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    Economia


    Polo de duas rodas mantém o ‘pé firme’ na Zona Franca

    Honda foi uma das pioneiras na produção de motocicletas no parque fabril de Manaus - Arquivo EM TEMPO

    O parque industrial de Manaus concentra o único polo de duas rodas do Brasil, que produz praticamente todas as marcas de motocicletas disponíveis no mercado brasileiro. São 14 fábricas de bem final de motocicletas, ciclomotores e motonetas e quatro fábricas de bicicletas, inclusive elétricas.

    Apesar de ter sido bastante impactado nos últimos anos pelas dificuldades de acesso ao crédito para a compra de motocicletas no Brasil e ter apresentado números decrescentes com relação a sua produção e faturamento (dados de janeiro a novembro de 2016 mostram uma queda de 24% em relação ao mesmo período de 2015), o polo de duas rodas ainda é o terceiro maior do Polo Industrial de Manaus (PIM), perdendo apenas para o de eletroeletrônico e o de informática, de acordo com a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), embora concentre o maior adensamento da cadeia produtiva.

    Além das empresas de bem final, existem quase 70 fabricantes componentistas no PIM, que também geram emprego e renda agregada ao setor. Etapas como fundição, estamparia, usinagem, solda, pintura e injeção plástica são todas feitas em Manaus.

    Historicamente, 75% dos componentes utilizados nas motos são nacionais, dos quais quase 50% são regionais. Alguns modelos chegam a ter 93% de suas peças fabricadas no Brasil, conforme informações da Suframa.

    A primeira fábrica

    A Moto Honda da Amazônia foi a primeira empresa de motocicletas a se instalar no PIM. Foi registrada em 1975 e iniciou a produção em 1976, segundo dados do Anuário da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo).

    Já são 40 anos produzindo motocicletas para o mercado brasileiro, com mais de 22 milhões de produtos fabricados e o título de maior fábrica de motos Honda do mundo. Atualmente, a unidade manauense é responsável pela fabricação de 26 modelos de 110 a 1.000 cilindradas, além de quadriciclos e motores estacionários.

    A fabricante ainda abriga um complexo sistema de produção que contempla o desenvolvimento de ferramentas e dispositivos necessários para a fabricação de veículos duas rodas. Por conta disso, a cada 15 segundos, uma motocicleta deixa a linha de produção da marca japonesa.

    Constam ainda na história de sucesso da empresa a produção da primeira moto “made in Brazil” - a Honda CG 125, em 1976 -, o nascimento da primeira motocicleta bicombustível do mundo - também uma Honda CG 150 Titan, em 2009 -, e a Honda CG 150 Titan CBS 2015 - que torna-se modelo pioneiro no mundo a utilizar sistema de freios CBS, equipamento que traz mais segurança de frenagem em situações adversas, em 2014.

    Liderança

    A empresa afirma possuir hoje a liderança absoluta no segmento de motocicletas, com 80% do mercado nacional.

    O diretor executivo da Moto Honda, Paulo Takeuchi, explica que essa trajetória de sucesso da multinacional japonesa é fruto de um trabalho baseado no compromisso com a qualidade, segurança, meio ambiente e com a sociedade local.

    “Para isso, também contamos com a importante parceria da Suframa, que nos dá suporte desde a instalação da Moto Honda, para a melhoria contínua da política de desenvolvimento do Polo Industrial de Manaus. Nossa atuação seguirá baseada nesse princípio de desenvolvimento para que possamos continuar contribuindo para o futuro promissor da região”, enfatiza o diretor executivo da Moto Honda.

    Fabricantes ‘driblam’ os desafios com a mão de obra

    A Yamaha passou a produzir motocicletas no PIM em 1985, motivada pelos incentivos fiscais concedidos no âmbito federal e estadual. O grande desafio foi formar mão de obra para fabricar motocicletas, pois a vocação inicial da ZFM era voltada para o segmento eletroeletrônico.

    Por conta disso, a Yamaha até hoje mantém programas de formação profissional, em parceria com entidades como o Serviço Nacional da Indústria (Senai) e o Instituto Pró Menor Dom Bosco, que se notabilizam pela qualificação de mão de obra específica para o mercado de motocicletas e de motores de popa.

    Inicialmente, em vista do critério de nacionalização, a produção era altamente verticalizada, o que impôs investimentos elevados em máquinas e equipamentos para fundição, usinagem, tratamento térmico, estamparia, solda, pintura, além da formação da mão de obra.

    Com o passar do tempo, em razão da alteração do regime de reciprocidade para o PPB (Processo Produtivo Básico), permitiu-se a terceirização da fabricação de peças e componentes para empresas sediadas no PIM e em outras partes do país, disseminando tecnologia e know how e desenvolvendo o parque industrial brasileiro. Assim, hoje, todos os modelos de motocicleta da Yamaha fabricados atualmente no Brasil contemplam itens de alta tecnologia, como injeção eletrônica e freios de última geração.

    Conforme a assessoria de comunicação, os modelos da Yamaha são considerados de vanguarda, em total alinhamento com os principais mercados internacionais e sempre dita tendências de cores e novas tecnologias.

    Por exemplo: a primeira motocicleta equipada com injeção eletrônica no Brasil foi a XT660R, a primeira de baixa cilindrada foi a Fazer 250, a primeira motocicleta totalmente flexível foi a Fazer 250 Blueflex, o primeiro scooter com ABS nas duas rodas foi a NMax. A linha de produtos que a Yamaha oferece é extensa. São 28 motocicletas, em diversas versões.

    Produção

    Em 2016, a Yamaha produziu 96 mil motocicletas, mas a capacidade instalada é para 350 mil motos por ano. “O consumidor brasileiro é exigente e tem gosto bastante variado. Os modelos de baixa cilindrada, de 125 a 250 cc, fazem sucesso, são as mais equipadas do mercado, com faróis de LED, mostradores digitais completos, e representam o maior volume de produção. Já as motocicletas acima de 250 cc são líderes em seus segmentos de participação”, diz a assessoria.

    EM TEMPO

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