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    Alimentação


    Insegurança Alimentar no Amazonas acima da média nacional

    Em meio a pandemia e, com o aumento no valor dos alimentos, a ausência de alimentos torna-se ainda mais complicada para as famílias de baixa renda

    | Foto: Reprodução

    Manaus – Entre os anos de 2017 e 2018, mais de seis a cada dez domicílios do Amazonas estavam em Insegurança Alimentar (IA) grave ou moderada. Os dados são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados na quinta-feira (17), e demonstram que 37% dos moradores do estado conviviam com a fome. Em um cenário de pandemia, e com a alta no preço dos alimentos, a população amazonense segue com problemas relacionados a alimentação.

    Em uma comparação com os percentuais do Brasil, a pesquisa demonstra que os percentuais do Amazonas eram mais altos no que diz respeito à IA. Enquanto a proporção nacional foi de 36,7%; no Amazonas, ela foi de 65,5%, ou seja, 28,8% mais alta. Além disso, considerando a IA grave, cerca de 144 mil domicílios no estado passaram por privação quantitativa de alimentos, que atingiram não apenas os membros adultos da família, mas também suas crianças e adolescentes.

    Desde 2004, quando a situação de Segurança Alimentar (SA) dos domicílios foi avaliada pela primeira vez pelo IBGE, a região Norte vem apresentando um aumento em relação a IA moderada ou grave. Atualmente, em meio à pandemia, as dificuldades se mantem, uma vez que produtos básicos, como o arroz e o feijão, estão aumentando de preço no cenário nacional e também no estado.

    Alta no valor dos alimentos

    Em reportagem publicada pelo EM TEMPO anteriormente, consumidores amazonenses relataram que, um pacote de cinco quilos de arroz, que normalmente custa R$ 15, está chegando a R$ 40, desde a chegada do mês de setembro. Nesse sentido, um saco de 1 quilo de arroz estaria custando cerca de R$ 3 antes do aumento da inflação e agora mais do que dobrou, chegando a custar aproximadamente R$ 8.

    Um saco de 1 quilo de arroz estaria custando cerca de R$ 3 antes do aumento da inflação e agora mais do que dobrou
    Um saco de 1 quilo de arroz estaria custando cerca de R$ 3 antes do aumento da inflação e agora mais do que dobrou | Foto: Emerson Quaresma

    Segundo o IBGE, o arroz (3,08% em agosto) acumula alta de 19,25% no ano e o feijão, dependendo do tipo e da região, já tem inflação acima dos 30%. No momento atual, as mais prejudicadas são as famílias de baixa renda. Para a funcionária pública, Fernanda Campos, 30 anos, as dificuldades só aumentam. “Estou vendo o preço de alimentos básicos subindo e só o que tenho é a ajuda do auxílio. E eu não estou em situação de insegurança grave, imagine quem pode estar passando fome atualmente”, relata.

    Para a economista Lenice Benevides, algumas das razões para o encarecimento da comida são o aumento nas exportações brasileiras, a valorização do dólar ante o real e também a pressão doméstica – o pagamento do auxílio emergencial impulsionou o consumo. Ela ainda frisa que alguns alimentos estão caindo e que não há uma subida conjunta de preços.

    O pagamento do auxílio emergencial impulsionou o consumo
    O pagamento do auxílio emergencial impulsionou o consumo | Foto: Agência Brasil

    “Como são produtos básicos, que estão na mesa da população mais vulnerável, é preciso ter cuidado com as intervenções do Governo. Isso porque, ao permitir a importação do produto, como no caso do arroz, teremos maior oferta e os preços caem para a população, mas pensando no lado produtor, ele é privado da expectativa de faturamento e rendimento que teria com o aumento do preço”, esclarece a economista.

    Contudo, Lenice acredita que, no caso do Amazonas, o Auxílio Emergencial é uma das medidas de intervenção que se fazem necessárias, ainda mais quando a questão da Insegurança Alimentar é colocada em pauta. “Esse benefício não é suficiente, mas é necessário. Estamos no meio de uma pandemia, o desemprego continua aumentando e muitas famílias já estão passando por dificuldades em relação a alimentação”, afirma.

    De acordo com a economista Bianca Mourão, o Governo pode ajudar em relação ao alto preço ds alimentos, reduzindo impostos sobre outras partes da cadeia, como por exemplo, o frete e - até mesmo – o preço do diesel, que é utilizado nos caminhões que transportam os alimentos. “O auxílio atende apenas o básico (alimentação), então é preciso pensar no quanto a população está gastando com esses alimentos e também é importante levar em consideração que as pessoas possuem outros custos como moradia, vestuário e produtos de higiene e limpeza”, alerta.

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