentido, com o passar do tempo, os comerciantes serão atingidos novamente. “Com a queda que tivemos, não muito tempo atrás, no número de infectados e de óbitos na cidade, a população começou a relaxar. Não estão mais se preocupando em manter os cuidados de saúde”, observa.

    Frota esclarece ainda que o próprio governador do Amazonas, Wilson Lima, reconhece que o comércio é o segmento que mais vem colaborando com o estado e que todos têm buscado manter as recomendações. Contudo, o presidente deixa claro que, o que realmente vale, é a consciência dos consumidores.

    Buscando tranquilizar, por hora, os comerciantes, o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Manaus (CDL-Manaus), Ralph Assayag, elucida que a nota de alerta da ACA, provavelmente, veio em função de uma reunião realizada com o Governo do Estado e os representantes do comércio, na última semana, e não significa que a atividade comercial seja a culpada pelos novos casos.

    “Nós estamos trabalhando com todo o resultado possível sobre a situação do coronavírus dentro das lojas. Sabemos que os comerciantes estão seguindo as recomendações. O maior problema são as festas noturnas e os banhos. As pessoas não estão agindo mais com cautela e, como a ACA não conta com nenhuma pesquisa sobre a quantidade de casos no comércio, acredito que o alerta tenha sido feito somente por conta da reunião que tivemos com o governo esses dias, justamente para falar dos novos casos”, justifica Assayag.

    O EM TEMPO entrou em contato com a ACA, buscando mais informações sobre o alerta e também um posicionamento direcionado do presidente. Contudo, até a publicação desta matéria, nenhuma resposta foi apresentada.

    Perdas anteriores

    A partir do dia 18 de março deste ano, a pandemia da Covid-19 impôs o fechamento das portas do comércio e dos serviços, por mais de 100 dias em Manaus, e fez com que, no primeiro semestre do ano, o total de 1.345 empresas encerrassem as suas atividades no Estado do Amazonas.

    Os dados são da Junta Comercial do Estado do Amazonas (Jucea) e demonstram que, entre os meses de abril e junho, período mais crítico da crise sanitária no estado, foram 495 fechamentos. Além disso, em junho o registro foi de 217 encerramentos e todo o processo de término de uma empresa está sendo feito de forma 100% digital pelo site da Jucea.

    A pandemia impôs o fechamento do comércio por mais de 100 dias em Manaus
    A pandemia impôs o fechamento do comércio por mais de 100 dias em Manaus | Foto: Lucas Silva

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